Cinema | 6 Dias (2017) | Crítica

Cinema | 6 Dias (2017) | Crítica

Em setembro deste ano, mês em que o atentado às Torres Gêmeas completou 16 anos, estreou na Netflix brasileira o filme 6 Dias. A produção dirigida pelo britânico Toa Fraser é baseada em um ataque ocorrido na Inglaterra, nos anos 80, e mostra um episódio que exemplifica a estratégia adotada por muitos governos de não negociar com terroristas.

A trama tem início no dia 30 de abril de 1980, quando um grupo de homens fortemente armados entra na embaixada iraniana em Princes Gate, localizada em Londres. De posse de vários reféns, eles fazem diversas exigências, entre elas a libertação de alguns prisioneiros por parte do governo do Irã. Em meio à tensão crescente e à especulação dos jornalistas, as tentativas de negociação com as autoridades se estendem por 6 dias. Enquanto isso, uma equipe do Serviço Aéreo Especial se prepara secretamente para invadir o local a qualquer momento.

A combinação entre suspense e ação surpreende visto que o longa foi baseado em algo que realmente aconteceu. O que prende a atenção dos espectadores é a apreensão causada pelos diálogos entre o negociador da polícia, Max Vernon (Mark Strong), e o líder dos invasores, Salim (Ben Turner). Ambos compartilham o desejo de que uma intervenção militar não seja necessária, porém eles se encontram em lados opostos na disputa, onde o tempo é inimigo de um e aliado do outro. Com isso, a expectativa para o confronto iminente aumenta cada vez mais.

O papel dos governantes também é explorado nesse contexto. Mesmo em um momento de crise, as rivalidades políticas ainda afetam a cooperação entre as nações, fato que é comum até hoje e parece longe de ser solucionado. Contudo, mesmo com a falta de colaboração dos países do Oriente Médio, o Reino Unido, sob a chefia da primeira-ministra Margaret Thatcher, reluta em negociar com os terroristas, o que nos traz o questionamento sobre a eficácia dessa decisão. Nesse caso, a cobertura constante da imprensa ao redor da embaixada onde estão os reféns só faz aumentar a pressão para que medidas sejam tomadas rapidamente.

Tal pressão incide, inclusive, sobre o grupamento de militares que aguarda o momento de agir. Os soldados sabem que qualquer erro fará a opinião pública culpá-los, por isso passam por treinamentos rigorosos simulando todas as possibilidades antes de pô-las em prática. Essa análise tática é importante para mostrar que não se trata de um grupo de super-heróis que vai entrar em ação e salvar a pátria, mas sim humanos passíveis de falhas. A cobrança maior recai sobre o líder da equipe, Rusty Firmin (Jamie Bell), o qual ainda é um homem jovem e precisa aprender a lidar com essa grande responsabilidade.

6 Dias dá uma visão clara de como países do ocidente lidam com ataques radicais. Mesmo sendo um bom entretenimento que nos mantém apreensivos do início ao fim, os acontecimentos verídicos relatados entre os dias 30 de abril e 5 de maio de 1980 mostram todo o impacto e mobilização que um ato como esse causa em todos os setores de uma nação.

Ficha técnica:

  • Lançamento: 22 de setembro de 2017
  • Duração: 1h34min
  • Gênero: ação, suspense
  • Direção: Toa Fraser
  • Elenco: Mark Strong (Max Vernon), Jamie Bell (Rusty Firmin), Abbie Cornish (Kate Adie)

Assista ao trailer:

Sobre Mozer Dias

Mozer Dias

Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.