Séries | La Casa de Papel – primeira temporada | Crítica

Séries | La Casa de Papel – primeira temporada | Crítica

O grande mérito de uma história com anti-heróis é quando o público se apaixona por eles. Quando menos se espera, o coração de todos está sendo roubado por pessoas do lado errado da lei, moralmente questionáveis, estranhas mas com um carisma irresistível. Nesse momento, a única saída é continuar sendo refém desses personagens que apesar de suas ações têm um lado humano. Esse é o caso de La Casa de Papel, série espanhola criada por Álex Pina para Antena 3 que recentemente entrou no catalogo da Netflix se tornando rapidamente um dos maiores sucessos do serviço de streaming.

Em La Casa de Papel, acompanhamos oito ladrões que se trancam com reféns na Casa da Moeda da Espanha. Do lado de fora, seu líder, O Professor (Álvaro Morte) manipula a polícia para garantir o sucesso do plano. Por questão de segurança, cada membro deste grupo é identificado por nomes de cidades. Entram em cena Tóquio (Úrsula Corberó), Berlim (Pedro Alonso), Nairóbi (Alba Flores), Rio (Miguel Herrán), Moscou (Paco Tous), Denver (Jaime Lorente), Helsinque (Darko Peric) e Oslo (Roberto García Ruiz).

A primeira impressão que fica sobre a trama é que se trata de algo que já foi visto antes, principalmente no cinema americano como é o caso de Plano Perfeito (2006) e a trilogia iniciada com o remake Onze Homens e um Segredo (2001). No entanto, mesmo com essas similaridades a série pode lembrar um grande sucesso televisivo: Breaking Bad.

Na produção de Vince Gilligan, facilmente compreendemos o que torna Walter White (Bryan Cranston) um personagem tão forte e carismático. Somos levados a entender seus motivos e ações, mesmo que não concordemos com ele. Com La Casa de Papel, algo parecido ocorre quando em cada episódio vamos conhecendo grande parte do grupo de ladrões. Aqui, inclusive, fica uma crítica já que muitos desses personagens são bem desenvolvidos enquanto outros acabam se tornando dispensáveis. Tóquio certamente é um exemplo do primeiro caso enquanto a dupla Helsinque e Oslo torna-se algo tão importante quanto um “peso de porta”.

Sobre a personagem da atriz Úrsula Corberó, vale destacar que a mesma acaba servindo como narradora em alguns episódios. Este é um recurso bem utilizado em vários momentos, principalmente no inicio do roubo. Infelizmente, o roteiro parece esquecer disso e tira este ‘protagonismo’ dela. Seria interessante se outros personagens também fizessem este mesmo papel pois desse modo teríamos também o ponto de vista deles. Outro ponto que é metade positivo e negativo está no relacionamento dela com Rio. Apesar da boa química entre eles, isto não acrescenta muito à trama e perde força rapidamente. Na verdade, só serve para mostrar como algumas regras do Professor podem ser facilmente quebradas comprovando que o seu grande plano não é a prova de falhas.

Alias, sobre O Professor, vale um parágrafo a parte. Um motivo para isso é que o roteiro da série sempre nos convence da inteligência estratégica dele. É como se ele na verdade estivesse jogando uma grande partida de xadrez com a policia que é, em grande parte, representada pela figura da inspetora Raquel Murillo (Itziar Ituño). Graças a este detalhe, somos presenteados com uma boa história de suspense. Aliás, o ator Álvaro Morte sabe dosar muito bem as situações em que o líder do grupo precisa ser calculista e atuar como uma pessoa normal preocupada com a situação dos reféns. Tudo para não despertar suspeitas sobre sua identidade, outro tema que vive rodeando ele com comentários comparando-o a Clark Kent e Superman.

Por último, mas com certeza não menos importante fica um elogio a Berlim. É aquele tipo de personagem que o público facilmente irá odiar e amar com a mesma intensidade. E, por incrível que pareça, não conseguirá se decidir qual sentimento será mais intenso porque é exatamente isso que La Casa de Papel faz com quem está assistindo. Prende a atenção e mexe com as emoções. Quando menos se espera, todos irão querer jogar dinheiro pro alto, cantar “Bella Ciao”, de Manu Pilas, (uma espécie de hino do grupo) com armas na mão enquanto aguardam a segunda temporada. 

Obs: Sobre a 2ª temporada, um aviso é importante. A produção original exibida na Espanha teve sua primeira temporada dividida em duas partes sendo a primeira com 9 episódios e a segunda com 6. Na Netflix, esta primeira metade ficou com um total de 13 episódios. O restante será exibido posteriormente em abril com uma quantidade diferente conforme é explicado neste artigo.

Leia nossa crítica sobre a segunda parte de La Casa de Papel

Assista o trailer da primeira parte:

Sobre Marcus Alencar

Apresentador do Leituracast, Jornalista, blogueiro e um homem de diversas paixões. Amo quadrinhos, cinema e literatura, mas não necessariamente nessa ordem. Acima de tudo, amo a forma como esses meios de comunicação conseguem produzir obras capazes de nos tirar do lugar-comum e propiciar a reflexão. No caso dos livros, destaco toda a saga de Percy Jackson nas séries de livros do escritor Rick Riordan. Não sei se foi à identificação quase que imediata com o personagem central ou fato de sempre me interessar por mitologia grega, mas o importante é que esses livros despertaram de forma mágica meu interesse pela leitura assim como outras grandes obras já fizeram o mesmo comigo em outros períodos e de formas diferentes. Enfim, ler pra mim é uma viagem especial e mágica que sempre farei com muito prazer em qualquer época da minha vida