Cinema | A Morte Te Dá Parabéns (2017) | Crítica

Cinema | A Morte Te Dá Parabéns (2017) | Crítica

Na última quinta-feira (12), estreou nos cinemas brasileiros A Morte Te Dá Parabéns, originalmente chamado de Happy Death Day (sério, quem é que escolhe esses nomes na hora de traduzir, hein?). Apesar de recém-lançado, o longa dirigido por Christopher Landon (Como Sobreviver a um Ataque Zumbi, 2015) se inspira em dois outros filmes muito conhecidos da década de 1990 para formar um misto de terror, suspense e comédia.

Tree Gelbman (Jessica Rothe) é uma universitária que não possui uma relação amigável com o pai e gosta de humilhar os rapazes, trair a confiança das amigas e olhar somente para o próprio umbigo. No seu aniversário ela é assassinada por um mascarado e, a partir dali, acorda sempre naquele mesmo dia para reviver diversas vezes os acontecimentos até o momento de sua morte. Depois de um período de confusão, a garota finalmente enxerga a possibilidade de investigar quem é o seu assassino e tentar sair desse looping.

A ideia geral da obra bebe das mesmas fontes de duas produções marcantes. A primeira delas é Pânico (1996), com seu matador mascarado com predileção por facas de cozinha. Essa parcela da inspiração fica responsável pelo suspense e pelo terror que utiliza a técnica do jump scare – aquele que te dá um susto de repente, quando está tudo silencioso. Já a segunda é a comédia Feitiço do Tempo (1993), estrelada por Bill Murray, onde o arrogante personagem central é obrigado a viver o mesmo dia até se tornar alguém melhor.

A mesma premissa também está no livro Antes Que Eu Vá, da escritora Lauren Oliver (desculpem, não temos resenha. Falha nossa). Inclusive sua adaptação chegou às telonas em 2017. A narrativa conta uma história parecida: uma jovem com atitudes reprováveis morre ao fim do dia e precisa repeti-lo até achar a forma de se libertar.

Tendo como exemplos as obras citadas anteriormente, já era de se esperar uma trajetória de redenção da protagonista. Entretanto, saber  isso de antemão não desmerece sua evolução pessoal. O enredo nos parece tão previsível que sua previsibilidade acaba nos surpreendendo quando o desfecho ocorre de uma maneira diferente da que imaginávamos de início. Forçando a barra um pouquinho, é como um mágico que desvia nossa atenção para um lado enquanto é no outro que está acontecendo o truque real.

Como dá para perceber, A Morte Te Dá Parabéns não apresenta nenhum script original. Mesmo assim consegue nos entreter com um roteiro divertido, que acerta ao alternar momentos de humor e tensão. A linguagem é bem atual, o que aproxima o público mais jovem e aumenta a identificação com os personagens. Então, para quem procura um bom filme sem grandes pretensões, essa é a pedida certa.

Ficha técnica:

  • Data de lançamento: 12 de outubro de 2017
  • Duração: 1h35min
  • Gênero: Terror, suspense, comédia
  • Direção: Christopher Landon
  • Elenco: Jessica Rothe (Tree Gelbman), Israel Broussard (Carter Davis), Charles Aitken (Gregory Butler), Rachel Matthews (Danielle Bouseman)

Assista ao trailer:

Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.

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