Cinema | Batman – O Cavaleiro das Trevas (2008) | Crítica

Cinema | Batman – O Cavaleiro das Trevas (2008) | Crítica

Em primeiro lugar, é difícil falar sobre este filme sem mencionar a tão comentada atuação do ator Heath Ledger no papel do Coringa. E isso ocorre por vários motivos. Seu personagem tem um humor sádico, negro e imprevisível assim como suas ações que, como o próprio diz, não seguem nenhum plano pré-determinado. Um personagem completo e muito bem representado na tela. Nesse sentido, até esquecemos de certo modo a primeira adaptação do Batman no qual o papel de Coringa pertencia ao ator Jack Nicholson.

O mais importante de tudo não é simplesmente falar do Coringa e sim como a inserção desta figura dá o tom da história. Em Batman Begins tivemos toda a explicação que levou Bruce Wayne (Christian Bale) a se tornar o vigilante mascarado de Gotham. Já nesta continuação chamada de O Cavaleiro das Trevas temos os efeitos das suas ações na cidade, algo que fica muito bem claro em um diálogo dele com Alfred (Michael Caine) que cita de certo modo a terceira lei de Newton que diz que ``A toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade.“

Mas, vale ressaltar que no caso do filme também fica clara a intenção de ir além disso pois mesmo que o trio formado por Batman, o promotor público Harvey Dent (Aaron Eckhart) e Comissário Gordon (Gary Oldman) procure sempre ser a representação da ordem na cidade, o caos criado pelo Coringa os empurra para ir além dos limites entre o bem e o mal. Por esse motivo, não é toa que ele tenta corromper Harvey justamente por esse ser considerado o Cavaleiro Branco de Gotham. No caso de Batman, a situação acaba levando ele a ultrapassar certos limites éticos para fazer a coisa certa. Nesse sentido vale citar algumas frases muito interessantes neste filme que tem vários momentos marcantes:

“Ou se morre como herói, ou vive-se o bastante para se tornar o vilão.“

“A loucura é como a gravidade, só precisa de um empurrãozinho.”

“Alguns homens não procuram nada lógico como o dinheiro.

Eles não são compráveis, ameaçáveis razoáveis ou negociáveis.

Alguns homens só querem ver o circo pegar fogo.”

Por conta disso, a discussão em torno de questões como essas fazem com que Cavaleiro das Trevas seja uma produção diferenciada. Isso ocorre por causa dos tons de cinza de cada personagem ali dirigido por Christhoper Nolan que, mesmo seguido vários elementos dos quadrinhos, sempre fez questão de colocar a sua visão dos personagens. Por esse motivo, é que seus filmes vão muito além do que se pode chamar de adaptação de quadrinho ou filme de super-herói.

Um detalhe interessante é o fato do titulo deste filme ser o mesmo da mini-série escrita por Frank Miller na década de 1980. Trata-se de uma obra que é considerada um dos maiores trabalhos produzidos para histórias em quadrinhos ao lado de outras como Watchmen, de Alan Moore e Sandman de Neil GaimanCuriosamente, a história do filme faz referência a outra grande história dos quadrinhos: A Piada Mortal , de Alan Moore e ilustrada por Brian Bolland. 

Enfim, é inevitável dizer que a qualidade de Batman – O Cavaleiro das Trevas fez com que ele não fosse apenas um marco nas adaptações de quadrinhos. Tornou-se um exemplo para que outras produções deste sub-gênero tratassem seu material com mais seriedade. 

Ficha técnica:

  • Data de lançamento (no Brasil): 18 de julho de 2008
  • Gênero: Ação
  • Elenco: Christian Bale, Heath Ledger, Aaron Eckhart, Gary Oldman, Michael Caine,Maggie Gyllenhaal, Morgan Freeman, Cillian Murphy, entre outros ;
  • Direção:  Christopher Nolan
  • Roteiro: Jonathan Nolan, Christopher Nolan e David S. Goyer

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Sobre Marcus Alencar

Apresentador do Leituracast, Jornalista, blogueiro e um homem de diversas paixões. Amo quadrinhos, cinema e literatura, mas não necessariamente nessa ordem. Acima de tudo, amo a forma como esses meios de comunicação conseguem produzir obras capazes de nos tirar do lugar-comum e propiciar a reflexão. No caso dos livros, destaco toda a saga de Percy Jackson nas séries de livros do escritor Rick Riordan. Não sei se foi à identificação quase que imediata com o personagem central ou fato de sempre me interessar por mitologia grega, mas o importante é que esses livros despertaram de forma mágica meu interesse pela leitura assim como outras grandes obras já fizeram o mesmo comigo em outros períodos e de formas diferentes. Enfim, ler pra mim é uma viagem especial e mágica que sempre farei com muito prazer em qualquer época da minha vida