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Stranger Things 3 | Crítica COM SPOILERS

Stranger Things 3 | Crítica COM SPOILERS

Nós já demos nossas impressões gerais sobre Stranger Things 3 em uma crítica sem spoilers. Mas aconteceu tanta coisa no terceiro ano da série que simplesmente não podemos deixar de comentar algumas coisas com mais detalhes. Só que para isso vamos ter que revelar acontecimentos muito importantes da trama, então leia por sua conta e risco.

Como já vimos, nossos protagonistas agora não são mais crianças e experimentam as primeiras aventuras da adolescência. A amizade deles é posta à prova por conta disso e eles acabam se dividindo em grupos menores que têm papeis fundamentais quando as criaturas do Mundo Invertido retornam para atacar Hawkins.

Mike (Finn Wolfhard) e Lucas (Caleb McLaughlin) lutam para entender o comportamento de suas namoradas, Eleven (Millie Bobby Brown) e Max (Sadie Sink). Enquanto isso, as duas criam uma amizade forte onde El aprende a ser independente, tanto do pai quanto do namorado. Perdido entre os dois casais, está Will (Noah Schnapp), que deseja continuar com as brincadeiras de antes mas precisa encarar que eles estão crescendo. Por último, Dustin (Gaten Matarazzo) se sente deixado de lado pelos companheiros e vai atrás de Steve (que finalmente ganhou uma briga, mas logo em seguida foi espancado de novo).

Em paralelo, Hopper (David Harbour) está tentando se aproximar de Joyce (Winona Ryder), porém ela ainda não se esqueceu de Bob (Sean Astin). A cena onde ela assiste à TV sozinha enquanto se lembra do antigo namorado deixa isso claro e ainda faz justiça ao personagem tão querido que morreu na segunda temporada. Mesmo assim, tudo indicava que o show daria mais um passo na construção do relacionamento entre o xerife e a mãe de Will, mas sabemos que isso foi interrompido de maneira drástica.

O grande mérito de Stranger Things 3 é explorar o amadurecimento de seus personagens e desenvolver cada um individualmente. Um ponto que chama a atenção é o possível questionamento sobre a sexualidade de Will. Quando Mike diz para o amigo que não tem culpa se ele não gosta de garotas, muitas pessoas entenderam isso como uma confirmação de que o garoto realmente é gay. Isso é uma possibilidade plausível e aceitável, contudo pode simplesmente significar que Will ainda não amadureceu o suficiente para se sentir atraído por alguém, seja do mesmo sexo ou do sexo oposto.

stranger things 3 will

Foi Robin (Maya Hawke) quem assumiu ser homossexual e isso pegou muita gente de surpresa. Parecia quase certo que Steve (Joe Keery) finalmente ia encontrar um par que compartilhasse gostos em comum com ele, ainda mais depois que o rapaz percebe como era fútil quando estava no colégio. Mas no meio de um papo sentimental e franco (estimulado por uma droga), a garota revela que era apaixonada por outra menina. A intenção da cena é ser cômica e é justamente isso que acontece, especialmente pela cara de bobo que o Steve fica. Mas logo depois ele começa a agir normalmente e se torna um grande amigo de Robin, aumentando ainda mais seu carisma com o público.

Entretanto, não podemos esquecer que todas essas revelações e dilemas acontecem em meio ao ataque do Devorador de Mentes. A nova tática do inimigo é se hospedar nos corpos de outras pessoas, começando por Billy (Dacre Montgomery). A escolha dele como hospedeiro chega a ser óbvia já que, desde que o bad boy apareceu, ele vinha demonstrando um desvio de caráter. Depois do salva-vidas, o Devorador domina outros habitantes da cidade, incluindo os dois patrões machistas de Nancy (Natalia Dyer). Essa dupla rende um dos momentos mais tensos do programa, quando perseguem Nancy e Jonathan (Charlie Heaton) pelo hospital e acabam se fundindo em um mostro horripilante.

Os russos também deram as caras para preencher a vaga de “humanos que gostam de fazer merda”. A missão deles é abrir novamente o portal para o Mundo Invertido por algum interesse militar e, mesmo que seus planos tenham sido frustrados, a cena pós-créditos dá uma dica de que os veremos novamente na próxima temporada.

Por último e não menos doloroso, vêm as mortes. O primeiro a partir foi o russo Smirnoff/Alexei (Alec Utgoff), que foi assassinado após conquistar os espectadores com seu carisma. A morte de Billy já é mais significativa, pois além de ser irmão de Max, o valentão tem a sua redenção graças à interferência de Eleven, a qual viu suas memórias de infância. Isso encerra a participação de Dacre Montgomery na série, a menos que ele retorne em lembranças da irmã.

A última morte, a mais sentida por todos, é a do xerife Hopper. Mesmo cercada de dúvidas sobre ser uma morte real ou não, a tristeza que ela causa é profunda. Primeiro porque não vemos ele e Joyce finalmente juntos e, segundo, porque Eleven perde seu pai adotivo. A carta que ele deixa para a menina foi o golpe final no coração de todos, causando muita emoção. Essa carta pode ser a confirmação de sua morte, já que se parece com uma despedida definitiva. Por outro lado, a cena pós-créditos deixa a dúvida no ar quando um dos russos diz para seu companheiro não retirar o americano da cela. Quem será esse americano, afinal? E mesmo que não seja o Hopper, ele não poderia ter sido enviado para o Mundo Invertido de alguma forma?

stranger things 3 hopper

A resposta para essa e outras questões que Stranger Things 3 nos deixou provavelmente só serão respondidas na próxima temporada. Por enquanto, temos que saber lidar com a saudade deixada por este desfecho chocante e criar nossas próprias teorias para preencher as lacunas, tanto no roteiro quanto nos corações.

Assista ao trailer:

Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.