Athaliba e Alagoas – L&P – parte 3 [final]

Athaliba e Alagoas – L&P – parte 3 [final]

Por Vanessa Barros

Leia a parte 2

– Eu sei que você quer me matar. Eu já não aguento mais. Todo dia me escondendo. Fugindo. Não vou mais a lugar nenhum. Nem pra padaria. Não durmo. Não como direito. Não tenho mais vontade de viver desse jeito. Aproveita, cara! Me mata agora! Tô aqui me entregando. Não aguento. Não aguento. – disse isso balançando a cabeça – Pode me bater até eu morrer. Anda. Vai. Termina logo com tudo de uma vez! Eu não consigo fugir mais. Não tenho mais forças…

Athaliba, gélido ainda, interrompeu o discurso de rendição do outro fazendo com que este o encarasse e com sua voz grave mas incrivelmente infantil tomou para si a responsabilidade de acabar logo com tudo, deixando Alagoas pasmado, sem reação:

– Óh! Você não me deixou entrar na sua festa. Eu fiquei muito bravo. Eu fiquei muito triste. Eu achei que o copo ia quebrar no muro. Não queria machucar ninguém. Você saiu bravo. Brigou comigo armado. Você queria me matar, mas só conseguiu me machucar, óh! Tá vendo aqui o machucado? Mas os colegas me levaram pro hospital e eu fiquei lá internado. E o doutor mandou eu tomar muita canja. Agora eu tenho que tomar muita canja pra ficar bom de novo. Abre essa sua carteira aí… Eu só vim aqui pegar com você o dinheirão que tô gastando com galinha. Tá saindo muito caro, tá sabendo? Quero sua carteira toda não… Me dá logo… Anda… Só o dinheiro da galinha…

 

vanessa

A autora

Vanessa Barros (MG) é escritora. Autora dos livros Crônicas a Bordo de um Trem Urbano e  Crônicas a Bordo de um Trem Urbano – A viagem continua. Esta é sua segunda participação no L&P. Para conhecer mais sobre o seu trabalho ouça nossa entrevista com ela no Leituracast 11.

 

Você pode gostar também:

Se você também gostaria de publicar seu conto ou poema no Leituraverso, envie seu texto para nós. Saiba mais lendo o regulamento.

Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.

Nossos Parceiros