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Séries | The Gifted – primeira temporada | Crítica

Séries | The Gifted – primeira temporada | Crítica

Quando os X-Men surgiram em meados da década de 1960 era clara a ideia de seus criadores, Stan Lee e Jack Kirby, de debater o preconceito com base nos protestos por direitos civis de negros. Não é a toa, inclusive, que as figuras do Professor X e Magneto são inspiradas em dois grandes lideres ativistas desse periodo: Martin Luther King e Macolm X. Atualmente, o debate continua mais atual do que nunca e a série The Gifted está aí como prova.

Na trama, ambientada no universo dos X-Men, acompanhamos os Strucker, uma família que descobre o gene x em seus filhos. Forçados a fugir de um governo anti-mutante e de Sentinelas, eles se unem a um grupo clandestino de mutantes que precisa lutar para sobreviver. Com base em uma premissa como essa, é fácil acreditar que se trata de uma série com muito suspense e aventura. E isso não deixa de ser verdade, mas o que torna The Gifted algo realmente interessante é o seu subtexto da luta por coexistência com a diferença, nesse caso entre humanos e mutantes. 

Apesar da familia Strucker ter o protagonismo, em especial os jovens Lauren e Andy (Natalie Alyn Lind e Percy Hynes White), o peso do preconceito é abordado em vários personagens que o sentem na pele. Entre eles, vale citar o principal grupo de mutantes da resistência composto por: John Produstar (Blair Redford) Eclipse (Sean Tale), Polaris (Emma Dumont), Blink (Jaime Chung) e Belos-Sonhos (Elena Satine). Para quem já viu algum dos filmes dos X-Men ou a animação de 1995, fica difícil reconhecer alguns desses nomes citados. Felizmente, este detalhe não chega a ser nem de longe um problema. O roteiro de The Gifted os apresenta de forma muito simples, sem que precisemos de alguma informação adicional. Por outro lado, para quem já conhece alguma coisa a respeito deste universo assistir esta temporada acaba sendo uma tarefa ainda mais prazerosa.

Um exemplo disso está na citação de personagens mais conhecidos como Magneto. No caso do vilão clássico, a citação é mais do que necessária por conta de seu parentesco com Polaris. Além de ter poderes parecidos com o seu pai, a mutante tem como característica adicional uma personalidade bipolar. Este detalhe aliado ao seu jeito rebelde serve como ponto de partida para ótimas cenas de ação em vários momentos desta primeira temporada. Curiosamente, seu namorado Eclipse serve muitas vezes como contraponto as ações dela em momentos tensos e isso o coloca em uma posição parecida com a do Prof. X.

Outro ponto de destaque é a relação dos mutantes em formação e a necessidade de sobrevivência. É angustiante como o tempo na série parece cada vez mais escasso quando Lauren e Andy tentam aprender como controlar seus poderes. Como parte da resistência, eles estão sempre precisando fugir ou se defender dos ataques realizados por humanos. Nesse sentido, aqueles que conhecem um pouco mais do universo mutante ficarão felizes ao ver a relação dos irmãos com uma dupla de vilões conhecida pelo sobrenome Strucker.

Falando em vilania, esta talvez seja uma das maiores qualidades de The Gifted. Mesmo que o principal vilão seja o ser humano e seu preconceito, a série vai trabalhando aos poucos outros potenciais inimigos da resistência mutante. O mais interessante é como este embate serve como metáfora para a realidade, como o caso de um Presidente Americano com uma visão xenófoba em relação aos imigrantes. Vale também o destaque para um evento especifico, que é mostrado em flashback, que serve como catalisador para que a população odeie ainda mais os mutantes. Em outras palavras, é algo parecido com o efeito pós-atentado as Torres Gêmeas.

Enfim, The Gifted é mais um exemplo (assim como Logan) de produção de qualidade inspirada em histórias em quadrinhos. Mesmo não sendo uma adaptação direta, a produção obteve êxito ao ter um produto final interessante capaz de captar a essência do universo mutante. Fica a esperança para que esta qualidade se mantenha na segunda temporada. Potencial para isso não falta.

Assista ao trailer:

 

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Sobre Marcus Alencar

Apresentador do Leituracast, Jornalista, blogueiro e um homem de diversas paixões. Amo quadrinhos, cinema e literatura, mas não necessariamente nessa ordem. Acima de tudo, amo a forma como esses meios de comunicação conseguem produzir obras capazes de nos tirar do lugar-comum e propiciar a reflexão. No caso dos livros, destaco toda a saga de Percy Jackson nas séries de livros do escritor Rick Riordan. Não sei se foi à identificação quase que imediata com o personagem central ou fato de sempre me interessar por mitologia grega, mas o importante é que esses livros despertaram de forma mágica meu interesse pela leitura assim como outras grandes obras já fizeram o mesmo comigo em outros períodos e de formas diferentes. Enfim, ler pra mim é uma viagem especial e mágica que sempre farei com muito prazer em qualquer época da minha vida