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Cinema | Em Ritmo de Fuga (2017) | Crítica

Cinema | Em Ritmo de Fuga (2017) | Crítica

Filmes de ação normalmente sofrem daquela fórmula clichê “tiro, porrada e bomba”. Por esse motivo, se destacam aqueles que conseguem inovar contando uma história envolvente e livre (ou quase) dos clichês de sempre. Em Ritmo de Fuga é este exemplo em uma indústria saturada de heróis “duro de matar”. Na trama, conhecemos Baby (Ansel Elgort), um jovem que tem uma mania curiosa: precisa ouvir músicas o tempo todo como forma de silenciar o zumbido que perturba seus ouvidos desde um acidente na infância. Excelente motorista, ele é o piloto de fuga oficial dos assaltos de Doc (Kevin Spacey), mas não vê a hora de deixar o cargo, principalmente depois que se vê apaixonado pela garçonete Debora (Lily James).

Com direção e roteiro de Edgar Wright, o filme surpreende logo nos minutos iniciais com uma sequência frenética de perseguição de carros embalada por uma trilha sonora cuidadosamente escolhida. Desse modo, o público percebe que esta não será uma aventura qualquer. Nada é óbvio ou simplesmente aleatório. Baby sabe o que está fazendo a todo momento. É curioso como nessa rápida apresentação de personagem, o grupo de ladrões formado por Griff (Jon Bernthal, de O Justiceiro), Buddy (Jon Hamm) e Darling (Eiza González) representam o espectador reagindo as manobras do jovem motorista.

Sobre o protagonista, vale um comentário a parte sobre a escolha de um ator tão novo (23 anos) para este papel. O Baby de Ansel Elgort vende muito bem a ideia de alguém deslocado, mesmo estando há muito tempo no mundo do crime e lidando com pessoas que podem ser consideradas criminosos profissionais. Sua segurança na hora de interagir com tipos tão perigosos também é outro ponto que chama muito a atenção. Em alguns momentos, chega a ser uma pena não ter mais cenas dele com outros bandidos.

Mas a marca registrada de Em Ritmo de Fuga não está na ação frenética. Seu diferencial vem da forma como a música trabalha harmoniosamente com a história que está sendo contada, seja em momentos de tensão ou de romance. Nesse sentido, vale uma breve comparação com Guardiões da Galáxia já que em ambas produções os protagonistas constroem uma relação afetiva com a música. No caso de Baby, isto ocorre de forma até mais intensa. Em alguns momentos, é como se o som de qualquer item de sua playlist fosse seu oxigênio. Sem música, é preciso frear.

Por outro lado, apesar de tantos pontos positivos, Em Ritmo de Fuga está longe de ser um filme perfeito. Este é o caso de Doc, que poderia ser melhor desenvolvido. Ele serve como uma espécie de antagonista principal, mas perde força com uma decisão totalmente destoante do que vinha sendo apresentado até então. Seria bem melhor se pudéssemos conhecer mais de seu personagem além do que o roteiro considera como apenas o necessário.

 

Enfim, se você procura um respiro em meio a tantas produções parecidas no cinema, Em Ritmo de Fuga certamente atenderá seu pedido. Mesmo que não inove totalmente, ele ainda se destaca por entregar uma aventura de qualidade.

Ficha técnica:

  • Ano de lançamento: 2017  (Brasil)
  • Gênero: ação, crime, drama
  • Duração: 1h52min
  • Diretor/Roteirista: Edgar Wright
  • Elenco: Ansel Elgort, Jon Bernthal, Jon Hamm, Kevin Spacey, Lily James.

Assista ao trailer:

Sobre Marcus Alencar

Apresentador do Leituracast, Jornalista, blogueiro e um homem de diversas paixões. Amo quadrinhos, cinema e literatura, mas não necessariamente nessa ordem. Acima de tudo, amo a forma como esses meios de comunicação conseguem produzir obras capazes de nos tirar do lugar-comum e propiciar a reflexão. No caso dos livros, destaco toda a saga de Percy Jackson nas séries de livros do escritor Rick Riordan. Não sei se foi à identificação quase que imediata com o personagem central ou fato de sempre me interessar por mitologia grega, mas o importante é que esses livros despertaram de forma mágica meu interesse pela leitura assim como outras grandes obras já fizeram o mesmo comigo em outros períodos e de formas diferentes. Enfim, ler pra mim é uma viagem especial e mágica que sempre farei com muito prazer em qualquer época da minha vida