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Cinema | Pokémon: Detetive Pikachu (2019) | Crítica

Cinema | Pokémon: Detetive Pikachu (2019) | Crítica

2019 está se mostrando como o ano dos live-action. Mas não é somente a Disney que está apostando em versões de carne e osso das suas animações. A Warner Bros. e a Legendary, em parceria com a produtora japonesa Toho Company, apostaram alto em Pokémon: Detetive Pikachu. O resultado foi um retorno nostálgico à infância, repleto de referências, mas que poderia ter sido melhor desenvolvido.

Na trama, conhecemos Tim Goodman (Justice Smith), um rapaz que, indo contra a corrente, não tem pretensões de se tornar um mestre Pokémon. Após ser avisado que seu pai, o detetive Harry Goodman, sofrera um acidente e está desaparecido, Tim vai para Ryme City, um lugar onde humanos e Pokémon vivem em sociedade. Lá, o garoto conhece o antigo parceiro de seu pai: um Pikachu falante que perdera a memória. Os dois se unem para investigar o que realmente aconteceu e se envolvem em diversos perigos.

detetive pikachu e tim goodman

A primeira coisa que precisa ser dita a respeito de Detetive Pikachu é que o filme faz a adaptação do jogo homônimo e não da série animada que se tornou popular no Brasil. A princípio, isso pode desanimar um pouco, já que não vemos diversos personagens marcantes, como Ash e seus amigos Misty e Brock. Além disso, o foco não são as batalhas de ginásio entre treinadores de Pokémon. Como o título sugere, o roteiro é voltado para uma história mais investigativa.

Mas nem por isso a produção deixa de ter inúmeras referências ao anime. Diversos Pokémon queridos pelo público fazem uma participação, seja ela rápida – como a do Charizard e do Jigglypuff – ou então mais importantes, como a do Psyduck e do Mewtwo. A aparição deste último, inclusive, é uma grande alusão ao primeiro longa animado da franquia, Pokémon: O Filme (1998). Dessa forma, a nostalgia faz seu efeito positivo nos fãs da animação.

pokemon detetive pikachu live-action

Algo que surpreende são os efeitos visuais utilizados. As versões live-action dos Pokémon estão muito bem-feitas, de modo que muitas delas são fiéis aos traços originais dos personagens, como a do protagonista, que é rica em detalhes realistas. Outros ficaram com traços mais reais, semelhantes a animais selvagens.

Quando foi anunciado que quem emprestaria a voz ao Pikachu seria o Ryan Reynolds, foi impossível não lembrar de Deadpool. Também fica difícil não associar a imagem do roedor elétrico com a do Mercenário Tagarela depois de assistir ao filme. Muitas das piadas rápidas têm certa semelhança com o tipo de comentário debochado e sagaz que o anti-herói da Marvel faria. Porém, é obvio que são muito mais leves e próprias para qualquer público.

detetive pikachu gif

Apesar das qualidades técnicas e estratégias para agradar aos admiradores da franquia, o enredo tem seus problemas, a começar pela previsibilidade. Desde o início é fácil perceber quem é o vilão, pois ele é um tipo comum com motivações corriqueiras em muitos filmes. Outra coisa que deixa a desejar são as cenas de ação, as quais não empolgam nem impressionam. Entretanto, o que realmente incomoda é a falta de carisma de Tim Goodman. Não conseguimos criar identificação com o rapaz, que é explorado superficialmente ainda que haja indícios de uma relação difícil com o pai.

Vale ressaltar que Pokémon: Detetive Pikachu tem um apelo comercial maior às crianças, o que pode explicar essa falta de atenção com alguns pontos do roteiro. Mesmo assim, a experiência vale a pena graças à sensação de vermos personagens tão queridos de forma realista e à nostalgia que sentimos ao vê-los.

Ficha Técnica:

  • Data de lançamento: 9 de maio de 2019
  • Duração: 1h45min
  • Direção: Rob Letterman
  • Gênero: aventura, ação, adaptação de games
  • Elenco: Ryan Reynolds (Pikachu), Justice Smith (Tim Goodman), Kathryn Newton (Lucy Stevens), Billy Nighy (Howard Clifford), Ken Watanabe (Hide Yoshida), entre outros.

Assista ao trailer:

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Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.