Capa » Cinema » Ação » Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa (2021) | Crítica COM SPOILERS
Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa (2021) | Crítica COM SPOILERS

Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa (2021) | Crítica COM SPOILERS

[ALERTA DE SPOILERS] O filme mais aguardado, especulado e comentado do ano chegou! Depois de muitos rumores, suposições e confirmações, Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa surge como mais um evento grandioso da Marvel nos cinemas. Mesmo apresentando aquilo que todos já esperávamos, o longa consegue ir além das expectativas e prepara o Peter Parker de Tom Holland para ser o verdadeiro Amigo da Vizinhança.

As suspeitas sobre a chegada do Aranhaverso ao MCU se confirmam ao longo filme. Depois que o feitiço do Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch) para fazer todos esquecerem que Peter Parker é o Homem-Aranha dá errado, as portas do multiverso se abrem e os vilões das outras versões do cabeça-de-teia vêm para este universo. Resolver o problema é aparentemente fácil: após recapturar todos os vilões, tudo o que Peter precisava fazer era deixar que Stephen Strange os mandasse de volta. Mas o rapaz não aceita que eles sejam devolvidos para seus respectivos universos para simplesmente morrerem, então resolve ajudá-los a ter uma segunda chance.

homem-aranha sem volta para casa doutor estranho

As coisas começam a dar realmente errado a partir daí. Qualquer um que visse a situação de fora teria certeza que tentar ajudar supervilões não é exatamente uma boa ideia, mas compaixão é justamente a essência do Homem-Aranha (desde que a gente ignore o modo Morte Súbita que ele ativou em Ultimato). Contudo, isso tem um custo muito alto. A traição do Duende Verde – que ganhou uma versão muito mais insana e maléfica com a brilhante atuação de Willem Dafoe – resultou não apenas na fuga dos vilões, mas também no acontecimento mais chocante da obra: a morte de tia May (Marisa Tomei).

homem-aranha sem volta para casa tia may

Essa sequência emocionante é o ponto de virada para Peter Parker. Depois de várias aparições do teioso de Tom Holland nos filmes da Marvel, finalmente ouvimos a frase clássica que define todo Homem-Aranha: “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”, dita por sua tia pouco antes de morrer. Por mais que Peter não entenda o peso dessa afirmação naquele momento, ele recebe ajuda de companheiros inesperados que o fazem compreender.

É nessa hora que vemos o momento mais aguardado por todos: o encontro das três versões do cabeça-de-teia do cinema. É nostálgico ver que nem Tobey Maguire nem Andrew Garfiled perderam a essência do personagem e conseguiram retornar ao papel como se fizessem isso sempre. A interação dos três rende cenas emocionantes, como aquela na qual cada um fala sobre seu momento mais obscuro causado pela perda de pessoas queridas. Porém o senso de humor também fala alto. Se um Aranha já é zoeiro, imagina em dose tripla? A inevitável pergunta sobre a produção de teia de Tobey, a suposta banda de rock chamada Vingadores e o teioso espetacular de Andrew são alguns dos vários momentos divertidos entre eles.

Mas o verdadeiro êxito de Homem Aranha: Sem Volta Para Casa é a redenção dos personagens, sejam heróis ou vilões. O Aranha de Tobey consegue impedir que o jovem Peter de Tom cometa o mesmo erro que ele e se deixe levar pelo sentimento de vingança; o personagem de Andrew finalmente perdoa a si mesmo por não ter conseguido salvar Gwen Stacy na cena comovente em que ele salva MJ (Zendaya) de uma morte muito semelhante; e o próprio Peter Parker de Holland coloca a segurança de todos acima de suas vontades e aceita ser esquecido pelo mundo.

homem-aranha sem volta para casa tom holland

Esse último fato significa a libertação do herói dentro do MCU. As críticas mais duras que o novo Amigo da Vizinhança recebia eram justamente por ficar à sombra de Tony Stark e continuar dependente de sua tecnologia mesmo depois da morte de seu mentor. Agora, ele volta às origens encarnando um Peter Parker anônimo, solitário e sem outros recursos além de sua própria inteligência. Isso será fundamental para a nova trilogia que já foi anunciada.

Por fim, mantendo o padrão Marvel, temos as cenas pós-credito. A primeira faz a introdução de Venom no MCU de forma sutil, mas brilhante. Ela só deixa a dúvida sobre se veremos o Eddie Brock de Tom Hardy contracenando com os outros personagens ou se o novo Venom será completamente diferente. A segunda cena é um teaser de Doutor Estranho 2, onde o Mago Supremo precisa enfrentar as consequências de ter aberto a passagem para os outros universos, além de encontrar Wanda e sua própria versão sombria que foi apresentada em What If…?

Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa é um evento cinematográfico não só para os fãs do cabeça-de-teia, mas para todos que curtem um bom filme de super-heróis em busca de redenção e um sentido para suas vidas. Junto com Vingadores: Guerra Infinita e Ultimato, este sem dúvida já se tornou um dos maiores sucessos da história da Marvel.

Ficha técnica:

  • Data de lançamento: 16 de dezembro de 2021
  • Gênero: ação, aventura, super-heróis
  • Duração: 2h28min
  • Direção: Jon Watts
  • Elenco: Tom Holland (Peter Parker/Homem-Aranha),  Tobey Maguire (Peter Parker/Homem-Aranha), Andrew Garfield (Peter Parker/Homem-Aranha), Zendaya (MJ), Alfred Molina (Dr. Octopus), Willem Dafoe (Duende Verde), Jamie Foxx (Electro), Rhys Ifans (Lagarto), Thomas Haden Church (Homem-Areia), Marisa Tomei (Tia May), entre outros.

Confira o trailer de Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa

Conteúdo relacionado:

Sobre Mozer Dias

Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.