Cinema | Homem-Aranha: De Volta ao Lar (2017) | Crítica

Cinema | Homem-Aranha: De Volta ao Lar (2017) | Crítica

Desde 2016, em sua aparição em Capitão América: Guerra Civil, os fãs do cabeça-de-teia aguardam pelo seu filme solo que consolidaria sua entrada no universo cinematográfico da Marvel de uma vez por todas. Agora a espera finalmente chegou ao fim com Homem-Aranha: De Volta ao Lar (2017), dirigido por Jon Watts.

A trama nos mostra um Peter Parker/Homem-Aranha (Tom Holland) adolescente, com apenas 15 anos. Após a batalha no aeroporto em Guerra Civil, o garoto volta para sua vida normal ansiando pelo momento em que sua ajuda será solicitada novamente. Enquanto isso, ele se contenta impedindo crimes pequenos no seu bairro. Porém as coisas mudam quando ele se depara com o Abutre (Michael Keaton) e seu grupo roubando tecnologia alienígena para produzir novas armas e vendê-las nas ruas. Disposto a enfrentar essa nova ameaça sozinho, o jovem herói fará o que estiver ao seu alcance para deter o vilão e impressionar o seu “padrinho” Homem de Ferro (Robert Downey Jr).

Dessa vez somos apresentados a uma versão do Aranha que ainda não havia sido explorada nos cinemas: um rapaz inexperiente que está aprendendo a lidar com seus poderes e a responsabilidade que vem com eles. Diferentemente das personalidades anteriores do herói, este Peter não conta com as sábias palavras de seu tio Ben para contribuir com seu amadurecimento. Essa figura mais velha que serve como exemplo fica a cargo de Tony Stark que, notoriamente, não é um grande modelo a ser seguido, mas desempenha bem o papel.

Inclusive a presença do vingador no longa gerou algumas discussões antes da estreia. Muito se falou sobre o risco de o Homem de Ferro roubar o protagonismo, entretanto isso não acontece em nenhum momento. A presença dele é suficiente apenas para entendermos até onde se estende a sua influência sobre Parker e como o garoto baseia suas escolhas no que o seu mentor pensa, seja para contrariá-lo ou para seguir os seus conselhos.

Outros personagens contribuem para o desenvolvimento do protagonista, como sua tia May (Marisa Tomei) e até mesmo Happy Hogan (Jon Favreau). Ambos veem Peter como um adolescente passando por sua fase de rebeldia quando, na verdade, ele está dividido entre viver como uma pessoa normal e ser um herói com quem outras pessoas podem contar. Mesmo assim, todas essas situações são apresentadas com muito senso de humor, especialmente os momentos com seu amigo de colégio Ned (Jacob Batalon). Essa característica torna o filme muito leve e prazeroso de se ver até o final.

Mais um ponto positivo foi a caracterização do vilão. Enquanto nas animações o Abutre era uma figura bizarra e quase caricata, sua adaptação para o cinema lhe deu uma roupagem mais tecnológica que se mostrou muito mais convincente para sua aceitação. Os efeitos especiais e as cenas de ação também são bem executados, divertindo e empolgando na medida certa.

Assim, Homem-Aranha: De Volta ao Lar é uma produção que os fãs podem assistir sem medo de se decepcionar, pois a essência do personagem foi mantida. Além disso, agora ele está oficialmente no mesmo universo dos Vingadores onde, sem dúvidas, iremos reencontrá-lo muitas vezes. E quem tiver paciência para ficar até o final, vai se deparar com uma das melhores cenas pós-crédito da Marvel.

Ficha técnica:

  • Data de lançamento: 6 de julho de 2017;
  • Duração: 2h15min
  • Gênero: Ação e aventura, filme de super heróis;
  • Direção: Jon Watts;
  • Elenco: Tom Holland (Peter Parker/Homem-Aranha), Michael Keaton (Abutre), Robert Downey Jr (Tony Stark/Homem de Ferro), Marisa Tomei (tia May), Jon Favreau (Happy Hogan), Jacob Batalon (Ned Leeds), Laura Harrier (Liz Allan).

Assista ao trailer:

Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.