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Séries | The Boys – primeira temporada (2019)

Séries | The Boys – primeira temporada (2019)

Uma das séries do momento é a adaptação do quadrinho homônimo The Boys. Chegando em um momento onde tanto a TV quanto o cinema estão saturados de produções sobre super-heróis, o programa da Amazon Prime chega para dar uma nova abordagem a esse tema, bem mais pessimista, sombria e sangrenta, mas sem perder o senso de humor.

A trama se baseia nos quadrinhos de Garth Ennis e nos apresenta Hughie Campbell (Jack Quaid), um rapaz que perde sua namorada de forma trágica em um acidente envolvendo o herói velocista Trem-Bala (Jessie T. Usher). Aproveitando-se do luto do rapaz, Billy Butcher (Karl Urban) aproxima-se de Hughie oferecendo a possibilidade de vingança. Assim, os dois unem-se a Francês (Tomer Capon) e Leitinho (Laz Alonso) para tentar derrubar a Vought, uma grande corporação que comanda a cúpula dos heróis conhecidos como Os Sete.

The boys morte da Robin

O que destaca The Boys dentre as outras séries do mesmo gênero é que ela funciona como uma sátira do mundo dos heróis, com muita violência e cenas chocantes. Os Sete são uma espécie de Liga da Justiça às avessas que reúne o que há de pior e mais sujo nos bastidores de um grupo de salvadores. O foco está no lado sombrio desses personagens, em como eles deixam que a fama lhes suba à cabeça e passam a usar suas habilidades para se promover e tirar vantagem das situações.

Alguns deles chegam a ser motivo de piada, como O Profundo (Chace Crawford), uma paródia explicita do Aquaman. Outros são o extremo oposto de heróis que representam a esperança, como a Queen Maeve (Dominique McElligott) em oposição à Mulher-Maravilha. Porém, quem se sobressai no quesito filhadaputagem sem dúvidas é o Homelander (Antony Starr). Ele é a antítese do Superman em todos os aspectos morais, chegando a ser perturbador em diversos momentos. Nem por isso ele deixa de ser uma figura complexa, como vemos em seu relacionamento com Madelyn Stillwell (Elisabeth Shue), funcionária do alto escalão da Vought.

Já o lado corporativo dos “heróis” tem muito peso na transformação de caráter que eles sofrem. Se eles querem manter seu posto e status, precisam se sujeitar a todas as vontades da empresa e aceitar todo tipo de publicidade, nem que esta seja manipulada.

Quem descobre isso da pior maneira é Starlight (Erin Moriarty), a novata dos Sete. Logo no primeiro episódio ela protagoniza um momento tenso e revoltante. Ao decorrer da produção, ela vai descobrindo o lado podre do heroísmo e todas as artimanhas que são elaboradas por baixo dos panos. Assim, só nos resta assistir para saber se ela irá se corromper ou não.

The boys starlight

A transformação e o desenvolvimento dos personagens em The Boys são notáveis, entretanto Hughie é aquele que sofre esse processo de forma mais nítida. Ele começa de uma forma e termina de outra, evoluindo de várias maneiras, tanto para o bem quanto para o mal. Grande parte disso deve-se à influência de Billy Butcher, o qual é um manipulador de primeira e esconde mais coisas do que parece.

Entre mortes violentas, obscenidades e humor negro, o programa vai se desenrolando e apresentando novas informações até chegar a uma reviravolta que promete um novo rumo para a segunda temporada.

Por todos esses motivos fica fácil entender por que The Boys caiu no gosto do público. Essa perspectiva diferenciada sobre os heróis e a distorção de alguns valores clichês dá fôlego para mais um seriado desse tipo que tem tudo para manter esse mesmo nível de qualidade por mais tempo.

Assista ao trailer:

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Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.