Cinema | Doutor Estranho | Crítica

Cinema | Doutor Estranho | Crítica

O universo cinematográfico da Marvel nunca esteve tão bem representado nos cinemas como agora. Aliás, depois de Doutor Estranho é bem provável que as coisas sejam bem diferentes de agora em diante. O filme nos apresenta Stephen Strange (Benedict Cumberbatch), um neurocirurgião bem sucedido e arrogante. Sua vida muda completamente quando sofre um acidente de carro e fica com as mãos debilitadas. Em busca de cura, ele parte para um lugar inesperado e misterioso chamado Kamar-Taj, localizado em Katmandu. Lá descobre que o local não é apenas um centro medicinal, mas também a linha de frente contra forças malignas místicas que desejam destruir nossa realidade. Ele passa a treinar e adquire poderes mágicos, mas precisa decidir se vai voltar para sua vida comum ou defender o mundo.

Com a responsabilidade de apresentar o lado místico da editora nos cinemas, o diretor Scott Derrickson (A Entidade 2, 2015) consegue realizar esta missão sem dificuldade. Uma prova disso está na forma como as cenas que envolvem efeitos especiais são utilizadas. Toda as sequências das viagens entre dimensões transformam a experiência em uma “loucura” visual. Não é a toa que em vários momentos o espectador acaba sendo surpreendido com tantos detalhes surgindo pela tela. Torna-se inclusive um desafio reparar em todas as referências possíveis não só visualmente, mas conceitualmente. Sobre isso, vale ressaltar como o 3D é importante do ponto de vista narrativo.

Inicialmente, o Doutor Estranho é um guia para este mundo de projeções astrais, feitiços e magias. Tudo graças ao devido treinamento dado pela Anciã (Tilda Swinton) e os Mestres Mordo (Chiwetel Ejiofor) e Wong (Benedict Wong), cada um agregando caminhos diferentes para a trama como um todo. Nesse sentido, é necessário falar sobre a questão da adaptação dos primeiros personagens tendo em vista que ambos no material original são bem diferentes. Neste filme, assim como em muitos outros do mesmo tipo, percebe-se que o simples fato de mudar a etnia de um personagem ou o seu sexo não o enfraquece de forma alguma. Parte disso se deve ao roteiro escrito por um time variado de roteiristas e ao talento do elenco escolhido.

Infelizmente, o filme também sofre de um grande mal das produções Marvel: o vilão. De certo modo, o Kaecilius de Mads Mikkelsen acaba sendo produto da mesma fórmula de quase todas produções do estúdio, ou seja, é uma versão do mal do herói. É uma pena se levarmos em consideração o talento do ator conhecido pelo grande público pela série Hannibal. Por outro lado, tanto os fãs do Doutor Estranho como aqueles que estão conhecendo o personagem agora podem respirar aliviados. Benedict Cumberbatch brilha no papel como se já o estivesse interpretando há muito mais tempo. Prova disso está no modo como o seu Stephen Strange se desenvolve bem sem parecer forçado em nenhum momento.

A respeito do seu desenvolvimento, vale destacar mais um ponto o qual o roteiro retrata de forma muito sincera: a fragilidade de Strange. Para entender a importância desse detalhe vale a pena resgatar a essência do material original de cada personagem criado pela Marvel que é a proximidade com o público. Desde a criação da editora, conhecida como “A Casa das Idéias”, até os dias de hoje sempre foi importante criar personagens com características e vivências mais humanas. Por esse motivo, temos histórias que abordam temas como alcoolismo (Homem de Ferro), responsabilidade (Homem-Aranha), preconceito (X-Men), entre muitos outros exemplos. Desse modo, é interessante como somos lembrados em vários momentos da fragilidade do Doutor Estranho, ao mesmo tempo tão poderoso e humano. Por fim, fica agora a torcida e também a expectativa para saber como será sua interação com outros elementos desse universo fantástico tão rico e variado.

Ficha técnica:

  • Lançamento: 3 de novembro de 2016;
  • Duração: 2h014min;
  • Elenco:  Benedict Cumberbatch (Stephen Strange/Doutor Estranho), Chiwetel Ejiofor (Mestre Mordo), Tilda Swinton (A Anciã), Rachel McAdams (Christine Palmer), Mads Mikkelsen (Kaecilius)
  • Direção: Scott Derrickson;
  • Roteiro: Roteiro: C. Robert Cargill , Jon Spaihts , Jon Spaihts , Joshua Oppenheimer , Joshua Oppenheimer , Scott Derrickson , Thomas Dean Donnelly , Thomas Dean Donnelly;

Assista ao trailer:

 

Sobre Marcus Alencar

Apresentador do Leituracast, Jornalista, blogueiro e um homem de diversas paixões. Amo quadrinhos, cinema e literatura, mas não necessariamente nessa ordem. Acima de tudo, amo a forma como esses meios de comunicação conseguem produzir obras capazes de nos tirar do lugar-comum e propiciar a reflexão. No caso dos livros, destaco toda a saga de Percy Jackson nas séries de livros do escritor Rick Riordan. Não sei se foi à identificação quase que imediata com o personagem central ou fato de sempre me interessar por mitologia grega, mas o importante é que esses livros despertaram de forma mágica meu interesse pela leitura assim como outras grandes obras já fizeram o mesmo comigo em outros períodos e de formas diferentes. Enfim, ler pra mim é uma viagem especial e mágica que sempre farei com muito prazer em qualquer época da minha vida

  • Eduarda Lima

    Adorei a resenha. Agora preciso mesmo assistir ao filme o quanto antes!!!

    • Oi Duda, muito obrigado pelo seu comentário e por ter lido o texto. Assista mesmo pois você não vai se arrepender.