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Séries | Doctor Who 12×3: Orphan 55 | Review

Séries | Doctor Who 12×3: Orphan 55 | Review

[SPOILERS] A união de mistério e terror espacial não foi suficiente para salvar Orphan 55, o terceiro episódio da atual temporada de Doctor Who que tinha potencial para ser marcante. Ao invés disso, caminhou por soluções convenientes e dramas fracos em favor de uma mensagem sobre conscientização ambiental.

Na trama, A Doutora e seus amigos decidem que todos mereciam umas férias. Acidentalmente, Graham (Bradley Walsh) providencia isso ao conseguir um meio de teleporte para um resort de luxo em outro planeta. Porém, eles descobrem que o local esconde alguns segredos mortais. Entre eles, a identidade de monstros ferozes que estão atacando o Tranquility Spa.

De forma bem objetiva, Orphan 55 não perde tempo. A tranquilidade se esvai em questão de minutos quando a ameaça dos Dregs ganha forma. A aparência dos monstros da semana é assustadora e vai sendo revelada aos poucos a cada ataque, o que torna o sentimento de urgência cada vez maior. Esse aspecto do episódio recebe uma camada a mais com o mistério a respeito da real identidade deles e do que está acontecendo de verdade com o local. Como todo bom quebra-cabeça narrativo, as peças vão se encaixando aos poucos até descobrimos que aquele lugar é uma parte do Planeta Terra que se tornou um “planeta orfão” e que os Dregs são humanos alterados.

Infelizmente, aspectos positivos como esses se perdem quando percebemos que o roteiro escrito por Ed Hime opta por dramas familiares entre personagens secundários e alguns caminhos convenientes para a trama principal. Só para se ter ideia, há dois casos em que pais e filhos brigam para depois encontrarem algum tipo de reconciliação sem motivo convincente. Parece rápido e fácil, algo que em tese pode ser explicado pelo contexto de risco de morte. O outro exemplo de como a conveniência de roteiro é grande está na solução encontrada pela Doutora ao utilizar um vírus saltador para consertar o problema de teleporte.

Apesar disso, a reflexão deixada nos minutos finais de Orphan 55 consegue evitar um pouco do episódio se tornar algo totalmente esquecível. É interessante porque ecoa levemente Zygon Inversion (S9E8), mais precisamente na cena em que temos um dos grandes discursos do 11º Doutor (Peter Capaldi). Mesmo sendo um bom discurso da Doutora, ele tem um pequeno problema que tira o seu brilho. Durante a fala da Senhora do Tempo, ela diz que aquele é apenas um futuro possível e que pode ser evitado. Colocando dessa forma, fica a sensação de toda essa história pode algum dia nunca acontecer.

Em outras palavras, Orphan 55 diminuirá suas expectativas depois do ótimo two-parter que iniciou a temporada principalmente pelo roteiro preguiçoso. Mesmo um pequeno e bom detalhe não chega a ser o bastante para tornar o episódio memorável. Fica a esperança para que os mesmos erros não se repitam em Nikola Tesla’s Night of Terror.

Ficha Técnica:

  • Episódio: 12×03 – Orphan 55
  • Data de exibição: 14 de fevereiro de 2020
  • Roteiro: Ed Hime
  • Direção: Lee Haven Jones
  • Duração: 59 minutos
  • Elenco: Jodie Whittaker (Décima terceira Doutora), Bradley Walsh (Graham O’Brien), Tosin Cole (Ryan Sinclair), Mandip Gill (Yasmin Khan).
  • Elenco convidado: Laura Frase (Kane), James Buckley (Nevi), Gia Lodge-O’Meally (Bella), entre outros

Assista ao trailer:

Sobre Marcus Alencar

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Apresentador do Leituracast, Jornalista, blogueiro e um homem de diversas paixões. Amo quadrinhos, cinema e literatura, mas não necessariamente nessa ordem. Acima de tudo, amo a forma como esses meios de comunicação conseguem produzir obras capazes de nos tirar do lugar-comum e propiciar a reflexão. No caso dos livros, destaco toda a saga de Percy Jackson nas séries de livros do escritor Rick Riordan. Não sei se foi à identificação quase que imediata com o personagem central ou fato de sempre me interessar por mitologia grega, mas o importante é que esses livros despertaram de forma mágica meu interesse pela leitura assim como outras grandes obras já fizeram o mesmo comigo em outros períodos e de formas diferentes. Enfim, ler pra mim é uma viagem especial e mágica que sempre farei com muito prazer em qualquer época da minha vida