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Questão de Tempo (About Time) | Crítica sem spoilers

Questão de Tempo (About Time) | Crítica sem spoilers

Um dos meus filmes preferidos sobre viagem no tempo não é aquele onde o protagonista precisa voltar no tempo para impedir uma catástrofe ou então salvar a humanidade. Na verdade, é sobre um cara que usa seu dom para arranjar uma namorada. Mas não é apenas a comédia romântica presente em Questão de Tempo (2013) que faz dele uma produção tão gostosa de assistir, mas sim as reflexões que ele traz sobre a vida e o peso das escolhas que tomamos.

Na trama, conhecemos Tim (Domhnall Gleeson), um rapaz de 21 anos que descobre que os homens de sua família têm a capacidade de voltar no tempo para revisitar o próprio passado. Tudo que ele precisa fazer é ir para um local silencioso e escuro e pensar na época de sua vida para a qual deseja retornar. Então o que ele decide fazer com sua habilidade recém-descoberta? Conquistar a garota que ele está afim (não julgo, pois faria a mesma coisa). Porém, ele começa a perceber o impacto que suas viagens ao passado têm sobre o futuro.

questão de tempo tim domhnall gleeson

O que faz desse filme algo diferente é a leveza com que ele trata essa questão de viagem temporal. Não há nada daquela pegada complexa de ficção científica com teorias, cálculos ou paradoxos inexplicáveis. Mas nem por isso as ações do protagonista deixam de exercer influência em sua vida ou na das pessoas ao seu redor, como um efeito borboleta onde um detalhe bobo modificado no passado causa uma alteração drástica futuramente.

Tim vai aprendendo na prática o que ele pode ou não fazer, contudo a presença de seu pai, James (Billy Nighy), é fundamental para seu aprendizado, já que ele passara pelo mesmo antes do filho. A relação entre os dois ao longo da narrativa passa por momentos cômicos e comoventes, destacando o bom trabalho de ambos os atores. Seus diálogos nos fazem pensar em pequenos detalhes da vida, que aparentemente não significam muita coisa, mas que  na verdade são muito importantes.

questão de tempo tim e james

A escolha de elenco para Questão de Tempo é responsável por pelo menos 50% do sucesso do filme. A química entre os personagens em cena é nítida graças aos seus intérpretes. Rachel McAdams, no papel de Mary, é uma das que mais se destaca contracenando com Domhnall Glesson. O par formado pelos dois está longe de ser perfeito, mas torcemos de verdade por eles.

questão de tempo tim e mary

Como eu já tinha falado no começo, não é apenas o humor e o romance que fazem essa história ser tão cativante. Óbvio que a viagem no tempo dá aquele toque fantasioso no longa, mas em dado momento nos perguntamos como seria se não existisse esse ingrediente a mais no roteiro. É aí que percebemos que nós poderíamos estar no lugar de qualquer personagem que estamos vendo. Ao final, ainda que não saibamos a solução exata para os dilemas que surgem no nosso caminho, ficamos com uma sensação otimista de que podemos dar conta deles sem ter poderes especiais.

Por isso Questão de Tempo é tão especial para mim. Sabendo observar esses pequenos detalhes por trás da ficção, conseguimos extrair lições valiosas para levarmos com a gente por bastante tempo (trocadilho intencional, me perdoem); tudo isso porque o cara só queria arranjar uma namorada. E mesmo que você não absorva tanta coisa assim, ainda vai ter duas horas de entretenimento leve e divertido pela frente.

Ficha técnica:

  • Ano de lançamento: 20 de dezembro de 2013
  • Gênero: romance, comédia romântica, drama
  • Duração: 2h03min
  • Direção e roteiro: Richard Curtis 
  • Elenco: Domhnall Glesson (Tim Lake), Billy Nighy (James Lake), Rachel McAdams (Mary), Margot Robbie (Charlotte), entre outros.

Assista ao trailer:

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Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.