Séries | Os Defensores – 1ª temporada (2017) | Crítica

Séries | Os Defensores – 1ª temporada (2017) | Crítica

Finalmente estreou na Netflix uma das séries mais aguardadas de 2017. Entre erros e acertos, Os Defensores enfim reúne os heróis da Marvel responsáveis por defender Nova York de uma ameaça oculta. Aqui, reencontramos Demolidor (Charlie Cox), Jessica Jones (Krysten Ritter), Luke Cage (Mike Colter) e Punho de Ferro (Finn Jones) depois de cada um ter sido apresentado em sua respectiva série solo.

A trama de oito episódios conta como esse grupo improvável de vigilantes se junta para enfrentar um adversário em comum: O Tentáculo, uma organização sombria liderada por Alexandra (Sigourney Weaver) que planeja algo que resultará em uma grande catástrofe. Como sua arma secreta, a vilã conta com a ajuda do Céu Negro para atingir seu objetivo. Assim, cabe aos heróis superarem suas divergências para descobrir e impedir o plano dos inimigos enquanto há tempo.

A série tem como pontos positivos recuperar alguns elementos que fizeram sucesso nas produções anteriores: a volta dos protagonistas e seus dilemas, os personagens coadjuvantes que se mostraram de grande importância antes e o suspense mesclado com ação. Inclusive um jogo de cores semelhante ao utilizado em Breaking Bad (2008-2013) foi usado de forma inteligente nas cenas individuais de cada herói, dando uma atmosfera diferenciada para cada um deles através da tonalidade da imagem.

Considerando a quantidade reduzida de episódios, os acontecimentos nos dois primeiros são muito arrastados. Perde-se um tempo contextualizando cada um dos membros em suas vidas pessoais e investigações particulares até seus caminhos se cruzarem para então surgirem as diferenças e conflitos entre cada um. Isto poderia ter levado apenas um capítulo, para agilizar mais a obra. Porém, daí em diante o ritmo melhora consideravelmente.

Entretanto, algumas falhas de roteiro e incoerências durante o desenvolvimento contribuíram de forma negativa para o programa como um todo. A motivação da vilã não ficou clara e, além disso, há um ponto de virada na reta final da história que fica sem uma explicação satisfatória. Sem contar as cenas de ação que variam muito na qualidade.

Mas o principal ponto negativo foi o Punho de Ferro. Os mesmos problemas que sua série solo tiveram estão presentes em Os Defensores. Visivelmente ele é o elo mais fraco do grupo quando, na verdade, deveria assumir o posto de líder, visto que é a pessoa que melhor conhece o inimigo. Pelo mesmo motivo, ironicamente ele adquire demasiada importância sem estar a altura de assumi-la. Sua imaturidade e inocência se mantêm a ponto de torná-lo infantil e irritante. Fora suas cenas de luta que são mal executadas e persistem em ser incoerentes com o título e com a responsabilidade que o personagem carrega.

Assim sendo, Os Defensores ficou aquém da expectativa gerada. Mesmo assim é uma produção que, no geral, diverte e serve de introdução para as novas temporadas individuais de seus integrantes. Ainda que haja problemas, temos que considerar que todos eles podem ser corrigidos em uma futura sequência. Vamos torcer.

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Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.

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