Séries | Luther – primeira temporada | Crítica

Séries | Luther – primeira temporada | Crítica

A melhor forma para definir Luther é com esta frase do filósofo alemão Friedrich Nietzsche: “Quando você olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você”. Com um tom sombrio e tenso, este é o mundo de John Luther (Idris Elba). Trabalhando como inspetor-chefe de detetive da ‘Unidade de Crimes Sérios’ de Londres, ele lida diariamente com casos complexos envolvendo serial killers, investigações complicadas e crimes violentos. Para os fãs de histórias policiais, esses elementos são um prato cheio. Prova disso é que logo na primeira temporada conhecemos não só a complicada vida do protagonista como toda a sua obsessão em combater a criminalidade.

Antes de comentar o roteiro da série, faço questão de compartilhar algumas observações sobre o seu formato. A primeira delas está no fato de ser uma temporada pequena. São apenas 6 episódios de aproximadamente uma hora, o que nos dá a oportunidade de fugir do modelo saturado das séries americanas. Este detalhe contribui imensamente para a qualidade de Luther como um todo pois elimina a possibilidade de ter algum episódio sem importância. Em outras palavras, um conjunto de fatores que torna esta produção atraente para o público habituado com maratonas.

Claro que nada disso seria possível sem um belo roteiro. O responsável por essa função durante cada episódio é Neil Cross, que também é criador da série. Um detalhe que, talvez, não seja tão importante a primeira vista mas que faz toda diferença quando se analisa seu trabalho como um todo. Mesmo com uma trama procedural, é possível perceber o desenvolvimento sutil de alguns personagens marcantes. Este é o caso de Alice Morgan (Ruth Wilson), que é apresentada no primeiro episódio como suspeita do assassinato de seus pais Douglas e Laura Morgan. Obviamente, por questão de spoiler, não irei detalhar a solução do caso dela. Só digo que ela funciona na trama como uma espécie de Coringa, mas de um modo totalmente único. Trata-se de uma personagem cheia de nuances e camadas. Imprevisível, enigmática e sarcástica. A cena do interrogatório exemplifica isso perfeitamente.

Aproveitando a referência, não há como olhar para Luther e não enxergar um pouco de Batman. Com ares de vigilante, John persegue seus casos como se fosse o único homem capaz de resolvê-los. Apesar dessa possível homenagem ao herói dos quadrinhos da DC Comics, fica também a menção a outro grande detetive da ficção: Sherlock. No entanto, o que diferencia o personagem em questão é justamente a ausência de excentricidade. Ele não precisa de um raciocínio lógico fora do normal ou uma atitude de sociopata para se tornar um personagem interessante. Seu diferencial está justamente na sua humanidade. Ou melhor, na forma como percebe cada tipo de criminoso e em como isso afeta sua vida.

Em diversos momentos, somos lembrados do seu lado explosivo como se houvesse um demônio interior querendo tomar conta. No segundo episódio, temos um exemplo desta faceta quando ele confronta um ex-militar que têm assassinado policiais por motivos pessoais. O jogo psicológico criado para resolver este caso mostra como ele percebe a mente criminosa de forma singular.

Falando em encerramento, fica o aviso para quem chegar ao fim do quinto episódio: você pode ficar com taquicardia. Brincadeiras a parte, este comentário é apenas uma forma de expressar minha reação com a grande virada envolvendo Zoe Luther e Ian Reed. Basicamente, trata-se de um momento épico que serve para plantar a semente para o sexto episódio. Infelizmente, não posso mais uma vez entrar em detalhes. Apenas comentar que é notável como uma traição inesperada de um aliado pode render momentos de tensão tão interessantes. E também que, mais um vez, Idris Elba brilhou quando o papel necessitou de variações de atuação.

Se você procura uma série policial diferente do que tem por ai, Luther com certeza será uma grata surpresa. Por isso, a expectativa só aumenta em relação a segunda temporada.

Sobre Marcus Alencar

Apresentador do Leituracast, Jornalista, blogueiro e um homem de diversas paixões. Amo quadrinhos, cinema e literatura, mas não necessariamente nessa ordem. Acima de tudo, amo a forma como esses meios de comunicação conseguem produzir obras capazes de nos tirar do lugar-comum e propiciar a reflexão. No caso dos livros, destaco toda a saga de Percy Jackson nas séries de livros do escritor Rick Riordan. Não sei se foi à identificação quase que imediata com o personagem central ou fato de sempre me interessar por mitologia grega, mas o importante é que esses livros despertaram de forma mágica meu interesse pela leitura assim como outras grandes obras já fizeram o mesmo comigo em outros períodos e de formas diferentes. Enfim, ler pra mim é uma viagem especial e mágica que sempre farei com muito prazer em qualquer época da minha vida

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