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Séries | Doctor Who 11×5: The Tsuranga Conundrum | Review

Séries | Doctor Who 11×5: The Tsuranga Conundrum | Review

[SPOILERSThe Tsuranga Conundrum (O Enigma de Tsuranga), quinto episódio da 11ª temporada de Doctor Who, foi o mais fraco em termos de trama original até o momento, apresentando um vilão um tanto quanto “fofo”, porém letal. Mas também deu mais um passo na construção dos personagens, além de trazer um sentimento nostálgico de episódios semelhantes em temporadas anteriores.

A aventura começa com a Doutora (Jodie Whittaker) e seus companions em Seffilun 27, um planeta-lixeira. Eles estão procurando algum objeto em meio ao ferro-velho quando, de repente, ativam uma mina sônica. Depois de serem atingidos pela explosão, eles acordam na Tsuranga, uma nave espacial que funciona como um centro hospitalar. Os problemas de verdade começam quando uma criatura que se alimenta de qualquer material inorgânico invade a espaçonave para devorar sua fonte de energia.

A nostalgia desse episódio se refere a outros momentos onde o Doctor caiu em uma nave com pessoas desconhecidas a bordo e teve de assumir a liderança para salvar a vida de todos. Isso aconteceu no especial de Natal de 2007, Voyage of the Damned, onde o 10º Doutor (David Tennant) embarca na nave Titanic, e também no décimo capítulo da quarta temporada, Midnight, no qual o 10º passou por momentos tensos durante uma excursão sobre um planeta aparentemente inabitado. Em todos esses casos, uma ameaça alienígena punha em risco a tripulação e os passageiros, obrigando-os a cooperarem de alguma forma.

Entretanto, o vilão de The Tsuranga Conundrum é bem diferente dos outros na sua aparência e forma de agir. Trata-se do Pting, um bichinho simpático que parece ter saído do mundo de Lilo e Stitch, mas que na verdade representa um grande perigo. Ele não é tão marcante, assim como nenhum vilão dessa temporada foi até agora, porém serve como ponto de partida para criar a interação entre os diferentes personagens.

Primeiro descobrimos mais um pouco sobre o passado de Ryan (Tosin Cole) e sua relação com o pai. Dentre os companions, podemos ver que ele é quem possui mais camadas a serem exploradas, o que justifica o destaque que vem recebendo. Ficamos sabendo que ele passou pela experiência traumatizante de encontrar o corpo da mãe aos 13 anos e depois foi deixado pelo pai para viver com a avó. Essas revelações vêm logo após ele ter uma conversa com um dos pacientes da nave, Yoss (Jack Shalloo), um homem da raça dos Gifftan que está grávido (sim, isso mesmo). E a relação dos dois, juntamente com Graham (Bradley Walsh), se aprofunda ainda mais na hora do parto quando o companion mais jovem afirma a capacidade que Yoss tem para assumir a paternidade e cuidar do filho como um bom pai deveria fazer.

Em outro ponto temos a relação difícil entre dois irmãos, o engenheiro Durkas Cicero (Ben Bailey-Smith) e a irmã, a piloto veterana Eve Cicero (Suzanne Packer). Dos personagens coadjuvantes, esses são os que mais contribuem para a solução do problema contra o Pting, mas recaem no clichê de reconhecerem o valor um do outro apenas na hora da morte. Junto deles há também Ronan (David Shields), só que infelizmente o android é muito mal aproveitado. Certamente ele poderia ter tido um papel mais importante visto que era o único a não ser afetado pelo veneno do Stitch (digo, Pting).

Contudo, quem nitidamente foi deixada de lado pelo roteiro de maneira injusta foi a médica Mabli (Lois Chimimba). Após a morte de seu colega de trabalho, o peso da responsabilidade pela Tsuranga passa para as mãos dela. Isso já indicava que haveria um crescimento da personagem. Para confirmar isso, ela aparece em uma cena junto com a Doutora, onde a timelady afirma que a solução para derrotar o Pting é um enigma (daí vem o nome do episódio) e que a reposta para tal enigma deve ser dada pela médica, da mesma forma como ela medica um paciente. Mas não é a Mabli quem faz isso. Sua função se resume apenas a auxiliar Yoss no trabalho de parto enquanto a própria Doctor descobre a forma de eliminar o perigo.

Mesmo assim, um detalhe interessante não deve ter passado despercebido: a médica possui câmeras oculares que registram tudo o que ela vê. No terceiro episódio da primeira temporada de Black MirrorThe Entire History of You, estrelado pela nossa querida Jodie – a série apresenta pela primeira vez essa ferramenta ao público.

The Tsuranga Conundrum pode não ter sido um dos episódios mais emocionantes, mas faz uma ponte com o que ainda está por vir na nova fase de Doctor Who. Com a ameaça derrotada, ainda restam algumas questões em aberto que certamente serão abordadas no próximo episódio: a Doutora vai conseguir retornar a Seffilun 27 para recuperar a TARDIS? Na verdade, será que a nave ainda estará lá? E, afinal de contas, o que eles estavam procurando no meio de todo aquele lixo tecnológico?

Ficha técnica:

  • Episódio: 11×5 The Tsuranga Conundrum
  • Data de exibição: 4 de novembro de 2018
  • Roteiro: Chris Chibnall
  • Direção: Jennifer Perrott
  • Duração: 50 minutos
  • Elenco:  Jodie Whittaker (Décima terceira Doutora), Bradley Walsh (Graham O’Brien), Tosin Cole (Ryan Sinclair), Mandip Gill (Yasmin Khan)
  • Elenco convidado: Jack Shalloo (Yoss), Ben Bailey-Smith (Durkas Cicero), Suzanne Packer (Eve Cicero), David Shields (Ronan), Lois Chimimba (Mabli), Brett Goldstein (Astos).

Assista ao trailer:

Veja o nosso review sobre os episódios anteriores

Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.