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Doctor Who 12×10: The Timeless Children | Review

Doctor Who 12×10: The Timeless Children | Review

[SPOILERSDoctor Who finalmente chegou à conclusão de sua 12ª temporada! E isso não poderia ter acontecido de maneira mais surpreendente e polêmica, pois The Timeless Children está dividindo opiniões entre whovians por todo o mundo e levantando muitas questões sobre o futuro da série.

Dando continuação à Ascension of the Cybermen, o episódio começa com a Doutora (Jodie Whittaker) acompanhando o Mestre (Sacha Dhawan) para além da Fronteira que leva até as ruínas de Gallifrey. Ela é obrigada a abandonar seus companheiros, deixando-os por conta própria para lidar com o exército cyber, enquanto o Mestre finalmente revela seu segredo perturbador.

Mais uma vez temos três núcleos de personagens tentando se reunir. Na nave cargueiro, Graham (Bradley Walsh) e Yas (Mandip Gill) bolam um plano ousado para escapar dos Cybermen. Eles ainda têm tempo para um diálogo tocante onde ambos reconhecem suas qualidades e reforçam a importância que nitidamente vinham ganhando nessa temporada. Já em terra firme, Ryan (Tosin Cole), Ethan (Matt Carver) e Ko Sharmus (Ian McElhinney) enfrentam uma tropa de ciborgues designados para matá-los. A trama central, porém, gira em torno do Mestre e da Doutora e do segredo que somente eles compartilham em seu planeta natal.

Através de diálogos intensos, o Mestre conduz a Senhora do Tempo pelos destroços de Gallifrey, relembrando o passado dos dois na Cidadela. A atuação de Sacha Dhawan é tão marcante que evidencia toda a insanidade dessa regeneração do Mestre, toda a fúria incontida e o ódio por sua adversária. Jodie, por sua vez, não fica atrás e mostra uma carga emocional que até então não tinha sido explorada na 13ª Doutora. Ao mesmo tempo, ela está com raiva, insegura e confusa com tudo que está ouvindo e essas coisas têm um efeito significativo sobre ela.

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A conversa entre os dois rende diversas referências, especialmente à Série Clássica. Quem já a acompanhou pode compreendê-las com clareza, e aqueles que ainda não viram conseguem ter uma ideia da relação profunda entre a Doctor e seu antagonista. A respeito da Série Atual, temos o retorno da misteriosa Doutora interpretada por Jo Martin em Fugitive of The Judoon dialogando com a 13ª na Matrix. Inclusive, a forma como a Senhora do Tempo escapa de lá é muito semelhante ao que o 11º Doutor (Matt Smith) fez em Rings of Akhaten (S07E07), onde ele sobrecarrega um deus parasita com as suas memórias. Outra coisa em comum entre os episódios é a trilha sonora inesquecível: The Long Song enquanto Matt derrota a divindade e o tema de Doctor Who, no momento em que Jodie libera suas lembranças. Ela faz isso novamente dentro da Matrix e, nessa hora, podemos ver flashes rápidos de suas outras regenerações até a primeira, de William Hartnell.

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Bom, não exatamente a primeira, pelo que descobrimos em The Timeless Children. A grande revelação do episódio está na origem de Gallifrey. O Mestre conta a história de Tecteun (Seyla Baxter) e como ela encontrou uma criança abandonada sob um portal para outro universo. A partir da capacidade de regeneração dessa criança, a mulher modificou o DNA dos habitantes de seu próprio planeta e assim surgiram os Senhores do Tempo. Isso, por si só, já é bastante surpreendente, contudo o que vem a seguir é ainda mais: a Criança Atemporal em questão é a própria Doutora, que teve suas memórias apagadas inúmeras vezes desde então.

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A participação de Brendan (Evan McCabe) nesse contexto é muito importante, pois foi a única pista deixada por Tecteun caso a Doutora quisesse saber a verdade algum dia. O Mestre descobriu essas “lembranças” na Matrix e as transmitiu telepaticamente para a Doctor. A história do policial irlandês não passa de um filtro de percepção para disfarçar o que aconteceu: a forma como ele foi encontrado e a queda que deveria matá-lo, mas não matou; tudo isso aconteceu de fato com a Criança Atemporal, com a Doutora no caso, até ela ser recrutada para a Divisão e ter suas memorias constantemente apagadas. O próximo passo dos produtores do programa é desenvolver essa Divisão e como ela age por debaixo dos panos.

Essa é a grande polêmica do episódio pois, enquanto muitos fãs gostaram da revelação, outros simplesmente detestaram. Essa divergência de opiniões é compreensível pois levanta muitos questionamentos a respeito do futuro da série, além de contradizer algumas coisas que foram ditas antes. Por exemplo, a regeneração de Matt Smith, o 11º Doutor, deveria ser a última do ciclo, mas em The Time of the Doctor (especial de Natal de 2013) ele ganha um novo ciclo de regenerações. Sendo ele a Criança Atemporal, isso não seria necessário, o que anula a relevância do que ocorreu no especial.

Mesmo assim, é possível que haja uma explicação razoável para isso, quem sabe até mesmo o fato de ninguém saber que ele não precisaria ganhar um novo ciclo. De qualquer forma, essa revelação dá novo fôlego ao programa, visto que regenerações ilimitadas acabam com o problema de um dia a série ter que acabar por chegar ao limite de encarnações do Doutor outa vez.

No desfecho da season finale, vemos o último embate entre a Doutora e o Mestre antes que a Partícula da Morte fosse liberada, destruindo todos os CyberMestres. Ela fica a um passo de se tornar aquilo que seu inimigo planeja, ou seja, alguém como ele próprio. Mas felizmente ela percebe isso antes de se sacrificar e possibilita que Ko Sharmus assuma seu lugar dando um fim a tudo. Agora fica a questão de como o Mestre retornará, pois sabemos que isso vai acontecer de algum jeito, afinal um personagem clássico como esse não pode ter fim definitivo.

The Timeless Children já poder ser considerado um dos episódios mais marcantes de Doctor Who, tanto por aqueles que gostaram (nosso caso) quanto por quem não gostou tanto assim. Independentemente disso, esse capítulo da série significa um novo rumo dentro desse universo que vem sendo desenvolvido há mais de 50 anos por roteiristas, produtores e atores. Então todos deveriam esperar para ver o que vai rolar antes de declarar que “Doctor Who está morto”.

E se serve de consolo, logo teremos uma ideia de como será esse rumo, graças ao gancho que é feito para o especial Revolution of the Daleks, já confirmado pela BBC. É questão de tempo até que a Doutora fuja daquela prisão dos Judoon e decida o que fazer em seguida. Cabe a nós ficarmos otimistas quanto ao futuro.

Ficha técnica:

  •  Episódio: 12×09 – The Timeless Children
  •  Data de exibição: 02 de abril de 2020
  •  Roteiro: Chris Chibnall
  •  Direção: Jamie Magnus Stone
  • Duração: 65 minutos
  • Elenco: Jodie Whittaker (Décima terceira Doutora), Bradley Walsh (Graham O’Brien), Tosin Cole (Ryan Sinclair), Mandip Gill (Yasmin Khan).
  • Elenco convidado: Sacha Dhawan (Mestre), Patrick O’Kane (Ashad), Seyla Baxter (Tecteun), Jo Martin (The Doctor), Ian McElhinney (Ko Sharmus), Matt Carver (Ethan), entre outros.

Assista ao trailer:

Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.