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Cinema | Em Algum Lugar do Passado | Crítica COM SPOILERS

Cinema | Em Algum Lugar do Passado | Crítica COM SPOILERS

No início dos anos 80, um filme mostrou como o amor pode motivar uma viagem no tempo. Essas palavras definem um pouco do que é Em Algum Lugar do Passado que mesmo não tendo feito sucesso na época em que foi lançado se tornou um clássico cult ao longo dos anos. Não só isso como serviu de inspiração para outras obras que misturam com equilíbrio romance, drama e ficção cientifica.

Na trama, conhecemos Richard Collier (Christopher Reeve), um autor de teatro que conhece na noite de estreia da sua primeira peça uma senhora idosa (Susan French) que lhe dá um antigo relógio de bolso e diz: “volte para mim“. Ela se retira sem nada mais a dizer, deixando-o intrigado. Oito anos depois, ele não consegue terminar sua nova peça e decide viajar sem destino certo. No caminho, se hospeda no Grand Hotel. Lá visita o Salão Histórico, um lugar repleto de antiguidades, e fica encantado com a fotografia de uma bela mulher, Elise McKenna (Jane Seymour), que descobre ser a mesma que lhe deu o relógio. Obcecado em reencontrá-la, ele decide viajar no tempo com uso de técnicas de hipnose.

Christopher Reeve em cena de Em Algum Lugar do Passado

Mesmo se tratando de uma história romântica e fantasiosa, alguns enigmas de Em Algum Lugar do Passado são deixados para pensarmos com calma depois que nos encantamos com a jornada dos personagens. Esse é o caso da origem do relógio de Elise. Ela o deu a Richard pois o recebeu dele quando era jovem, criando assim um paradoxo proposital no enredo. Em outras palavras, um claro exemplo do paradoxo de bootstrap, em que as informações ou objetos podem existir sem terem sido criados. Para mais informações sobre isso, recomendo o artigo A ciência por trás das histórias sobre viagem no tempo.

Inclusive sobre a viagem si, é importante ressaltar que Em Algum Lugar do Passado não se apressa em mostrar logo a mudança de período temporal. Isso acontece porque não há o uso de qualquer tipo de tecnologia, o que tornaria tudo provavelmente um pouco mais rápido. Por isso, o caminho utilizado é mais próximo da realidade, mesmo não deixando de lado o aspecto fantástico. Afinal, antes de descobrir como utilizar a hipnose para atingir seu objetivo, Richard percorre toda uma jornada de investigações a respeito da misteriosa senhora. É juntando as peças desse enigmático quebra-cabeça que ele reencontra um antigo professor de faculdade, Dr. Gerald Finney (George Voskovec), que também é o autor do livro “Travels Through Time”.

capa do livro do Dr. Gerald Finney em Em Algum Lugar do Passado

Sobre essa publicação, vale destacar algumas curiosidades. A primeira é que se trata de uma obra fictícia que serve como homenagem ao escritor Jack Finney, autor de obras que também trabalham a temática de viagem no tempo como por exemplo “Time and Again” (1970), “About Time: 12 Short Stories” (1986) e “From Time to Time” (1995). Essa referência não é surpresa quando descobrimos que o roteiro de Em Algum Lugar do Passado é de Richard Matheson, autor do livro “Bid Time Return” (1975) no qual o filme se baseia.

Detalhes curiosos a parte, agora é hora de falar sobre as qualidades técnicas. Além das atuações marcantes do casal vivido por Christopher Reeve e Jane Seymour, outras características do filme marcaram a experiência do público. Composta e conduzida por John Barry, a trilha sonora com notas de música clássica cria uma atmosfera romântica perfeita para a história de Richard e Elise desde o primeiro encontro até o último. Já a fotografia de Isidore Mankofsky marca os diferentes períodos de tempo, como uma luz com tom mais forte e acentuado no presente e leve no passado. 

Em Algum Lugar do Passado fotografia

 

Infelizmente, esse conjunto de fatores positivos não foram suficientes para tornar Em Algum Lugar do Passado um sucesso imediato. No entanto, por conta de reprises em canais fechados e o fato de ter sido muito alugado em videolocadoras, o filme ganhou o status de clássico cult e referência para obras românticas com viagens no tempo. Como se isso não fosse o bastante, tornou-se também um exemplo de como nem mesmo as barreiras do tempo podem impedir a existência de uma história de amor.

Ficha técnica:

  • Ano de lançamento: 5 de fevereiro de 1981
  • Duração: 1h43min
  • Gênero: drama, romance
  • Direção e roteiro: Jeannot Szwarc e Richard Matheson
  • Elenco: Christopher Reeve (Richard Collier), Jane Seymour (Elise McKenna), Christopher Plummer (William Fawcett Robinson), George Voskovec (Dr. Gerald Finney), entre outros.

Assista ao trailer:

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Sobre Marcus Alencar

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Apresentador do Leituracast, Jornalista, blogueiro e um homem de diversas paixões. Amo quadrinhos, cinema e literatura, mas não necessariamente nessa ordem. Acima de tudo, amo a forma como esses meios de comunicação conseguem produzir obras capazes de nos tirar do lugar-comum e propiciar a reflexão. No caso dos livros, destaco toda a saga de Percy Jackson nas séries de livros do escritor Rick Riordan. Não sei se foi à identificação quase que imediata com o personagem central ou fato de sempre me interessar por mitologia grega, mas o importante é que esses livros despertaram de forma mágica meu interesse pela leitura assim como outras grandes obras já fizeram o mesmo comigo em outros períodos e de formas diferentes. Enfim, ler pra mim é uma viagem especial e mágica que sempre farei com muito prazer em qualquer época da minha vida