Eventos | XIV Encontro de Autores de Medo e Terror

Eventos | XIV Encontro de Autores de Medo e Terror

Atenção: se você não aguenta cenas fortes, não leia este texto.

Estou te avisando…

Bom, se é assim, não diga que não te avisei…

Toda essa preocupação se deve ao fato de, no último sábado (29/04), ter ocorrido uma reunião sinistra: o XIV Encontro de Autores de Medo e Terror, organizado pela Casa do Medo. Fãs e entendedores do assunto se juntaram para falar de um tema muito comum em livros, filmes e séries do gênero: terror e erotismo. A seita foi comandada pelos anfitriões Felipe Campos e Fabiano Costa, que ofereceram o sangue de virgens em sacrifício a criaturas das trevas…

Calma! Não precisa fechar a página. Brincadeiras à parte, o bate-papo que aconteceu na Biblioteca Popular da Tijuca foi descontraído e contou com muitas referências a obras clássicas do cinema, da literatura e também da televisão, com diversos exemplos de como o aterrorizante e o erótico formam uma bela (e fatal) combinação. Ambos os apresentadores são escritores e possuem familiaridade com essa temática. Assim, a conversa fluiu e até foi transmitida em uma live pelo Facebook.

Felipe Campos e Fabiano Costa, mediadores do encontro

Como não podia deixar de ser, o assunto se iniciou com os contos de fadas, especialmente com o da Chapeuzinho Vermelho. A adaptação dessa e de outras fábulas para o público infantil ocultou boa parte do simbolismo, porém a versão original era muito mais sombria. Uma menina que anda sozinha pela floresta, encontra um estranho e passa todas as informações de como ele pode chegar até a casa da vovó. Chegando lá, a menina se depara com o lobo que deseja “devorá-la”. Analisando bem, esse conto se trata da transição entre a infância da menina para a vida adulta, que é marcada pela cor do sangue.

Seguindo para as mitologias, passamos pelas Sucubus, demônios femininos que seduzem os homens para sugar sua energia vital através do sexo. Também há sua versão masculina, o Incubus, porém com uma aparência bem mais assustadora. Seus equivalentes brasileiros são o boto, que seduz jovens para engravidá-las e a mula sem cabeça, a qual é amaldiçoada com essa forma por ter se relacionado com um padre.

Os filmes foram o que mais renderam na discussão, principalmente os clássicos de vampiros, seres que possuem uma lascívia muito mais evidente. Outros títulos surgiram, como Elvira: A Rainha das Trevas (eu realmente era muito inocente nessa época…) e O Exorcista, com menção àquela cena polêmica com o crucifixo. Seriados como American Horror Story e Um Drink no Inferno também foram citados. Em todos eles, a identificação com os vilões é muito marcante devido ao charme que eles exibem.

Pouco antes da transmissão ao vivo se encerrar, os apresentadores comentaram rapidamente sobre o erotismo oriental nos mangás e animes, bem como toda a sua bizarrice (sim, é um gosto bem peculiar). Um bom exemplo disso é Highschool of Dead, com zumbis, colegiais, saias curtas, peitos e… Bom, você entendeu.

Em todos esses tópicos uma coisa bem interessante a ser observada é como a figura da mulher se destaca. A sensualidade é uma arma feminina poderosa na maioria das produções de terror, correndo o risco de ser uma ideia machista se não for bem trabalhada. Tratando-se do erótico, acredito a volúpia tem que ser igual para os dois lados para que haja aceitação e envolvimento com o público.

Ao final, foi a hora de todos nós nos apresentarmos (isso, sim, causa muito medo). Para algumas pessoas, esse não foi o primeiro evento. As reuniões acontecem de dois em dois meses e, a cada uma, um tema diferente é debatido. Foi graças a esses encontros que, em 2015, surgiu a Editora Guardião, que no sábado estava sendo representada pela diretora de marketing Roberta Pauletich. A editora reúne novos escritores e ilustradores e possibilita que suas obras sejam publicadas em ótima qualidade.

Tudo indica que este foi o primeiro de muitos eventos nos quais irei. Então se preparem para futuras coberturas. Ressaltando que a entrada é franca, então quem puder prestigiar, faça isso. Mesmo que terror não seja sua praia, mais cedo ou mais tarde, um tema com o qual você se identifica vai aparecer.

Caso você tenha se interessado:

Ainda dentro desse tema, o Leituraverso tem seu espaço para o terror na literatura nacional:

Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.

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