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Máscaras Para Os Mortos (A Ruina de Noltora livro 1) | Resenha

Máscaras Para Os Mortos (A Ruina de Noltora livro 1) | Resenha

A literatura fantástica nacional conta com várias obras que exploram a fantasia sob diferentes perspectivas. Algumas são tão criativas e bem escritas que não deixam a desejar em nada se comparadas aos livros de autores mundialmente conhecidos. Um bom exemplo disso é a dark fantasy Máscaras Para dos Mortos, volume 1 da saga A Ruina de Noltora, do escritor M. P. Neves.

A trama se passa em Noltora, continente que foi arrasado após um cataclismo mágico. De um lado, encontramos Hakim, um guerreiro que assume o posto de Deus-Rei de Var Khalad. Com o rosto oculto sob as quatro máscaras dessa divindade, o rapaz precisa defender o reino do ataque frequente de criaturas conhecidas como Abissais. Contudo o perigo real parece vir de seus próprios sacerdotes. Do lado oposto, conhecemos Moira, uma garota pertencente ao clã do Povo das Cinzas. Após perder toda a sua família durante um ataque comandado pelas forças de Var Khalad, ela jura se vingar. Para isso, a menina não hesita em mergulhar no mundo sombrio da necromancia, mesmo que o custo seja alto. Enquanto os caminhos de Hakim e Moira convergem, o destino de todo o continente é traçado.

A premissa de Máscaras Para Os Mortos é bem criativa, mas o que conquista o leitor logo nas primeiras páginas é a escrita de M. P. Neves. A forma como a história é contada lembra em muitos aspectos o estilo narrativo de Brandon Sanderson e Joe Abercrombie ao descrever os cenários e personagens de maneira simples e objetiva, sem se alongar demais em descrições desnecessárias. A criação do mundo (Worldbuilding) e toda a mitologia que gira em torno de um acontecimento conhecido com Devastação contribui ainda mais para a atmosfera sombria em que se encontram os protagonistas.

Falando neles, ambos são figuras opostas, mas que compartilham da mesma determinação para atingir seus objetivos. Hakim se vê dividido entre o fardo de carregar o título de Deus-Rei e a obrigação pessoal de cuidar de seu povo, mesmo que isso o obrigue a ir contra os próprios aliados. Já Moira segue por uma espiral de violência que ameaça os últimos resquícios de inocência que ainda possui, tudo em nome de uma vingança autodestrutiva.

O destaque fica por conta da crença ao redor do Deus-Rei. O autor se baseou no estudo dos quatro temperamentos básicos nos quais as pessoas se dividem: fleumático, melancólico, sanguíneo e colérico. Na trama, cada uma das máscaras do deus representa um desses temperamentos. Além disso, os usuários da taumaturgia desenvolvem habilidades mágicas específicas de acordo com o temperamento com o qual mais se identificam.

Os capítulos vão se alternando entre os dois personagens centrais, cada um seguindo a sua jornada. Entre batalhas empolgantes e reviravoltas, algumas perguntas vão sendo respondidas enquanto outras surgem para serem respondidas no próximo volume, Asas Sob O Abismo, o qual está em financiamento coletivo no Catarse.

Máscaras Para Os Mortos é o início promissor de uma saga com elementos que a colocam em pé de igualdade com obras renomadas do gênero. Para a literatura nacional é um grande achado, especialmente para os fãs de fantasia que não deveriam pensar duas vezes em dar uma chance o trabalho de M. P. Neves.

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Participe do financiamento coletivo no Catarse para o lançamento do segundo volume

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Sobre Mozer Dias

Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.