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Séries | Luke Cage – 2ª temporada | Crítica

Séries | Luke Cage – 2ª temporada | Crítica

O verdadeiro herói do Harlem está de volta. Dessa vez, famoso e cheio de responsabilidades após os eventos ocorridos em sua primeira temporada. No entanto, a sua fama está com os dias contados graças às ameaças de novos e antigos inimigos. O principal deles atende pelo nome de Bushmaster (Mustafa Shakir). Ele tem seus próprios poderes e um plano para dominar o bairro que tem Luke Cage (Mike Colter) como seu principal defensor.

Movido por um sentimento de vingança pessoal contra Mariah Dillard (Alfre Woodard) e sua família, ele destruirá o que estiver em seu caminho para chegar a este objetivo. É por conta deste novo antagonista que a série cresce em vários aspectos. Muito disso se deve à sua origem africana, o que permite que o roteiro invista em vários aspectos culturais. Isto pode ser percebido em seu estilo de luta ou na trilha sonora que mais uma vez é utilizada de forma criativa fazendo com que a mesma seja como um personagem a parte.

Este não é o único aspecto positivo desta temporada. Se na anterior, o problema era justamente a falta de desenvolvimento de um dos principais vilões, nesta é exatamente isso o que não falta. Todos têm o devido destaque como é o caso Mariah e Shades (Theo Rossi) cuja relação amorosa é mais desenvolvida, mesmo com seus altos e baixos. O interessante é que na jornada pessoal de cada um, eles seguem caminhos distintos porém complementares em alguns momentos e em outros simplesmente contrastantes. O episódio “The Main Ingredient” é fundamental para mostrar o ápice desta dinâmica e como ela pode mudar quando um deles abraça seu lado mais sombrio.

Do lado da lei, Misty Kinight (Simone Missick) é quem rouba a cena como policial determinada a fazer seu trabalho da melhor forma possível. Apesar da sua atual condição física, uma consequência direta dos eventos de Os Defensores, ela é retratada como uma personagem forte tendo muito mais participação em cenas de ação do que na temporada anterior. O melhor exemplo disso está em uma luta de bar em “Wig Out” que conta com uma participação especial que deixará os fãs da série de quadrinhos “Filhas do Dragão” animados para uma adaptação da mesma na Netflix.

Inclusive, quando o assunto é participação especial, a segunda temporada de Luke Cage praticamente presenteia seu público com a presença de outro herói Marvel. Seja através de diálogos ou lutas, ele consegue mostrar em poucas cenas que, com um bom roteiro e direção, pode ser mais interessante do que o esperado. Este também é outro caso de referência a outra série de HQ: “Heróis de Aluguel“. O melhor disso tudo é que estes crossovers certamente mostram o potencial que existe para séries derivadas protagonizadas por duplas de personagens.

Além disso, outras novidades merecem ser comentadas. Uma delas é a introdução de Tilda Johnson (Gabrielle Dennis), a filha de Mariah que pouco acrescenta à trama e rapidamente se torna um personagem desnecessário. Apesar disso, há esperança que ela tenha alguma importância no futuro da série como o episódio “They Reminisce Over You” dá a entender em seus momentos finais. Quem também faz sua estreia em Luke Cage é o Reverendo Lucas (Reg E. Cathey), pai do protagonista, cuja função está em basicamente se reconciliar com o filho depois de anos de ausência. É uma pena que mesmo com uma performance carismática e memorável, o público não terá a oportunidade de vê-lo novamente já que o ator faleceu este ano.

Por último, o que pode ser dito é que a segunda temporada de Luke Cage termina com um saldo extremamente positivo. Fica evidente como a produção se preocupou em consertar os erros do passado com eficiência e abraçar cada vez mais o material base. Não só isso como também preparou-se o terreno para um terceiro ano promissor que deixará os fãs se perguntando se o protagonista ainda será o verdadeiro herói do Harlem por muito tempo.

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Sobre Marcus Alencar

Apresentador do Leituracast, Jornalista, blogueiro e um homem de diversas paixões. Amo quadrinhos, cinema e literatura, mas não necessariamente nessa ordem. Acima de tudo, amo a forma como esses meios de comunicação conseguem produzir obras capazes de nos tirar do lugar-comum e propiciar a reflexão. No caso dos livros, destaco toda a saga de Percy Jackson nas séries de livros do escritor Rick Riordan. Não sei se foi à identificação quase que imediata com o personagem central ou fato de sempre me interessar por mitologia grega, mas o importante é que esses livros despertaram de forma mágica meu interesse pela leitura assim como outras grandes obras já fizeram o mesmo comigo em outros períodos e de formas diferentes. Enfim, ler pra mim é uma viagem especial e mágica que sempre farei com muito prazer em qualquer época da minha vida