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Cinema | Durante a Tormenta (2018) | Crítica sem spoilers

Cinema | Durante a Tormenta (2018) | Crítica sem spoilers

De uns tempos para cá, as produções espanholas vêm chamando a atenção graças às suas tramas criativas e envolventes, seja nos filmes ou nas séries de TV. No cinema, uma das obras que se destaca por esse motivo é Durante a Tormenta (2018). O longa distribuído pela Netflix no Brasil é mais um bom exemplo de como se conta uma história sobre viagem no tempo combinando ficção científica e suspense na dose certa.

Durante uma tempestade elétrica, um fenômeno inesperado acontece e duas épocas diferentes se conectam. Graças a isso, Vera Roy (Adriana Ugarte), uma mulher que vive no presente com sua filha e seu marido, consegue impedir a morte de um menino que morava na sua casa em 1989. Essa alteração no passado modifica a vida de Vera completamente, despertando-a em uma realidade onde ela nunca conheceu o marido, David Ortiz (Álvaro Morte, mais conhecido como o Professor em La Casa de Papel), e consequentemente sua filha nunca nasceu.

durante a tormenta alvaro morte e adriana ugarte

Quem se lembrar de Alta Frequência (2000) logo perceberá que essa não é uma premissa original. Nos dois longas, a tempestade é o que possibilita a comunicação entre presente e passado. A diferença real está nos equipamentos por meio dos quais isso é realizado e também no contexto de cada obra. O que Durante a Tormenta faz é dar uma roupagem atualizada aos seus personagens do tempo presente enquanto a produção estrelada por Jim Caviezel se passa no final dos anos 90.

O filme espanhol também tenta dar uma explicação científica simplificada para o que é apresentado, baseando-se em alguns conceitos elaborados por físicos e teóricos de viagens no tempo. O principal deles é que essa conexão entre as duas épocas tenha sido realizada por um buraco de minhoca que permitiu a troca de informações entre o passado e o futuro. Já as consequências desastrosas na vida da protagonista ao modificar o que já aconteceu representam bem o efeito borboleta e a Teoria do Caos.

durante a tormenta vera roy

O roteiro utiliza bem essas ideias, por mais que algumas coisas sejam previsíveis. O acerto da trama está em não tentar ser mais complexa que o necessário dentro de suas duas horas e oito minutos de duração. Podemos diferenciar facilmente uma cena ambientada no passado de outra que se passa no presente através de uma sutil mudança na paleta de cores. Além disso, o diretor e roteirista Oriol Paulo soube criar momentos de suspense e tensão durante o desenrolar da película que a retiram do lugar-comum da ficção científica.

durante a tormenta Javier Gutierrez

Durante a Tormenta pode não ser inovador ou revolucionário dentro das narrativas sobre viagem no tempo, mas cria uma situação instigante que prende a nossa atenção do começo ao fim, apresentando um desfecho satisfatório e um argumento bom o bastante para que compremos a história. Apenas isso já faz com que a produção espanhola supere muitas obras de Hollywood.

Ficha técnica:

  • Ano de lançamento: 30 de novembro de 2018
  • Duração: 2h08min
  • Gênero: suspense, drama, ficção científica
  • Direção e roteiro: Oriol Paulo
  • Elenco: Adriana Ugarte (Vera Roy), Álvaro Morte (David Ortiz), Chino Darín (inspetor Leyra), Javier Gutiérrez (Ángel Prieto), entre outros.

Assista ao trailer:

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Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.