Capa » Cinema » Ação » Cinema | Terra Selvagem (2017) | Crítica
Cinema | Terra Selvagem (2017) | Crítica

Cinema | Terra Selvagem (2017) | Crítica

Na natureza, o predador observa a sua presa e aguarda o momento do ataque. É tudo uma questão de tempo, assim como ocorre em Terra Selvagem. Com direção e roteiro de Taylor Sheridan, o filme nos apresenta a história de Cory Lambert (Jeremy Renner), um caçador de coiotes e predadores traumatizado pela morte da filha adolescente. Ele encontra o corpo congelado de uma garota em um local ermo em Wind River e decide iniciar uma investigação sobre o crime. Ao seu lado está Jane Banner, uma agente novata do FBI (Elizabeth Olsen) que desconhece a região e quer resolver a situação o quanto antes.

Apesar de ser um personagem pequeno dentro da trama, Jane é quem representa o espectador ao demonstrar o deslocamento de alguém que descobre um lugar tão frio e isolado das grandes cidades. Esta sensação é percebida de formas diferentes, seja através de seus questionamentos quanto ao comportamento dos moradores ou pela forma como ela reage as respostas deles. Este aspecto do roteiro pode ser caracterizado como didático, mas isso não faz com que Terra Selvagem caia no clichê. A grande sacada está justamente na forma como isso é feito. Vamos aprendendo com ela aos poucos, assim como um caçador que estuda as características de sua presa antes da caça.

Outro aspecto que merece um comentário a parte está no modo como a história é contada. Há planos bem abertos que mostram o isolamento desses personagens acostumados com tanta neve e silêncio. Em alguns momentos, uma câmera tremida demonstra a sensação de desorientação de uma personagem, enquanto em outros esse mesmo recurso funciona para aumentar a tensão em uma sequência de fuga. Estes detalhes técnicos somados a uma trilha sonora incisiva composta por Nick Cave e Warren Ellis fazem com que Terra Selvagem seja um filme envolvente do inicio ao fim.

Claro que nada disso estaria completo sem um protagonista bem desenvolvido. Corey personifica de várias formas o homem que já se tornou parte do lugar. Ele sabe como as coisas funcionam e conhece as pessoas ao seu redor. Mais importante que isso, ele também compreende a ciência por trás de uma caçada. Em duas cenas muito pontuais, por exemplo, o personagem de Jeremy Renner deixa bem claro que é um verdadeiro caçador.

Outra característica marcante dele é a forma como lida com o luto. Por estar no que se pode chamar de estágio avançado do sentimento, ele demonstra maturidade e empatia com os outros. Inclusive, isto reforça o argumento de que o filme lida com sensibilidade ao tratar de sentimentos e instintos mais humanos. E isso ocorre não só com Corey mas com todos os outros personagens que vivem em Wind River. Por esse motivo, vale lembrar que o filme se baseia em fatos reais. Aliás, não é a toa que toda sua trama misteriosa envolvendo um assassinato também serve como denúncia das dificuldades que os povos nativos americanos, principalmente as mulheres, passam há anos nos Estados Unidos.

Por conta de todos estes aspectos, Terra Selvagem pode ser definido como um ótimo filme. Não insulta a inteligência do espectador e ainda o presenteia no momento certo. Ao fim da projeção, ficam várias reflexões sobre as diferentes faces da natureza humana.

Ficha técnica:

  • Ano de lançamento: 2017  (Brasil)
  • Gênero: ação, crime, drama
  • Duração: 1h47min
  • Diretor/Roteirista: Taylor Sheridan
  • Elenco:  Jeremy Renner, Elizabeth Olsen, Julia Jones, Kelsey Asbille, entre outros.

Assista ao trailer:

Sobre Marcus Alencar

Apresentador do Leituracast, Jornalista, blogueiro e um homem de diversas paixões. Amo quadrinhos, cinema e literatura, mas não necessariamente nessa ordem. Acima de tudo, amo a forma como esses meios de comunicação conseguem produzir obras capazes de nos tirar do lugar-comum e propiciar a reflexão. No caso dos livros, destaco toda a saga de Percy Jackson nas séries de livros do escritor Rick Riordan. Não sei se foi à identificação quase que imediata com o personagem central ou fato de sempre me interessar por mitologia grega, mas o importante é que esses livros despertaram de forma mágica meu interesse pela leitura assim como outras grandes obras já fizeram o mesmo comigo em outros períodos e de formas diferentes. Enfim, ler pra mim é uma viagem especial e mágica que sempre farei com muito prazer em qualquer época da minha vida