Séries | Ozark – 1ª temporada | Crítica

Séries | Ozark – 1ª temporada | Crítica

Em julho deste ano estreou a nova produção original da Netflix, estrelada, produzida e parcialmente dirigida por Jason Bateman. A princípio, as comparações com o grande fenômeno Breaking Bad (AMC, 2008 a 2013) foram inevitáveis, visto que a premissa de ambas as séries é muito semelhante. Porém Ozark sai do mesmo ponto de partida para caminhar por contextos diferentes.

A trama conta como o consultor financeiro Marty Byrde (Jason Bateman) tem que sair de Chicago às pressas para refazer sua vida no distante lago de Ozark após contrair uma enorme dívida com seu patrão, Del Rio (Esai Morales), o qual é um dos chefões do cartel de drogas mexicano. Assim, Marty chega à pequena cidade com a missão de lavar quase 8 milhões de dólares em dinheiro vivo em poucos meses, antes que Del apareça para matá-lo e a toda a sua família. Contudo, ele se depara com diversos obstáculos no seu caminho.

A semelhança principal com Breaking Bad está na figura do protagonista: um homem aparentemente honesto com problemas no casamento, mas que se sujeita a um trabalho ilegal – neste caso lavagem de dinheiro – para proporcionar uma vida melhor a sua família. Para tanto, ele tem de usar toda a sua lábia e talento no que faz, visto que estas são suas únicas armas para se proteger.

Entretanto, Ozark segue seus próprios passos. A começar pela mulher de Marty, Wendy (Laura Linney) que de esposa infiel passa a ser parceira de crime ativa, tendo uma importância crescente ao longo da obra, diferentemente de Skyler White em Breaking Bad. Outra personagem feminina que merece destaque é Ruth, interpretada pela atriz Julia Garner. Ela é como um Jesse Pinkman às avessas, excluindo a parte que envolve o vício em drogas do rapaz na produção da AMC. Ela é o tipo de personagem que cresce com a história, daqueles que você começa odiando e no final torce para que se dê bem.

Levando em conta a complexidade dos personagens e as diversas camadas de personalidade de cada um, é necessário que haja uma boa atuação para embasar tudo isso. Felizmente o elenco consegue dar conta do recado, se entregando aos seus papéis e fazendo com que um simples diálogo prenda nossa atenção do começo ao fim.

Vale ressaltar que este não é um programa focado na ação. O desenvolvimento se dá no campo psicológico dos personagens, nos dramas pessoais de cada um, na tensão e nas reviravoltas. Os pontos altos são os diálogos de Marty e da esposa. Apenas com o uso da palavra eles conseguem inverter situações a seu favor e tirar vantagens das pessoas na maioria das vezes. É claro que em alguns momentos faltam um pouco mais de ação e agilidade, perdendo um tempo além do necessário em cenas pouco proveitosas, mas nada muito prejudicial.

Já as cenas fortes contribuem ainda mais para a veracidade do que está acontecendo, incluindo o uso da violência quando preciso, porém nunca de forma gratuita. A frieza e a ganância do mundo do crime também estão muito bem retratadas, levantando questões pertinentes sobre a índole dos personagens e a legitimidade de suas ações.

Dessa forma, Ozark nos leva para os bastidores das fraudes fiscais e nos mostra até onde as pessoas vão para salvar suas vidas ou então para acabar com a vida de outros. Assim como Breaking Bad, esta é uma série sobre revelação de caráter, de modo que a comparação entre as duas é válida e elogiosa nesse quesito. Por outro lado, a obra da Netflix tem suas próprias peculiaridades diferenciando-a de uma simples cópia.

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Sobre Mozer Dias

Mozer Dias

Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.