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Séries | Jessica Jones – segunda temporada (2018) | Crítica

Séries | Jessica Jones – segunda temporada (2018) | Crítica

Alerta: Este texto contém alguns spoilers da primeira e segunda temporada!

Em sua primeira temporada, Jessica Jones tinha em Killgrave (David Tennant) um grande trunfo e problema ao mesmo tempo. Apesar de ser um dos maiores vilões das séries Marvel/Netflix, sua presença monopolizava a narrativa como se não houvesse nada mais importante. Com esse elemento fora, temos a oportunidade de ver outras camadas da personalidade da protagonista e seus amigos. Além disso, o segundo ano da série também aborda a temática das relações de poder por um ângulo diferente.

Segundo a sinopse, a investigadora particular Jessica Jones está começando a recuperar sua vida após matar seu atormentador, Kilgrave. Agora que é conhecida em toda a cidade como uma assassina super-poderosa um novo caso faz com que, relutantemente, confronte seu passado traumático. O que aconteceu com ela após o acidente de carro que vitimou sua família? Como surgiram seus poderes? São perguntas como essas que Jessica buscará responder na investigação mais difícil de sua vida.

Com essa premissa inicial, fica a promessa de desvendarmos as origens da anti-heroína de Hell´s Kitchen. Este é um dos grandes acertos da produção que desenvolve ainda mais a característica principal de Jessica: a investigação. Entendemos como ela pensa e age no seu trabalho, o que fica ainda mais envolvente com sua narração pontual. É essa essência policial que traz o realismo necessário para a história que está sendo contada. Isso contrasta com sua participação em Os Defensores. Nada de ninjas ou a ameaça do Tentáculo. O que está em pauta é algo mais pessoal.

É neste contexto que a série cresce em qualidade. Tudo muda quando Jessica descobre que sua mãe, Alisa Jones (Janet McTeer), está viva. Este retorno inesperado redefine suas atitudes no presente ao mesmo tempo que permite uma volta ao passado. Em “Loucura, Loucura” , há um flashback que serve como história de origem onde podemos conhecer um outro lado da personagem. Não é a toa que em uma das cenas há um momento extremamente simbólico em relação ao seu visual que “Três vidas e contando” retoma sutilmente devido a sua importância.

Apesar de não referenciar nenhuma obra especifica, este relacionamento entre mãe e filha se assemelha com o drama de um personagem clássico da Marvel: O Hulk. Observando as duas, não há como deixar de traçar um paralelo com a eterna batalha por controle entre o monstro verde e Bruce Banner. No caso, a figura materna realiza
atos monstruosos por causa do descontrole de suas próprias emoções e ausência de responsabilidade. Jessica, por outro lado, incorpora a sabedoria de quem aprendeu na prática as consequências do abuso de poder.

Quando este equilíbrio se perde, surge a figura de Killgrave (David Tennant) de forma pontual e significativa. O retorno do vilão manipulador ocorre próximo do final da temporada e funciona como um recurso narrativo muito bem utilizado. Sua presença também relembra a temática do abuso que é abordada em diferentes tipo de relacionamento nesta temporada. Por exemplo, isso ocorre com o Dr. Karl Malus (Callum Keith Rennie) e Alisa. Mesmo sendo paciente, a mãe de Jessica se apaixona por ele como reflexo da Síndrome de Estocolmo.

Outra personagem que mostra lados diferentes dos efeitos de uma relação abusiva é Trish Walker (Rachael Taylor). Sua mãe, Dorothy Walker (Rebecca De Mornay), é um claro exemplo de alguém em posição de poder que explora a fama da filha até quando a mesma se recupera em um leito de hospital. Outro momento que merece destaque é quando Trish confronta uma figura do seu passado durante a investigação sobre o laboratório responsável pelos poderes de sua amiga. Nessa sequência, o público mais atento perceberá uma referência aos inúmeros casos de assédio em Hollywood.

Por conta de abordagens como essas, Jessica Jones encerra sua segunda temporada mais forte do que nunca, o que deve influenciar na renovação do um terceiro ano da série. Se há algo que esses 13 episódios ensinam é que as histórias desta investigadora particular tem muito potencial narrativo desde que sejam respeitadas em sua essência.

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Sobre Marcus Alencar

Apresentador do Leituracast, Jornalista, blogueiro e um homem de diversas paixões. Amo quadrinhos, cinema e literatura, mas não necessariamente nessa ordem. Acima de tudo, amo a forma como esses meios de comunicação conseguem produzir obras capazes de nos tirar do lugar-comum e propiciar a reflexão. No caso dos livros, destaco toda a saga de Percy Jackson nas séries de livros do escritor Rick Riordan. Não sei se foi à identificação quase que imediata com o personagem central ou fato de sempre me interessar por mitologia grega, mas o importante é que esses livros despertaram de forma mágica meu interesse pela leitura assim como outras grandes obras já fizeram o mesmo comigo em outros períodos e de formas diferentes. Enfim, ler pra mim é uma viagem especial e mágica que sempre farei com muito prazer em qualquer época da minha vida