Cinema | A Cabana (2017) | Crítica

Cinema | A Cabana (2017) | Crítica

Adaptar um livro conhecido sempre envolve muita responsabilidade. Isso aumenta quando a obra em questão é um best-seller, o que faz com que o público crie muita expectativa em torno daquela adaptação tão esperada. Em outros casos, é também uma oportunidade para conquistar novos leitores, ou seja, levar o público dos cinemas para as livrarias como é o caso deste redator que ainda não leu A Cabana antes de assistir o filme homônimo.

No longa dirigido por Stuart Hazeldine, conhecemos a história de Mackenzie Phillips, um homem que vive atormentado após perder a filha caçula durante um passeio em família. O corpo nunca foi encontrado, mas a policia encontra sinais de que ela teria sido violentada em uma cabana nas montanhas. Anos depois da tragédia, ele recebe um chamado misterioso para retornar a esse local onde vai receber uma lição de vida.

A grande jogada que ocorre quando você propõe a si mesmo a experiência de fazer o caminho inverso (o filme antes do livro) é tentar imaginar como a história é contada no material original. Tendo em vista que o foco do filme é basicamente a jornada de Mackenzie em busca de respostas sobre sua tragédia familiar, acredito que seja necessário observar a entrega de atuação de Sam Worthington. É o seu trabalho que deveria ser responsável por fazer com que o espectador se sentisse imerso durante duas horas projeção. No caso em questão, precisamos nos convencer da dor daquele pai em luto ao ponto de compreender seus questionamentos sobre Deus.

No entanto, o que ocorre é justamente o contrário. Isso é visível em cenas onde é necessário um impacto emocional mais intenso, o que obviamente não é possível devido a limitação do protagonista. O esforço é de certo modo perceptível, mas não é o bastante para nos emocionarmos assim como ocorreu com milhares de leitores ao redor do mundo com o livro de William P. Young . Por outro lado, esse problema fica minimizado quando conhecemos Elousia/”Papai”/Deus (Octavia Spencer), Jesus (Avraham Aviv Alush) e Sarayu (Sumire Matsubara). É nas sequências com este trio que temos os momentos mais emocionantes, como por exemplo quando Jesus trabalha a confiança de Mack ou quando Sarayu mostra a confusão emocional dele. Por questão de spoiler, não posso detalhar estas cenas. Só fica o comentário de que a fotografia presente nelas é muito interessante dentro do contexto apresentado.

Outro ponto que merece uma observação a parte é em relação a representação de Deus no filme. A atriz Octavia Spencer passa uma serenidade na medida certa e também emociona provando mais uma vez seu talento. Vale lembrar que não é a primeira vez que o divino é apresentado nos cinemas em filmes cujo foco não é adaptar alguma história bíblica. Aliás, é sempre comum que haja polêmicas em casos que há uma certa liberdade criativa ao retratar o sagrado de forma diferente do tradicional. Em A Cabana, é interessante observar como os questionamentos de Mackenzie são colocados de forma a não só externar sua raiva como encontrar um meio de lidar com a dor. Nesse sentido, acredito que o filme acaba sendo bem sucedido na intenção de passar uma reflexão sobre como podemos lidar com esse momento tão delicado.

Por último, fica a recomendação para você que também não conhece o livro mas tem interesse em sua adaptação. Certamente, você irá gostar mesmo que a escolha de um certo nome do elenco não permita que a sua experiência cinematográfica seja marcante.

Ficha técnica:

  • Lançamento: 6 de abril de 2017 ;
  • Duração: 2h13min;
  • Elenco: Sam Worthington, Octavia Spencer, Avraham Aviv Alush, Sumire Matsubara, Tim McGraw, Radha Mitchell, Megan Charpentier, entre outros  ;
  • Direção : Stuart Hazeldine
  • Roteiro : John Fusco e Destin Cretton

Assista ao trailer:

 

Leia também a resenha do livro

Sobre Marcus Alencar

Apresentador do Leituracast, Jornalista, blogueiro e um homem de diversas paixões. Amo quadrinhos, cinema e literatura, mas não necessariamente nessa ordem. Acima de tudo, amo a forma como esses meios de comunicação conseguem produzir obras capazes de nos tirar do lugar-comum e propiciar a reflexão. No caso dos livros, destaco toda a saga de Percy Jackson nas séries de livros do escritor Rick Riordan. Não sei se foi à identificação quase que imediata com o personagem central ou fato de sempre me interessar por mitologia grega, mas o importante é que esses livros despertaram de forma mágica meu interesse pela leitura assim como outras grandes obras já fizeram o mesmo comigo em outros períodos e de formas diferentes. Enfim, ler pra mim é uma viagem especial e mágica que sempre farei com muito prazer em qualquer época da minha vida

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