Cinema | O Homem nas Trevas (Don’t Breathe) – Crítica

Cinema | O Homem nas Trevas (Don’t Breathe) – Crítica

O Leituraverso teve seu início voltado para as obras literárias e as adaptações para cinema e TV derivadas de livros e quadrinhos. Mas como o site está passando por uma nova fase – expandindo seus horizontes – abrimos um espaço totalmente dedicado à Sétima Arte.  Pois muitas vezes nos deparamos com um filme sobre o qual simplesmente não podemos deixar de comentar ou recomendar. Assim estreamos essa coluna de críticas, notícias e novidades do universo cinematográfico. Esperamos que vocês gostem e sintam-se a vontade para deixar sua opinião!

Filmes de terror e suspense estão cada vez mais fracos ultimamente. Por isso, quando assistimos a um que realmente vale a pena, precisamos comentar sobre ele. E neste caso, o filme em questão é O Homem nas Trevas (no original, Don’t Breathe), de 2016, dirigido pelo uruguaio Fede Alvarez (A Morte do Demônio, 2013) e produzido por Sam Raimi (trilogia Homem Aranha).

O filme conta como três jovens que ganham a vida invadindo casas e roubando objetos de valor se deparam com uma oportunidade aparentemente fácil: invadir a casa de um velho solitário, que perdeu a visão durante a guerra, e roubar uma quantia enorme em dinheiro. Porém, este velho é um veterano de guerra que possui muitos segredos. De repente, a situação foge ao controle e os três invasores se veem encurralados em uma casa antiga e precisam lutar para sair dali com vida.

A premissa não é das mais originais, mas a forma como a trama é contada e o papel que cada personagem desempenha dão à película uma atmosfera própria. O espectador pode pensar: “mas o cara não enxerga! Bate nele e vai embora!”. Contudo não é tão fácil assim. Com uma arma nas mãos, o Homem Cego se mostra tão perigoso quanto qualquer psicopata. A velha casa, cercada de janelas com grades e diversos cadeados, também é um território conhecido para ele, que pode se mover de um cômodo a outro com uma agilidade surpreendente (e assustadora!). Além, é claro, do seu “pequeno” rottweiler, que chega a ser mais medonho que o próprio dono.

O mérito maior fica para a cena no porão da casa. Os intrusos experimentam a forma como o Homem Cego “vê” o mundo: escuridão total. Toda a sequência é feita com uma câmera especial para que os espectadores possam acompanhar o que está acontecendo e isso acrescenta um toque arrepiante a tudo. Esse é um dos momentos de maior apreensão, dando um sentido literal ao titulo da obra.

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Apesar de ser classificado com o gênero de terror, o suspense e a tensão se sobressaem. A direção do filme acertou ao se valer dos sons ambientes, amplificando-os para dar mais intensidade às cenas. O ranger das tábuas da casa, as respirações ofegantes, o som ensurdecedor dos disparos de armas, tudo foi usado de forma a estimular os demais sentidos além da visão para prender a atenção e de repente… BUM! Aquele susto “agradável”, que todo filme de terror que se preze, deve ter.

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Sendo assim, O Homem nas Trevas é uma ótima pedida para quem gosta de tomar sustos e ficar preso à poltrona do começo ao fim. Um filme que cumpre o que promete sem “forçar a barra”, confirmando que valeu a pena investir seu tempo nesse suspense envolvente.

Ficha técnica

  • Diretor: Fede Alvarez
  • Produtor: Sam Raimi
  • Elenco: Stephen Logan (the Blind Man), Jane Levy(Rocky), Dylan Minnette (Alex), Daniel Zovatto (Money)

 

Assista ao trailer!

Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro e blogueiro. Apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, ser um profissional da área de exatas, porém manter sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.