Cinema | A Grande Muralha (The Great Wall) | Crítica

Cinema | A Grande Muralha (The Great Wall) | Crítica

Eleita uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno, a Muralha da China levou vários séculos para ser construída, com o objetivo de proteger o território chinês de invasões inimigas. Assim, A Grande Muralha, do diretor Yimou Zhang, segue na mesma levada, porém a finalidade da construção colossal agora é defender a população contra uma ameaça muito maior.

O filme conta como William (Matt Damon) e Tovar (Pedro Pascal), dois mercenários ocidentais, chegam ao Oriente em busca de uma arma chamada negro (a pólvora, na verdade). Após serem atacados por uma criatura misteriosa, os dois se deparam com a Muralha e são feitos prisioneiros pelos seus defensores. O que eles descobrem a seguir é que se encontram no meio de uma batalha iminente entre os chineses e uma horda de criaturas monstruosas que desejam atravessar para o outro lado e devorar a todos.

O ritmo do longa é agitado, com a trama se desenrolando rapidamente. As sequências de ação mostram uma tecnologia bélica avançada para a época, com mecanismos de ataque e defesa muito eficazes contra um exército numeroso. Os efeitos especiais também ajudam bastante nesses momentos ao se combinarem com cenários grandiosos e impactantes. Nesse caso, o 3D seria algo para tornar a experiência ainda mais interessante, mas na verdade é dispensável visto que poucas cenas utilizam bem esse recurso.

Se por um lado o desenvolvimento ágil é bom, por outro deixou um pouco a desejar quando explicou muito rápida e vagamente a origem dos Tao Tei, os monstros devoradores de humanos. De acordo com a história, a cada 60 anos eles retornavam para atacar a população e alimentar sua rainha. Só que dessa vez eles estão mais inteligentes e organizados. Entretanto, o que faltou para tornar essa evolução ainda mais evidente foi um vislumbre de como eles agiram na última investida para que pudéssemos fazer uma comparação.

Contudo, ignorando-se esse fato, a história consegue prender nossa atenção com táticas militares e cenas de batalhas. Outro ponto positivo da película foi não ter se sustentado em cima de um romance entre William e a comandante Lin (Jing Tian). Isso tornou as motivações do protagonista mais plausíveis, já que o conceito de confiança foi desenvolvido ao longo dos acontecimentos narrados.

Assim sendo, A Grande Muralha é um filme que garante bom entretenimento com sua 1h44min de duração, ao se aproveitar de um patrimônio mundial e de todo o seu contexto histórico para criar uma fantasia épica. O final não surpreende, mas o caminho trilhado para se chegar até ele vale o ingresso.

Ficha técnica:

  • Data de Lançamento: 23 de fevereiro de 2017 (Brasil);
  • Gênero: Aventura, fantasia épica;
  • Duração: 1h44min;
  • Direção: Yimou Zhang
  • Elenco: Matt Damon (William Garin), Jing Tian (Lin Mei), Pedro Pascal (Tovar), Willem Dafoe (Ballard).

Assista ao trailer:

Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.