Cinema | Fragmentado (Split) | Crítica

Cinema | Fragmentado (Split) | Crítica

Esta é mais uma obra de M. Night Shyamalan, cineasta aclamado por produções como O Sexto Sentido (1999) e Corpo Fechado (2000), onde ficou conhecido por seus finais surpreendentes. Após alguns fracassos de bilheteria, Shymalan retorna com o thriller Fragmentado, que resgatou sua capacidade de impressionar e já arrecadou mais de UR$ 130 milhões nos Estados Unidos até o momento.

O filme nos apresenta Kevin (James McAvoy), um homem que sofre de TDI, Transtorno Dissociativo de Identidade. Em seu corpo e mente, Kevin abriga 23 personalidades distintas, capazes de alterar a química de seu organismo. Certo dia, a mando de alguém que suas facetas temem, ele sequestra três meninas em um estacionamento e as mantém em cativeiro. Dentre essas meninas, está Casey (Anya Taylor-Joy), uma adolescente deslocada que age e pensa de forma diferente das demais jovens de sua idade. Enquanto isso, a Dra. Karen Fletcher (Betty Buckley), responsável pelo tratamento de Kevin, deseja acompanhar mais de perto a sua reabilitação e provar que o TDI vai além de um simples problema psicológico.

Primeiramente, a obra foge ao estilo “filmes de cativeiro”, onde toda a trama se passa apenas no local onde as pessoas estão presas. Em Fragmentado, Kevin é um homem livre, apesar de ser acompanhado pela doutora Fletcher. Desse modo, as cenas se alternam entre o cárcere e as consultas com a médica. Isso foi uma manobra inteligente do roteiro para nos apresentar a verdadeira dimensão do transtorno de Kevin. Além disso, somos apresentados à proposta principal que é explorar o potencial desconhecido do cérebro humano, visto que cada uma das 23 personalidades modifica quimicamente o corpo simplesmente por acreditarem ser reais.

Outro ponto interessante é a forma como cada pessoa responde a traumas em sua vida, geralmente ocorridos na infância. Para o protagonista, a resposta encontrada para seu problema foi criar diversas personalidades para fugir da realidade. Porém não são todas as pessoas que desenvolvem o mesmo transtorno perante esses problemas pessoais. Constatamos isso através de Casey, a quem vamos conhecendo gradualmente por meio de suas lembranças de quando era criança. Mesmo que seja uma garota problemática na escola, ela responde de maneira diferente às suas adversidades.

E para uma película que explora tanto o psicológico de seus personagens, é preciso um elenco que dê conta do recado. A atriz Anya TaylorJoy, que interpreta Casey, convenceu no papel da jovem que usa a inteligência para tentar sobreviver e escapar. Apesar de poucas falas, seus olhares traduzem muito das emoções que está sentindo a cada momento, sem parecer uma atuação forçada. Já James McAvoy está em um de seus melhores papeis no cinema. Ele conseguiu dar vida a diferentes personalidades de forma que somos capazes de reconhecer cada uma só pela forma como ele se expressa. A transição de uma faceta para outra é tão natural que chega a ser perturbadora.

Assim, a produção vai se desenvolvendo até chegar à marca registrada de Shyamalan, que é a grande surpresa no final. Passando por medos e traumas, além de trabalhar a capacidade desconhecida e obscura da mente humana, Fragmentado consegue nos intrigar extrapolando a máxima “você é quem acredita ser”.

Ficha Técnica:

  • Data de lançamento: 23 de março de 2017 (Brasil)
  • Duração: 1h57min
  • Gênero: suspense, terror, thriller psicológico
  • Direção: M. Night Shyamalan
  • Elenco: James McAvoy (Kenvin e companhia), Anya Taylor-Joy (Casey Cook), Betty Buckley (Dra. Karen Fletcher), Haley Lu Richardson (Clair Benoit) e Jessica Sula (Marcia).

Assista ao trailer:

Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.