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Séries | O Justiceiro – segunda temporada (2019) | Crítica

Séries | O Justiceiro – segunda temporada (2019) | Crítica

Depois da onda de cancelamentos das séries da Marvel na Netflix, O Justiceiro chega rodeado de expectativas acerca de sua segunda temporada solo. Porém a renovação foi posta em dúvida após a qualidade questionável da nova fase do anti-herói.

Enquanto Frank Castle (Jon Bernthal) está passando por uma cidade do interior, ele conhece Amy Bendix (Giorgia Whigham), uma garota que por algum motivo está sendo perseguida por um grupo perigoso de criminosos. Impelido por seu senso de justiça, Castle decide ajudar a moça e ambos passam a ser perseguidos pelo misterioso e letal John Pilgrim (Josh Stewart). Enquanto isso, em Nova Iorque, Billy Russo (Ben Barnes) está se recuperando das graves lesões que sofreu, porém sem nenhuma memória do que aconteceu a ele.

A temporada começa muito bem, como se fosse um road movie, aquele tipo de filme que os personagens pegam a estrada, geralmente para fugir de alguém ou chegar a algum lugar. No primeiro momento, a trama se assemelha em certos aspectos com Logan, principalmente devido à tensão inicial entre Castle e Amy e o perigo que ambos correm. Sem contar a atmosfera que lembra um faroeste, tanto que a própria série faz uma referência desse tipo. Contudo, essa linearidade se mantém apenas até o quarto episódio.

Daí em diante, a história se divide em duas vertentes distintas. De um lado, o Justiceiro tem que cumprir a missão de proteger a garota e a si mesmo de quem quer que sejam seus perseguidores. Do outro, ele precisa lidar com o retorno de Billy Russo, que supostamente deveria se o Retalho, um dos maiores inimigos de Frank nos quadrinhos, mas que não está tão retalhado assim pois, segundo os roteiristas, os maiores danos foram mentais e não físicos.

De qualquer forma, a caracterização não é o problema. O que realmente prejudica a produção é o trio formado por Billy, sua psicóloga, Dra. Krista Dumont (Floriana Lima), e a agente Dinah Madani (Amber Rose Rivah). A relação dos três recai em diálogos monótonos na tentativa de desenvolver o psicológico de cada um. No caso do Retalho é até válido, porque mostra a dimensão do seu distúrbio. Entretanto, nas outras personagens é algo que toma tempo e só faz com que os espectadores sintam antipatia por elas.

A alternância entre uma subtrama e outra se estende até o final, com episódios longos demais, muitas falas e pouca ação, o que no caso de uma série como O Justiceiro é um tiro no pé (perdão pelo trocadilho). Em comparação com o que nos foi apresentado na primeira temporada, o ritmo cai consideravelmente já que o passado de algumas pessoas precisa ser explicado.

Para não focar só nos defeitos, essa temporada traz a reafirmação do protagonista. Um momento marcante é quando ele pede a seus companheiros para que eles o deixem ser quem ele é. E mesmo vestindo o manto do Justiceiro, Frank ainda demonstra seu lado sentimental (que dura pouco, mas está ali escondido).

 

No geral, a segunda fase do anti-herói da Marvel deixa a desejar em muitos aspectos, mas ainda mantém o nível de brutalidade característico do personagem. Fica agora o questionamento se a Netflix irá arriscar uma nova temporada ou se essa foi a despedida de Frank Castle.

Assista ao trailer:

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Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.