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Séries | Doctor Who 11×8: The Witchfinders | Review

Séries | Doctor Who 11×8: The Witchfinders | Review

[SPOILERS] A décima primeira temporada de Doctor Who apresentou mais um episódio histórico. Porém, diferente de Rosa e Demons of The Punjab, The Witchfinders não possui a mesma profundidade, entregando uma trama que tinha tudo para se destacar, mas acaba se perdendo no fim.

Mais uma vez, o destino da Doutora (Jodie Whittaker) e seus companions foi escolhido pela TARDIS, que sempre sabe aonde levá-los, ou seja, onde há alguma coisa errada. Agora o problema é em Lancashire, no século XVII, em plena caça às bruxas. Contudo, a Doctor logo suspeita que existe algo muito pior do que bruxaria no vilarejo de Bilehust Cragg, então ela e seus amigos se identificam como caçadores de bruxas para descobrir o que está acontecendo. Eles só não contavam que o próprio rei James ia aparecer para liderar a caçada.

A presença da figura real é o que caracteriza The Witchfinders como outro episódio histórico. Além disso, o rei James é quem mais acrescenta à trama como um todo. A interpretação de Alan Cumming (que deu vida ao Noturno em X-men 2), torna o personagem intrigante, de forma que poderia nos surpreender a qualquer momento com uma atitude repentina. Seu lado machista também causa um confronto interessante com a regeneração de Jodie, enquanto a relação com Ryan (Tosin Cole) garante os momentos cômicos.

Fatos reais sobre a vida do rei e outros criados pelo roteiro de Joy Wilkinson foram citados rapidamente para embasar sua personalidade dúbia: por um lado, um religioso fanático e por outro um homem incapaz de confiar em alguém. A Doutora e James travam um diálogo rápido, mas intenso, sobre se esconderem atrás de seus respectivos títulos e podemos perceber que a acusação atinge a 13ª por um instante. Mas logo em seguida vemos a melhor característica do Doutor: tocar os outros através das palavras.

Nós somos todos iguais. Queremos estabilidade, segurança e acreditar que as pessoas são más ou heroicas. Mas as pessoas não são assim! Você quer saber os segredos da existência? Comece pelos mistérios do coração. Eu posso responder o que você quiser se parar de ter medo do que não compreende. Se você confiar em mim.”

Fora esses pontos, o episódio apresenta uma aura de suspense, chegando a flertar com o terror. A ficção científica fica em segundo plano para dar lugar a um clima místico e sobrenatural. Temos até a típica personagem fanática que usa a fé para mascarar suas próprias atitudes egoístas na pele de Becka Savage (Siobhan Finneran) e um segredo escondido. Entretanto essa atmosfera é deixada de lado perto do fim.

Isso acontece devido a aparição repentina dos Morax, mais uma raça de vilões alienígenas que nos é apresentada. Depois de uma explicação pouco convincente de que eles escaparam de uma prisão na Terra, temos que aceitar que tudo não passou da batida fórmula “leve-me ao seu líder, vamos dominar o mundo”. Está certo que desde o início a Doutora estava convencida de que se tratava de uma ameaça extraterrestre, mas todos esperávamos por algo mais sutil e obscuro, condizente com o ambiente construído.

Depois dessa revelação, o roteiro parece correr para solucionar o problema dentro dos 45 minutos de duração do capítulo, o que contribuiu ainda mais para o estranhamento de The Witchfinders. Assim, o resultado foi um episódio de viagem ao passado com um pequeno diálogo da Doctor digno de nota, uma figura histórica complexa, mas no geral soa superficial, ficando muito abaixo da expectativa.

Ficha técnica:

  • Episódio: 11×8: The Witchfinders
  • Data de exibição: 25 de novembro de 2018
  • Roteiro: Joy Wilkinson
  • Direção: Sallie Aprahamian
  • Duração: 46 minutos
  • Elenco: Jodie Whittaker (Décima terceira Doutora), Bradley Walsh (Graham O’Brien), Tosin Cole (Ryan Sinclair), Mandip Gill (Yasmin Khan).
  • Elenco convidado: Alan Cumming (rei James), Siobhan Finneran (Becka Savage), Tilly Steele (Willa), entre outros.

Assista ao trailer:

Veja o nosso review sobre os episódios anteriores

Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.