Cinema | Logan | Crítica

Cinema | Logan | Crítica

Há 17 anos, estreava X-men – O Filme e com ele surgia uma das figuras mais icônicas dos filmes de heróis: Wolverine. Daí em diante, o mutante durão e mal encarado apareceu em outros longas da franquia e teve seus próprios filmes solo, mesmo que a qualidade destes divida as opiniões. Agora, seu ciclo se encerra com Logan, o último filme no qual Hugh Jackman dá vida ao personagem mais marcante de sua carreira.

O ano é 2029. Logo de cara somos apresentados a um Logan velho e doente, que ganha a vida trabalhando como chofer de limusine para cuidar do Professor Xavier (Patrick Stewart), o qual se encontra debilitado física e mentalmente. Enquanto convive com a amargura, buscando consolo na bebida, Wolverine é procurado por uma mulher que pede proteção para Laura / X-23 (Dafne Keen), uma menina com dons especiais. Mesmo contra sua vontade, Logan é obrigado a tomar uma decisão, pois o mercenário Donald Pierce (Boyd Holbrook) o está perseguindo para encontrar a garota.

A principal diferença deste filme para os anteriores é a forma como ele foi produzido. Nos quadrinhos, o mutante Wolverine, também conhecido como A Arma X, sempre foi violento e selvagem. Transpor essas características para o cinema era, até então, um desafio, visto que isso exigiria uma classificação etária para maiores de 18 anos. Porém, após o sucesso de Deadpool, a Fox arriscou mais uma vez e nos entregou um filme com classificação +18. Mesmo assim, não se trata de violência gratuita já que a natureza do personagem é ter instintos animais e lutar como tal. Logo, são muito mais verossímeis cenas violentas e sangrentas quando o atacante usa garras de adamantium.

Entretanto, Logan vai muito além de cenas brutais. Tanto o Wolverine quanto o professor Xavier são pessoas que viveram muito e presenciaram – ou pior, fizeram – coisas muito ruins. Mesmo a pequena Laura, já tão nova, passou por muitas dificuldades. O peso dos anos e toda a carga dramática vinda com eles estão estampados em seus rostos. Os dramas pessoais de cada um se misturam: dois homens solitários e uma garota desamparada, todos procurando algum tipo de redenção, tão dependentes uns dos outros que às vezes não se dão conta. O roteiro do filme nos mostra isso e as excelentes atuações só nos confirmam.

É por esse motivo que arrisco dizer que Hugh Jackman e Patrick Stewart são dignos de uma indicação ao Oscar de melhor ator e melhor ator coadjuvante, respectivamente. Isso não é nenhum absurdo, tendo em vista que não seria a primeira participação de filmes de heróis na maior premiação do cinema, só que agora em uma categoria de maior importância. Esta seria a honra final para um personagem e para um ator que tanto contribuíram para as adaptações de HQ’s. Contudo, mesmo sem isso, a Fox já cumpriu seu dever e nos presenteou com uma bela obra, tanto para fãs, quanto para não fãs. Assim como os personagens da trama, a produtora buscou sua redenção por erros do passado e a conquistou merecidamente.

Ficha técnica:

  • Data de lançamento: 02 de março de 2017.
  • Duração: 2h18min
  • Gênero: Ação, Aventura, Ficção científica, adaptação de quadrinhos
  • Direção: James Mangold
  • Elenco: Hugh Jackman (Logan), Patrick Stewart (Charles Xavier), Dafne Keen (Laura / X-23), Boyd Holbrook (Donald Pierce)

Assista ao trailer:

Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.