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Cinema | Caça aos Gângsteres (2013) | Crítica

Cinema | Caça aos Gângsteres (2013) | Crítica

Em alguns casos, comparar um filme com outros e até mesmo achar seu estilo parecido com o de algum diretor famoso pode parecer uma forma de diminuí-lo ou minimizar sua qualidade chamando-o de pouco original. Porém, em outros casos, isso também pode ser uma forma de homenagem misturada com estilo próprio, o que gera um resultado final satisfatório. Esse é o caso de Caça aos Gângsteres, dirigido por Ruben Fleischer com roteiro de Willl Beall.

Na trama, que se passa na década de 1940, conhecemos Mickey Cohen (Sean Penn), um ex-pugilista e agora chefão da máfia de Los Angeles. Seus domínios na cidade se estendem a várias camadas do crime como drogas, armas, prostituição e jogos de cassino. Além disso, tem grande parte da polícia e dos políticos sob seu controle mas tudo muda quando um grupo secreto liderado pelo Sargento John  O´Mara (Josh Brolin) é organizado para libertar a cidade das garras do mafioso.

Para a grande maioria do público, é inevitável não olhar para este grupo e lembrar um pouco de Bastardos Inglórios. Se no filme de Tarantino temos caçadores de nazistas, aqui temos um esquadrão formado para acabar com as atividades ilegais de Cohen. Outro detalhe é a figura do líder, que no caso de ‘Bastardos‘ ganha muito mais desenvolvimento em comparação aos outros membros da sua equipe. Em Caça aos Gângsteres, mesmo com a figura de John comandando seus parceiros a gente tem a oportunidade de conhecer um pouco mais desses policiais carismáticos de personalidades distintas e bem definidas

Nesse sentido, vale destacar também a atuação de Ryan Gosling (La La Land – Cantando Estações) como Jerry Wooters. Embora pareça um alivio cômico durante grande parte do filme, logo percebemos as camadas do seu personagem,  principalmente após um tiroteio que tira a vida de uma criança. Esse momento serve como uma transformação, embora tardia, para que ele se junte ao grupo. Seu desconcerto diante do caos e a forma como se desfaz do seu lado boêmio mostram essa mudança de várias formas. É uma motivação que nasce da tragédia pessoal. E, mais uma vez, percebe-se um outro elemento “tarantinesco” por assim dizer já que em Django Livre, a vingança é o grande elemento que surge no contexto social e político retratado.

Sobre o esquadrão como um todo, trata-se de “um personagem” muito interessante. Prova disso é a quimica entre eles tão bem trabalhada em cada cena. Infelizmente, a execução do último ato desse grupo perde força com uma descartável cena envolvendo um tiroteio direto entre John e Mickey. Se o mesmo momento antecede o confronto final, então por que exagerar tanto na estilização com uma câmera lenta cuja única função é mostrar a destruição de uma mesa com enfeites de natal? Além da utilização de frases de efeito batidas, a sequência toda acaba sendo estragada por causa disso.

Apesar deste detalhe, Caça aos Gângsteres é um filme que vale a pena. Com um bom ritmo, uma ótima ambientação de época, personagens interessantes e com carisma, dificilmente você terá a sensação de tempo perdido ao final da projeção.

Ficha técnica:

  • Lançamento: 1 de fevereiro de 2013;
  • Duração: 1h53min;
  • Gênero: Suspense/Policial
  • Elenco: Josh Brolin, Ryan Gosling,  Sean Penn, Emma Stone, entre outros;
  • Direção: Ruben Fleischer
  • Roteiro: Willl Beall

Assista ao trailer:

Sobre Marcus Alencar

Apresentador do Leituracast, Jornalista, blogueiro e um homem de diversas paixões. Amo quadrinhos, cinema e literatura, mas não necessariamente nessa ordem. Acima de tudo, amo a forma como esses meios de comunicação conseguem produzir obras capazes de nos tirar do lugar-comum e propiciar a reflexão. No caso dos livros, destaco toda a saga de Percy Jackson nas séries de livros do escritor Rick Riordan. Não sei se foi à identificação quase que imediata com o personagem central ou fato de sempre me interessar por mitologia grega, mas o importante é que esses livros despertaram de forma mágica meu interesse pela leitura assim como outras grandes obras já fizeram o mesmo comigo em outros períodos e de formas diferentes. Enfim, ler pra mim é uma viagem especial e mágica que sempre farei com muito prazer em qualquer época da minha vida