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Antes da Forca (A Primeira Lei – livro 2) | Resenha

Antes da Forca (A Primeira Lei – livro 2) | Resenha

Após ser vencido pela curiosidade e finalmente conhecer o trabalho do escritor Joe Abercrombie, decidi que era hora de prosseguir com a trilogia A Primeira Lei. O que já estava bom em O Poder da Espada, fica muito melhor em Antes da Forca, o segundo volume da série. Além de expandir o universo criado e seus perigos, o autor dá uma aula de construção de personagens.

Nesta sequência, encontramos os principais personagens espalhados pelo Círculo do Mundo. Sand dan Glokta foi enviado para Dagoska e se tornou o todo-poderoso da cidade, com a missão quase impossível de protegê-la de um ataque inimigo ao mesmo tempo em que tenta solucionar uma conspiração dentro do conselho governante. Bem longe dali, em Angland, o coronel West recebe a missão de proteger o príncipe herdeiro durante a batalha e impedir que a estupidez do rapaz os leve para a morte. Enquanto isso, o mago Bayaz atravessa o continente em direção à borda do Mundo, liderando um grupo improvável de viajantes através de terras amaldiçoadas em busca de um artefato conhecido como a Semente.

A narrativa se divide em três núcleos distintos, cada um apresentando cenários grandiosos e perigos diferentes mostrados sob o ponto de vista dos personagens. Enquanto alguns precisam sobreviver ao frio terrível, outros têm de encarar o sol escaldante ou até mesmo chuvas torrenciais. Porém, por mais que eles estejam longe uns dos outros, com frequência vemos elementos que os conectam e levam em direção ao mesmo objetivo.

Ainda falando sobre os protagonistas, eu não poderia deixar de destacar (de novo) o inquisidor Glokta. Se no primeiro livro ele já vinha se tornando um dos meus personagens favoritos, em Antes da Forca ele conquista esse posto de vez graças à inteligência e à frieza que demonstra durante sua missão em Dagoska. Ainda assim, sobra espaço para vermos os resquícios de empatia que sobram nele, mostrando que ele ainda é humano.

West ganha a merecida atenção na batalha do norte. O coronel também é um homem frio, mas para ele fica cada vez mais difícil se manter assim quando se encontra cercado por idiotas que estão ali apenas para inflar o próprio ego ignorando a real ameaça do inimigo. Toda essa pressão tem efeito direto na evolução do personagem que surpreende em diversos momentos.

Contudo, no quesito desenvolvimento, nenhum núcleo ganha da equipe que está viajando com Bayaz. É aquele típico grupo que começa se odiando e desprezando, mas nós sabemos que eles vão se entender (ou chegar o mais próximo disso). Porém, Abercrombie faz isso acontecer de forma tão sutil que nem percebemos o previsível se tornando realidade.

O processo de construção que o autor utiliza para criar seus personagens deveria ser referência para muitos escritores, pois ele faz isso de maneira paciente e planejada, preparando o terreno para que nenhuma decisão seja repentina ou incoerente. O plano de fundo de cada um deles serve para embasar todas as suas ações e isso funciona principalmente com Ferro Maljinn, de maneira que compreendemos por que ela é tão mal-humorada e agressiva.

De forma gradual e envolvente, as peças vão se posicionando para o último volume da trilogia, O Duelo de Reis. Boa parte das conexões são estabelecidas e quase todos os inimigos agora são conhecidos, bastando apenas que aconteça o confronto final entre as forças opostas.

Posso dizer que Antes da Forca já se tornou uma de minhas obras de fantasia favoritas, graças à habilidade de Joe Abercrombie para contar uma história instigante com personagens tão complexos e cativantes. Agora falta muito pouco para concluir essa trilogia e partir em busca de outros trabalhos do autor.

Adicione Antes da Forca à sua biblioteca!

Conheça os outros volumes da trilogia A Primeira Lei:

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Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.