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Doctor Who 12×8: The Haunting of Villa Diodati | Review

Doctor Who 12×8: The Haunting of Villa Diodati | Review

[SPOILERS] A 12ª temporada de Doctor Who está chegando na sua reta final e, para introduzir o clímax, nada melhor do que um episódio impressionante e cheio de referências como The Haunting of Villa Diodati. Além de apresentar mais personagens históricos, reencontramos um inimigo consagrado da Senhora do Tempo.

A trama se desenrola na Villa Diodati, mansão alugada por Lord Byron (Jacob Collins-Levy) em 1816. O poeta está reunido com Mary Shelley (Lili Miller), John Polidori (Maxin Baldry) e Claire Clairmont (Nadia Parkes), quando a Doutora (Jodie Whittaker) e seus companheiros batem à porta em meio à tempestade. O objetivo deles é testemunhar a noite em que o clássico Frankenstein seria escrito por Mary, porém acontecimentos estranhos parecem desviar o curso da História. O que eles descobrem logo em seguida é que a casa está envolvida por um filtro de percepção cuja finalidade é manter do lado de fora um visitante indesejado: Ashad, o Cyberman Solitário (Patrick O’Kane).

the haunting of villa diodati doctor e companions

Essa é mais uma aparição do vilão clássico de Doctor Who, mas a cada vez que os Cybermen surgem, eles contam com alguma diferença ou releitura das versões anteriores. Desde sua primeira aparição na Série Atual em Rise of The Cybermen — quinto episódio da segunda temporada — a raça de ciborgues apresentou diversas variações na aparência. Agora vemos um cyberman inacabado, com um visual sinistro e decrépito, que ainda possui traços de antigas emoções humanas. O resultado é no mínimo perturbador e surpreendente.

the haunting of villa diodati cyberman solitário

O retorno dessa ameaça e outros elementos em The Hautning of Villa Diodati remetem a diversos episódios, tanto da temporada atual quanto das anteriores. O primeiro a ser mencionado é The Fugitive of The Judoon, no qual o Capitão Jack (John Barrowman) faz o alerta sobre o Cyberman Solitário e o perigo que ele representa, aumentando ainda mais a tensão quando ele enfim entra em cena. Mesmo assim a Doutora não se intimida e diz que não perderá mais ninguém para “isso”. Claramente ela está se referindo a Bill Potts (Pearl Mackie), que foi transformada em um cyberman mondasiano em World Enough and Time (S10e11). Voltando um pouco mais no tempo, não podemos nos esquecer da dramática despedida de Rose Tyler (Billie Piper) em Doomsday (S2e13), que foi motivada por uma guerra entre Daleks e Cybermen. Ou seja, motivos não faltam para que a Doctor enfrente esse adversário com todas as forças.

Os personagens históricos que participam desse episódio não são os primeiros escritores a dar as caras no programa. Impossível não lembrar de Charles Dickens, William Shakespeare e Agatha Christie em suas respectivas aparições, as quais comentamos no Leituracast 9 sobre participações literárias na série. Ainda sobrou espaço para uma rápida referência a Spyfall: Part Two quando a Doutora conta a Lord Byron que conheceu sua filha, Ada Lovelace (Sylvie Briggs).

Doctor Who tem muita consideração pelas figuras reais que já passaram pela série, mas especialmente pelos escritores e poetas. O poder e a importância que são atribuídos aos seus trabalhos para a História da humanidade chega a comover. Tanto que a Doutora tem uma fala de muito peso nesse episódio ao defender a vida de Percy Shelley (Lewis Rainer): “Palavras importam. Uma morte, uma onda”. A valorização da vida e do poder das palavras é uma característica marcante do Doutor em qualquer regeneração e isso é reforçado com essa afirmação. Uma homenagem semelhante à escrita é vista em A Menina Que Roubava Livros, obra igualmente tocante e repleta de mensagens assim como esta série.

the haunting of villa diodati doctor gif

Chega a ser engraçado como as intervenções da Senhora do Tempo servem de inspiração para os autores escreverem seus clássicos. Ela retorna ao passado para ver a concepção de romances e poemas, mas é a sua participação que possibilita isso, gerando um paradoxo divertido de ser analisado. O mesmo acontece com Mary Shelley e sua ideia de escrever Frankenstein baseada no Cyberman Solitário ou, nas palavras dela, O Prometeu Moderno, título pelo qual sua obra-prima também é conhecida.

The Haunting of Villa Diodati acerta em vários pontos e o roteiro repleto de referências e conexões faz um gancho sensacional para os dois últimos episódios, Ascension of The Cybermen e The Timeless Children. Esse, sim, é um clímax digno de encerrar mais uma temporada prometendo muitas emoções e reviravoltas.

Ficha técnica:

  •  Episódio: 12×08 – The Haunting of Villa Diodati
  •  Data de exibição: 20 de março de 2020
  •  Roteiro: Maxine Alderton
  •  Direção: Emma Sullivan
  • Duração: 49 minutos
  • Elenco: Jodie Whittaker (Décima terceira Doutora), Bradley Walsh (Graham O’Brien), Tosin Cole (Ryan Sinclair), Mandip Gill (Yasmin Khan).
  • Elenco convidado: Jacob Collins-Levy (Lord Byron), Lili Miller (Mary Shelley), Nadia Parkes (Claire Clairmont), Maxim Baldry (John Polidori), Patrick O’Kane (Ashad), Lewis Rainer (Percy Shelley), entre outros.

Assista ao trailer:

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Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.