Cinema | Mulher-Maravilha  | Crítica

Cinema | Mulher-Maravilha | Crítica

Existem certos heróis dos quadrinhos que são facilmente reconhecidos mesmo entre o público leigo. Entre esses, podemos citar Batman e Superman. Um dos principais motivos disso acontecer é a força que eles representam enquanto ícones da cultura pop. Não é toa que ambos já tiveram suas histórias adaptadas para várias mídias. Mas esses personagens não são únicos. Faltava uma heroína que há décadas merecia ganhar um filme solo: a Mulher-Maravilha.

Com a direção de Patty Jenkins e roteiro de Allan Heinberg, Mulher-Maravilha apresenta ao público a origem da heroína que forma a trindade da DC Comics. Na trama, conhecemos Diana (Gal Gadot) que desde criança vive com as amazonas na ilha grega de Themyscira de onde nunca saiu. Tudo muda quando o piloto Steve Trevor (Chris Pine) se acidenta e cai numa praia do local. Graças a isso, ela descobre que uma guerra sem precedentes está se espalhando pelo mundo e decide deixar seu lar certa de que pode parar o conflito. Lutando para acabar com todas as lutas, Diana percebe o alcance de seus poderes e sua verdadeira missão na Terra.

Partindo do pressuposto que um primeiro filme deva ser didático ao contextualizar o universo de seus personagens, é de se esperar que recebamos todas as informações necessárias. Um exemplo disso é a forma como logo de inicio vamos conhecendo todo o lado mitológico envolvendo a origem das amazonas além da premissa que envolve o principal vilão de Mulher-Maravilha. Nesse sentido, o roteiro é claro o suficiente até mesmo para o público leigo. Infelizmente, nessa mesma sequência há um furo envolvendo a introdução de Steve Trevor na trama. É uma pena pois isso dificilmente passa desapercebido e prejudica uma ótima apresentação.

Outro detalhe importante é a forma como o filme trabalha o contraste entre mundos. No começo, a beleza de Themyscira enche os olhos com tanta cor e vivacidade. Isso é logo deixado de lado quando a protagonista viaja com Steve para Londres. Quando ambos chegam à capital britânica, o que se encontra é um visual sujo e sombrio. E o mesmo conflito que se dá visualmente também acontece a medida que os dois vão se conhecendo. O mais interessante disso tudo é que essas diferenças enfatizam a personalidade dos dois. Enquanto ele é mais pessimista, ela carrega consigo muita ingenuidade e uma certa dose de esperança. Fica o destaque para as cenas que demonstram essas características.

Sobre as cenas de ação, é de se admirar a grandiosidade de várias delas. A coreografia é certeira assim como a trilha que acompanha cada luta. Certamente, esses detalhes deixam a experiência ficar mais empolgante. Um exemplo disso pode ser encontrado nas sequências contra os alemães durante a Primeira Guerra Mundial. Aliás, uma curiosidade a respeito disso é que nas HQs originais a personagem luta na Segunda Guerra Mundial. Apesar disso, essa mudança não afeta de forma negativa o roteiro.

Falando em mudanças, é preciso alertar o público sobre uma grande virada relacionada ao vilão deste filme. Alguns fãs de Marvel pode provavelmente ficar receosos no primeiro momento por conta de um recurso que lembra muito o que foi feito em Homem de Ferro 3. No entanto, esse receio é apenas inicial já que a forma como o vilão se desenvolve é satisfatória e interessante. Por questão de spoiler, não posso entrar em detalhes mas asseguro que nesse quesito Mulher-Maravilha não decepciona.

Enfim, se você tem grandes expectativas quanto à primeira aventura solo dela pode assistir com segurança. O risco de decepção é minimo. Em outras palavras, Mulher-Maravilha chegou e veio para ficar na histórias de adaptações de quadrinhos para o cinema.

Ficha técnica:

  • Lançamento: 1 de junho de 2017;
  • Duração: 2h 21min;
  • Elenco: Gal Gadot, Chris Pine, Connie Nielsen, Robin Wright, Danny Huston, Elena Anaya, entre outros.
  • Direção: Patty Jenkins
  • Roteiro: Allan Heinberg

Assista o trailer:

Sobre Marcus Alencar

Apresentador do Leituracast, Jornalista, blogueiro e um homem de diversas paixões. Amo quadrinhos, cinema e literatura, mas não necessariamente nessa ordem. Acima de tudo, amo a forma como esses meios de comunicação conseguem produzir obras capazes de nos tirar do lugar-comum e propiciar a reflexão. No caso dos livros, destaco toda a saga de Percy Jackson nas séries de livros do escritor Rick Riordan. Não sei se foi à identificação quase que imediata com o personagem central ou fato de sempre me interessar por mitologia grega, mas o importante é que esses livros despertaram de forma mágica meu interesse pela leitura assim como outras grandes obras já fizeram o mesmo comigo em outros períodos e de formas diferentes. Enfim, ler pra mim é uma viagem especial e mágica que sempre farei com muito prazer em qualquer época da minha vida

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