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Séries | La Casa de Papel – segunda parte | Crítica

Séries | La Casa de Papel – segunda parte | Crítica

La Casa de Papel se tornou um fenômeno ao ser exibida pela Netflix. Agora, após uma pausa estratégica, a produção espanhola retorna ao serviço de streaming para revelar o desfecho do ousado plano do Professor e seus comandados para roubarem a Casa da Moeda da Espanha.

Depois dos desentendimentos entre os assaltantes, tentativas de fuga por parte dos reféns e diversos contratempos, a polícia finalmente está conseguindo fechar o cerco em torno do Professor (Álvaro Morte). Enquanto isso, a inspetora Raquel Murillo (Itziar Ituño) está se envolvendo cada vez mais com Salva sem saber que ele é o causador de todas as suas frustrações no trabalho. Porém, mesmo com tantos obstáculos, o tempo dos sequestradores dentro da Casa da Moeda está se esgotando e eles precisam sair dali o quanto antes.

Chamar o restante da série de “segunda temporada” é um pouco de exagero, visto que ela dá continuidade imediata aos acontecimentos do último episódio da parte um. O que aconteceu realmente é que a trama foi separada em duas partes com um intervalo entre elas. Na Espanha, originalmente foram exibidos os nove primeiros episódios e, depois do hiato, os seis restantes. Porém a Netflix dividiu esses nove capítulos em treze e os outros seis em nove, todos de menor duração.

Os elementos que cativaram o público na primeira metade continuam fortes na segunda. As dificuldades pelas quais os oito sequestradores e o Professor passam só fazem aumentar a empatia e a torcida por eles. Esse apreço pelos anti-heróis não é sentido apenas por nós, espectadores. Ele também é explorado dentro da própria história, colocando as autoridades em uma posição delicada perante a mídia e a população espanhola, a qual enxerga os criminosos como um tipo de resistência.

Se antes nós ficamos conhecendo o passado dos personagens enquanto se preparavam para o grande roubo, agora vemos as consequências no presente e as escolhas que eles têm de fazer dali em diante. Dá para notar uma evolução peculiar em cada um deles, especialmente em Tóquio (Úrsula Corberó) e Denver (Jaime Lorente) que amadurecem sua postura. Entretanto, esse desenvolvimento não ocorre apenas com os assaltantes. Quem também toma um posicionamento perante a situação é Mónica Gaztambide (Esther Acebo), uma personagem que cresce no decorrer da obra.

Já o Professor é o grande destaque novamente. Mesmo enfrentando oponentes determinados a prendê-lo, o arquiteto do arriscado plano mostra toda a sua genialidade para superar os problemas. Por outro lado, vemos seu lado humano aflorar enquanto ele divide seu tempo entre ser o chefe de uma quadrilha e um homem comum relacionando-se com Raquel. Esta, por sua vez, também enfrenta dilemas parecidos ao se encontrar dividida entre o trabalho e seu bem-estar pessoal.

Todos esses fatores são responsáveis pelo grande sucesso de La Casa de Papel. A identificação com os protagonistas e, principalmente, a curiosidade para descobrir que fim terá a trama são motivações fortes o suficiente para passarmos por cima de todos os furos de roteiro – que são evidentes – e todas as escapadas “milagrosas” que o Professor consegue tirar da manga.

Isso prova que a produção espanhola soube atingir os telespectadores na parte mais importante: no emocional, em detrimento do rigor técnico de um roteiro. Tanto os personagens quanto a trilha sonora marcante, nos acompanharão por muito tempo depois de sua conclusão. Assim, só nos resta dizer Bella Ciao!

Leia a crítica da primeira parte

Assista ao trailer da segunda parte:

Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.