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Cinema | Bohemian Rhapsody (2018) | Crítica

Cinema | Bohemian Rhapsody (2018) | Crítica

Bohemian Rhapsody, a cinebiografia da banda Queen e do seu inesquecível vocalista, já se tornou um grande sucesso de bilheteria em menos de um mês de exibição. Assim como a canção homônima que o intitula, o longa foca nos conflitos internos de Freddie Mercury e sua relação conturbada com os demais integrantes do grupo.

O filme nos mostra como Freddie (Rami Malek), o guitarrista Brian May (Gwilym Lee), o baterista Roger Taylor (Ben Hardy) e o baixista John Deacon (Joseph Mazzello) se reúnem para formar o Queen nos anos 70. Após a rápida ascensão da banda no mundo do Rock, os integrantes entram em conflito especialmente devido à personalidade e ao estilo de vida do vocalista.

Como a sinopse dá a entender, o filme é voltado para a figura de Freddie Mercury. O próprio guitarrista, Brian May, que participa da produção da película, afirma isso. Dessa forma, podemos ver toda a genialidade de Freddie, mas também o outro lado: sua vulnerabilidade e defeitos. Isso é um grande mérito, já que o roteiro não o coloca em um pedestal e o idolatra como se tivesse sido um ser perfeito. Muito pelo contrário, conseguimos ver seu lado mais humano e todas as falhas que isso traz consigo.

Logo no início percebemos os atritos com a família, principalmente com o pai. Nascido na colônia britânica de Zanzibar e batizado como Farrokh Bulsara, Freddie parece não se enquadrar em nenhum padrão. Esse processo de autoconhecimento também parte para o lado de sua sexualidade, algo que é motivo para muitos de seus conflitos internos, expressados na letra da música Bohemian Rhapsody. A fama não ajuda a melhorar essa agitação interior do vocalista e isso reflete diretamente na sua relação com seus companheiros de trabalho.

Outra coisa que chama atenção no filme é a excelente caracterização dos atores para encarnarem seus respectivos papéis. Todos, sem exceção, ficaram iguais aos verdadeiros membros da banda. Entretanto, o destaque vai novamente para o protagonista. Não só o visual de Rami Malek é incrível, como também sua performance em cena. Ele consegue incorporar todos os trejeitos de Freddie de forma convincente e passar a emoção necessária para cada momento. Uma indicação ao Oscar seria mais do que justa, como muitas pessoas já vêm comentando.

Para os fãs do Queen, as partes musicais são o ponto alto, já que quase todos os clássicos da banda tocam, nem que seja por alguns instantes. Saber em que circunstâncias elas foram gravadas e como foram compostas torna tudo ainda melhor. E o mais interessante é o cuidado em tocar cada canção em um momento condizente com o andamento da narrativa.

Mesmo com todos esses pontos positivos, o filme divide opiniões pois altera alguns fatos e a ordem cronológica de certos acontecimentos, alguns deles importantes. Essas diferenças não estragam a experiência dos espectadores, mas realmente algumas delas são desnecessárias. O que também deixa a desejar é a falta de aprofundamento nos outros integrantes da banda, mesmo que ali eles tenham papel coadjuvante.

De qualquer forma, quem é fã do Queen e de Freddie Mercury vai se emocionar com Bohemian Rhapsody, tanto pelo lado musical quanto pessoal. Ainda que não seja uma cinebiografia literal, continua sendo uma homenagem digna a um dos melhores vocalistas e a uma das maiores bandas que já existiram.

Ficha técnica:

  • Data de lançamento: 2 de novembro de 2018
  • Duração: 2h13min
  • Gênero: drama, biografia, musical
  • Direção: Bryan Singer/Dexter Fletcher
  • Roteiro: Anthony McCarten
  • Elenco: Rami Malek (Freddie Mercury), Gwilym Lee (Brian May), Ben Hardy (Roger Taylor), Joseph Mazzello (John Deacon), Lucy Boynton (Mary Austin), entre outros

Conheça 5 diferenças entre o filme e a realidade

Assista ao trailer de Bohemian Rhapsody:

 

Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.