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Calamidade (Executores livro 3) | Resenha

Calamidade (Executores livro 3) | Resenha

Calamidade é o terceiro volume da trilogia Executores. Para ler as resenhas dos volumes anteriores – Coração de Aço e Tormenta de Fogo – clique AQUI.

Ao longo da trilogia Executores, Brandon Sanderson nos mostrou uma abordagem diferente com relação ao ganho de superpoderes. Em Coração de Aço, o poder resultava em tirania e crueldade; já em Tormenta de Fogo, havia uma linha tênue entre maldade e clemência. Agora, com Calamidade, último volume da saga, obtemos as repostas sobre o misterioso comportamento dos super-humanos conhecidos como Épicos.

David Charleston lidera os Executores rumo à batalha definitiva contra os Épicos. Porém, apesar de toda a tecnologia de que dispõem, vencer essa guerra não será fácil. Para derrotar seus inimigos, David e sua equipe precisam desvendar os mistérios sobre Calamidade, a estrela vermelha que surgiu no céu no momento em que pessoas comuns começaram a ganhar habilidades especiais. Em busca de respostas, eles partem para a peculiar cidade de Ildithia e, com a ajuda de aliados improváveis, colocam seu plano mais ousado em prática.

Uma característica dessa trilogia é apresentar cenários inusitados e grandiosos. No primeiro livro, fomos apresentados à Nova Chicago, uma metrópole feita inteiramente de aço; no segundo, à exótica Babilar e seus prédios em ruínas. Já em Calamidade, Brandon Sanderson nos leva à Ildithia, uma cidade feita de sal, com a curiosa capacidade de se deslocar de um lugar para outro. Essa condição interfere na forma como os personagens interagem com o ambiente à sua volta e executam seus planos, tornando as coisas mais desafiadoras.

Por mais que Coração de Aço e Realeza tenham sido inimigos perigosos, nada se compara à ameaça de agora. David e seus amigos precisam derrotar Épicos poderosos e inteligentes sem ter muitos meios para tanto. Isso resulta em duas coisas: primeiro, gera uma constante sensação de incerteza sobre o sucesso deles, o que deixa tudo imprevisível; segundo, mostra sequências de ação ousadas e de tirar o fôlego em quantidade superior aos volumes anteriores.

O questionamento mais relevante que podemos tirar de Calamidade é sobre a real índole dos personagens, sejam eles Épicos ou não. As intenções de David são realmente nobres? O poder corrompe a todos que toca ou isso é uma escolha de cada um? Essas reflexões trazem diálogos e discussões tensas em diversos momentos.

A humanidade é uma raça de monstros, ineficazmente acorrentados. É isso que há dentro de você.”

Parte dessas questões são respondidas no desfecho da obra, que encerra a trilogia de modo satisfatório e inesperado, eliminando também as dúvidas deixadas pelos primeiros livros. Diante da ameaça que os protagonistas enfrentam, a forma pela qual o autor decidiu concluir a história faz bastante sentido.

Calamidade é o ato final da trilogia Executores, onde Brandon Sanderson nos conduz por uma aventura repleta de ação, humor e reviravoltas, além de nos fazer refletir sobre como o poder (e também a ausência dele) pode agir sobre o comportamento das pessoas.

Adicione este livro à sua biblioteca!

Conheça os outros volumes da trilogia Executores:

Sobre Mozer Dias

Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.