Athaliba e Alagoas – L&P – parte 2

Athaliba e Alagoas – L&P – parte 2

Por Vanessa Barros

Leia a parte 1

– Já chega! Agora é minha vez! – disse o soldado que, mesmo baleado, deu não um único soco, mas uma surra em Alagoas.

E a surra foi das boas. Daquelas! Os dois foram levados a hospitais. Athaliba, porém, por policiais para o hospital militar da região onde ficou internado por 15 dias tendo Alagoas como o tema central de seus pensamentos no tempo em que ficou “de castigo”.

Fora do hospital, recuperando-se ainda, estava já o Athaliba disposto a procurar por Alagoas. Sendo muito conhecidos os dois, foi fácil descobrir onde o atirador trabalhava: em uma fábrica de   vassouras  localizada num bairro próximo. Não demorou muito para que Alagoas soubesse estar sendo perseguido por Athaliba. Este fazia vigilância constante à fábrica. Sempre às sextas-feiras. E  o procurado tentando escapar como podia.

Na primeira sexta, Athaliba ficou a 200 metros da fábrica. Na segunda sexta, a 150 metros. E a cada sexta-feira ia aproximando-se cada vez mais até que, na última, esperou por Alagoas exatamente em frente ao portão principal da empresa.

Alagoas que não sabia mais o que era uma noite tranquila de sono, saía da fábrica sempre escondido, ora em caminhão da empresa, ora em caminhão de fornecedores, ora abaixado no banco de trás do carro de algum colega. Quando não conseguia carona, ficava fazendo hora dentro da empresa até, segundo imaginava, Athaliba se cansar e ir embora. Mas, naquela sexta, o homem estava no portão. E além disso, ele, o funcionário da fábrica, já estava cansado demais. Era melhor pôr fim naquela trágica situação. Saiu pela porta da frente, sabendo encontrar Athaliba com quem tudo seria resolvido de uma vez por todas. Dos olhos cansados de Alagoas lágrimas saíam torrenciais. Nos olhos de Athaliba, gelo. Nunca na vida, Erlancley José tinha visto olhar tão frio e ameaçador. Era então hora de dar fim ao sofrimento. Abaixando a cabeça e cobrindo os olhos marejados com as mãos, chorando muito mesmo, chegando a soluçar, Alagoas rendeu-se:

continua…

Clique aqui para ler a parte 3

vanessa

A autora

Vanessa Barros (MG) é escritora. Autora dos livros Crônicas a Bordo de um Trem Urbano e  Crônicas a Bordo de um Trem Urbano – A viagem continua. Esta é sua segunda participação no L&P. Para conhecer mais sobre o seu trabalho ouça nossa entrevista com ela no Leituracast 11.

 

 

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Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.

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