Séries | Stranger Things – 2ª temporada | Crítica

Séries | Stranger Things – 2ª temporada | Crítica

Finalmente estreou uma das continuações mais aguardadas de 2017. Stranger Things 2 chega à Netflix para dar prosseguimento às aventuras dos moradores de Hawkin e adjacências invertidas. Dessa vez, os irmãos Duffer, criadores do programa, encararam o desafio de conservar aquela atmosfera familiar dos anos 80 e desenvolver ainda mais as estranhezas do lugar. E o melhor de tudo: eles conseguiram.

[Cuidado! Spoilers da primeira temporada a seguir]

A trama começa em 1984, um ano após os acontecimentos da primeira temporada. Aparentemente, a vida dos quatro protagonistas voltou à normalidade. Porém, Mike (Finn Wolfhard) não conseguiu superar a ausência de Eleven (Millie Bobby Brown); Will (Noah Schnapp) ainda é atormentado por visões do Mundo Invertido e a presença de uma ameaça iminente; já Dustin (Gaten Matarazzo) e Lucas (Caleb McLaughlin) se veem intrigados com Max (Sadie Sink), a aluna nova. Após o xerife Hopper (David Harbour) encontrar diversas plantações de abóboras misteriosamente envenenadas, fica evidente que algo de errado está acontecendo na cidade. E quando as coisas se complicam de verdade, todos eles precisam agir antes que seja tarde demais.

A receita que consagrou a série um sucesso se mantém nessa nova etapa: a ambientação da época, a trilha sonora, releitura de clássicos e as referências, inclusive uma explícita (e genial) aos Caça-Fantasmas (1984) e também ao Exterminador do Futuro (1984). Entretanto, apenas isso não seria suficiente para manter o nível de qualidade e originalidade. Sendo assim, o principal mérito da temporada é acertar na continuidade da história ao expandir os perigos da dimensão invertida e esclarecer as pontas soltas deixadas anteriormente. Neste último quesito, o destaque está em explorar os desdobramentos da morte de Barb (Shannon Purser). Isso não só representa justiça ao personagem, como também dá coerência à narrativa, visto que até então as consequências de seu desaparecimento não foram abordadas.

Além disso, outra característica marcante é a evolução dos personagens. Como os próprios irmãos Duffer confirmaram, cada um deles parte em uma jornada de autoconhecimento até descobrirem quem são realmente. O Will, que na season 1 foi apenas o motivador de toda a ação, desta vez está mais atuante e com uma importância muito maior. Já a Eleven está deixando de ser aquela menina ingênua para tomar real consciência do seu poder. Para isso, ela passa até por uma fase de rebeldia enquanto precisa lidar com relações inesperadas com outras pessoas.

O fator de maior risco do segundo ano da produção talvez tenha sido a inserção de novos nomes no elenco, devido à possibilidade de não serem bem recebidos. Contudo existe um cuidado na forma como eles foram introduzidos e, principalmente, existe um motivo. A primeira delas é a Max, que chegou para fazer parte do grupo infantil. Ela surge para movimentar o relacionamento dos protagonistas e acrescentar dramaticidade, graças a sua relação difícil com o meio-irmão Billy que, por sua vez, é interpretado por Dacre Montgomery, o ranger vermelho no novo filme dos Power Rangers (2017). Billy é uma espécie de vilão, porém seu passado com a irmã é pouco explorado. Outra figura nova é Bob (Sean Austin), o namorado de Joyce (Winona Ryder). Ele é quem mais surpreende, porque começa como simples alívio cômico, mas vai se destacando no decorrer dos episódios. Sem contar que a presença de Sean Austin reforça a referência da série a Os Goonies, já que ele fez parte do filme de 1986. Ainda há uma quarta integrante de grande relevância para Eleven, todavia falar sobre ela sem dar spoilers é uma tarefa difícil, então assistam para saber.

Entre membros novos e antigos, as situações de aventura, suspense e comédia vão se encadeando de forma que é impossível assistir a apenas um episódio por vez. Stranger Things 2 chegou não só para repetir o nível de qualidade da primeira temporada, mas sim para superá-lo. Então reserve um dia inteiro para mergulhar no mundo (e submundo) de Hawkins e encarar seus bagulhos sinistros.

Assista ao trailer:

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Sobre Mozer Dias

Mozer Dias

Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.

  • Davi Paiva

    Gostei da crítica sem muitos spoilers. Seguindo exemplo, também não vou me aprofundar.
    Concordo que a colocação de novos personagens foi uma medida ousada. Alguns trouxeram emoções à série como Bob, Max e Billy. E outros deixaram a desejar para uma boa parte do público (vocês sabem de quem estou falando).
    A segunda temporada podia ser a última, dado o fim de um ciclo na vida dos personagens, seu desfecho e quanto tempo vai se passar até a terceira. Todavia, é desafiador imaginar como tudo vai continuar e como todos estarão.
    Parabéns!