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Cinema | Batman Eternamente (1995) | Crítica

Cinema | Batman Eternamente (1995) | Crítica

De forma irônica, Batman Eternamente ficará pra sempre lembrado como um filme ruim de super-herói. Com um tom leve e totalmente distante do caráter sombrio dos quadrinhos, o filme marcou época por apresentar versões caricatas de dois grandes vilões além de introduzir um novo herói neste novo capíttulo da filmografia do Batman.

Na trama, Batman (Val Kilmer) percorre as ruas de Gothan pronto para defender a lei contra qualquer tipo de ameaça, mas agora o perigo vem em dobro. Quem surge para aterrorizar a cidade é o vilão Duas Caras (Tommy Lee Jones) que conta com a sorte para se vingar do herói e o Charada (Jim Carrey), um gênio criminoso cheio de truques e ideias “diabólicas”. Juntos, querem descobrir a identidade secreta do Homem Morcego e destruí-lo. Para derrotá-los, ele conta com a ajuda da irresistível Dra. Chase Meridian (Nicole Kidman), psicóloga especialista em duplas personalidades, e do jovem acrobata que se transforma em seu novo parceiro, Robin (Chris O’Donnell).

Com um elenco estrelado, mudanças na direção (sai Tim Burton e entra Joel Schumacher) e um novo rosto para interpretar o protagonista o filme tinha novamente a oportunidade de consertar erros do passado. Ao invés disso, falhou em tentar contar uma boa história e só conseguiu divertir razoavelmente o público. Por esse motivo, é mais fácil ver Batman Eternamente como uma comédia no melhor estilo “Sessão da Tarde” do que uma aventura inspirada nos quadrinhos do herói. E umas das principais razões para isso ter acontecido está na forma como os vilões foram adaptados.

Se olharmos primeiramente para o Charada, veremos que se trata de mais um dos vários personagens cômicos da carreira do Jim Carrey do que necessariamente um vilão no verdadeiro sentido da palavra. Por um lado, isso é bom já que ele domina a arte da comédia com extrema facilidade. Por outro, desperdiçou-se a oportunidade de adaptar um personagem muito interessante. Quem também segue essa mesma descaracterização é o Duas Caras, que ficou parecendo uma tentativa ridícula de imitar o Coringa de Batman (1989).

As outras novidades ficam por conta da introdução do Robin e da Dra. Chase Meridian. O sidekick do Homem Morcego protagoniza cenas bem coreografadas de ação durante grande parte do filme, mas isso muda quando ele realmente assume sua face heroica pra valer. É como se o seu potencial tivesse sido diminuído de propósito pelo fato de ser ainda um novato no combate ao crime. Já a personagem de Nicole Kidman vira apenas um interesse romântico desnecessário e sem valor narrativo, ainda mais se comparado com a Mulher-Gato de Batman: O Retorno o qual ela referencia em um momento pontual.

Apesar de todos os defeitos narrativos, Batman Eternamente ainda consegue se destacar positivamente em quesitos técnicos como a trilha sonora. Entre as músicas, uma se destaca em especial: “Kiss from a Rose“, do Seal. Com direção de Joel Schumacher, o clipe da música chegou na #1 posição nas paradas musicais nos Estados Unidos e em 1996 ganhou três Grammy Award para “Melhor Performance Vocal Pop Masculino”, “Gravação do Ano” e “Canção do Ano”. Reconhecimento mais do que merecido para um vídeo de menos de 10 minutos que consegue a incrível façanha de contar uma história de forma bem mais interessante que o material original.

Enfim, divertido como comédia e ruim como adaptação de quadrinhos são formas de definir este filme. Mesmo sendo um dos piores momentos do Homem Morcego no cinema, os fãs ainda podem dizer que Batman Eternamente nunca conseguirá superar o desastre que veio anos depois com Batman & Robin.

Ficha técnica:

  • Data de lançamento (no Brasil): 7 de julho de 1995
  • Duração: 2h2min
  • Gênero: Ação
  • Elenco: Val Kilmer, Nicole Kidman, Jim Carrey, Tommy Lee Jones, Chris O’Donnell, Michael Gough, entre outros;
  • Direção:  Joel Schumacher
  • Roteiro: Lee Batchler, Janet Scott Batchler e Akiva Goldsman

Assista ao trailer:

 

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Sobre Marcus Alencar

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Apresentador do Leituracast, Jornalista, blogueiro e um homem de diversas paixões. Amo quadrinhos, cinema e literatura, mas não necessariamente nessa ordem. Acima de tudo, amo a forma como esses meios de comunicação conseguem produzir obras capazes de nos tirar do lugar-comum e propiciar a reflexão. No caso dos livros, destaco toda a saga de Percy Jackson nas séries de livros do escritor Rick Riordan. Não sei se foi à identificação quase que imediata com o personagem central ou fato de sempre me interessar por mitologia grega, mas o importante é que esses livros despertaram de forma mágica meu interesse pela leitura assim como outras grandes obras já fizeram o mesmo comigo em outros períodos e de formas diferentes. Enfim, ler pra mim é uma viagem especial e mágica que sempre farei com muito prazer em qualquer época da minha vida