Séries | Fugitivos – primeira temporada | Crítica

Séries | Fugitivos – primeira temporada | Crítica

Os super-heróis na tv deixaram de ser novidade há muito tempo. Por esse motivo, há sempre o receio de uma nova série entregar mais do mesmo ou ter uma qualidade abaixo do esperado. Punho de Ferro é um exemplo disso. Por outro lado, isto não é motivo para perder as esperanças. Fugitivos está ai pra provar o contrário. Na trama, o grupo de adolescentes formado por Alex, Nico, Gert, Chase, Karolina e Molly investiga e tenta derrubar uma organização criminosa conhecida como Orgulho após descobrirem que seus pais fazem parte dela.

Apesar da premissa inicial ser a mesma dos quadrinhos, Fugitivos segue um caminho diferente ao focar mais no desenvolvimento de seus personagens principais e menos na aventura “quadrinhesca”. Um detalhe como esse traz um grande risco para o alcance de um público maior, principalmente aquele que é fãs das HQs. Se esse é o seu caso, não espere por referências explicitas ao restante do Universo Marvel ou até mesmo visuais mais estilizados. Por conta disso, a adaptação ganha vida própria e não depende exclusivamente do material base criado pela dupla Brain K. Vaughn e Adrian Alphona para a Marvel em 2003.

Em outras palavras, esta produção é uma uma releitura do tipo sombria e realista. Inclusive, o tom da série é bem próximo das produções Marvel/Netflix (Demolidor, Jessica Jones, Luke Cage e Justiceiro) tendo inclusive o mesmo número de episódios: 13. Aliás, essa quantidade praticamente salva o roteiro de ter algum filler e permite uma abordagem mais objetiva. Além disso, há um desenvolvimento satisfatório de cada integrante do grupo de adolescentes. Provavelmente, este retrato tão bem feito da adolescência se deve a experiência da dupla de criadores da série Stephanie Savage e Josh Schwartz, ambos responsáveis por séries como The O.C e Gossip Girl.

Por outro lado, quando o assunto é desenvolvimento de vilões a história é um pouco diferente. No caso dos pais dos protagonistas, temos uma versão mais humanizada e menos maniqueísta. E isso é interessante. Porém, fica difícil elogiar o vilão conhecido apenas como Jonah (Julian McMahon). Sua participação na série parece um tanto quanto aleatória. Conhecemos pouco do passado dele ou de seus poderes, algo que poderia ser muito bem explicado com alguns flashbacks. Felizmente, não é nada que não possa ser arrumado posteriormente na segunda temporada.

Em relação ao futuro, nada impede que Fugitivos abrace pra valer o lado fantasioso da trama original. Vale lembrar que nos quadrinhos existem personagens que são viajantes do tempo, mutantes, feiticeiros e alienígenas. De certo modo, as bases para utilização de qualquer elemento de um desses universos narrativos já existem por causa de filmes como Doutor Estranho (mistico) e Guardiões da Galaxia (cósmico). Isso, é claro, levando em consideração a vontade dos produtores em fazer este tipo de abordagem.

Por enquanto, com o fim desta temporada fica a alternativa para o público ver Fugitivos como uma opção de fuga das séries de super-heróis de sempre e ver figuras já conhecidas sob um contexto diferenciado.

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Sobre Marcus Alencar

Apresentador do Leituracast, Jornalista, blogueiro e um homem de diversas paixões. Amo quadrinhos, cinema e literatura, mas não necessariamente nessa ordem. Acima de tudo, amo a forma como esses meios de comunicação conseguem produzir obras capazes de nos tirar do lugar-comum e propiciar a reflexão. No caso dos livros, destaco toda a saga de Percy Jackson nas séries de livros do escritor Rick Riordan. Não sei se foi à identificação quase que imediata com o personagem central ou fato de sempre me interessar por mitologia grega, mas o importante é que esses livros despertaram de forma mágica meu interesse pela leitura assim como outras grandes obras já fizeram o mesmo comigo em outros períodos e de formas diferentes. Enfim, ler pra mim é uma viagem especial e mágica que sempre farei com muito prazer em qualquer época da minha vida