Cinema | Do Outro Lado da Porta (2016) | Crítica

Cinema | Do Outro Lado da Porta (2016) | Crítica

A estreia desta coluna sobre cinema ocorreu com a crítica de um dos melhores filmes de terror/suspense de 2016: O Homem nas Trevas (Don’t Breath). Naquele mesmo ano, outra obra chegava aos cinemas para fazer jus a este gênero, porém não recebeu a devida atenção. Por isso, é hora de corrigir este erro aproveitando o último artigo de 2017 para comentar sobre Do Outro Lado da Porta (The Other Side of The Door), dirigido pelo britânico Johannes Roberts.

A trama se passa na Índia e nos conta como Maria (Sarah Wayne Callies, de The Walking Dead), uma mulher atormentada pela morte de seu primogênito, descobre a existência de um templo que lhe permite se comunicar com o filho morto através de uma porta que deve permanecer fechada a qualquer custo. Escondida de seu marido, Michael (Jeremy Sisto), ela vai até o local, contudo o portal se abre e liberta forças desconhecidas que desafiarão a sanidade e a vida da mulher e de sua família.

É raro ver um filme como este baseado na mitologia Hindu, o que por si só já é um ponto a favor. A motivação da protagonista também é um argumento suficientemente convincente para justificar suas decisões, visto que ela se culpa pela perda do menino. Outra característica que o diferencia dos demais é o meio pelo qual a comunicação com o plano dos mortos é feita: por meio de uma porta física e tangível em vez de uma passagem invisível e abstrata. Infelizmente, a origem do templo e do ritual não é explicada mais a fundo, o que teria valorizado ainda mais a trama e chamado a atenção para essa cultura cheia de mistérios e superstições.

Entretanto, a superficialidade do contexto é compensada com a brilhante condução dos sustos, algo fundamental para que um filme de terror seja considerado bom ou ruim. Exceto algumas obras como A Morte Te Dá Parabéns (2017), que soube como utilizar o jump scare, a maioria das películas desse gênero banaliza esta técnica. O foco da câmera muda, a música de fundo se intensifica ou silencia por completo e é seguida por um som alto e repentino que provoca o susto. Estes elementos estão presentes em Do Outro Lado da Porta, porém o diretor os utiliza de maneira a criar um anticlímax. Nós esperamos pelo susto, mas ele não acontece no momento certo, nos pegando de surpresa antes ou depois do esperado, inclusive em cenas durante o dia, fato incomum em produções do tipo. E isso se estende até a conclusão da história, nos surpreendendo uma última vez antes do fim.

Sendo assim, em 2016 outro filme de terror muito bem executado estreou, mas deixou de receber a atenção que merecia. Este foi o segundo filme de Johannes Roberts nesse estilo e em breve estrearão outros sob seu comando. Só nos resta torcer para que sejam tão bem-feitos quanto este foi.

Ficha técnica:

  • Data de lançamento: 25 de maio de 2016
  • Gênero: terror
  • Duração: 1h36min
  • Direção: Johannes Roberts
  • Elenco: Sarah Wayne Callies (Maria), Jeremy Sisto (Michael), Suchitra Pillai-Malik (Piki)

Assista ao trailer:

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Conheça A Morte Te Dá Parabéns

Sobre Mozer Dias

Mozer Dias

Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.