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O Mochileiro das Galáxias – a trilogia de cinco | Artigo

O Mochileiro das Galáxias – a trilogia de cinco | Artigo

Em janeiro desse ano, eu me propus a ler a famosa saga escrita por Douglas Adams. Afinal, todo nerd que se preze deveria pelo menos conhecer a série O Mochileiro das Galáxias, não é? Então, a cada mês fui lendo e resenhando um volume e finalmente consegui entender por que essa obra faz tanto sucesso entre os amantes da ficção científica mesmo que algumas coisas não tenham me agradado.

O motivo do sucesso já fica claro em O Guia do Mochileiro das Galáxias, o primeiro dos cinco livros. Foram poucas as vezes que me diverti tanto com uma leitura. Em determinados trechos eu precisava dar uma pausa só para rir. Eu não conhecia os protagonistas Arthur Dent e Ford Prefect, então a irreverência dos dois me pegou desprevenido com muitos diálogos hilários.

A inteligência de Douglas Adams misturada ao seu senso de humor rendeu muitas referências e teorias científicas, invenções malucas e críticas sociais em forma de piadas. Em meio a cenas improváveis, o que está sendo descrito nada mais é do que uma sátira da nossa própria sociedade.

A saga inteira segue essa linha de comédia ácida. O segundo volume, O Restaurante no Fim do Universo, mantém a mesma qualidade do primeiro e endurece um pouco as alfinetadas. Entretanto, a partir do terceiro livro – A Vida, O Universo e Tudo Mais – essas cenas satíricas começaram a cansar e perder a graça para mim, assim como a interação de Ford e Arthur. Os diálogos e algumas passagens passaram a ser tão absurdos que eu não conseguia extrair muita coisa que não fosse excesso narrativo. Com isso, não quero dizer que a trama principal seja ruim, mas a forma de desenvolvê-la e chegar a uma conclusão não foi muito boa.

O quarto livro, Até Mais, e Obrigado pelos Peixes!, é o mais “parado” no quesito ficção científica pois foca em Arthur levando sua vida na Terra com a namorada. O próprio autor quebra a quarta parede e brinca que a história do terráqueo pode até não ser tão relevante, mas mostra outro lado dele. Acho que justamente por isso eu gostei, já que nos dois volumes anteriores ele era retratado como um idiota.

O quinto e último capítulo da série foi escrito 13 anos depois do primeiro. Nesse intervalo, as mudanças políticas e tecnológicas fizeram com que Adams se atualizasse e tivesse novos temas para criticar. Esse tempo também foi importante porque eu senti que revitalizou a escrita dele. Praticamente Inofensiva não tem tantos devaneios narrativos e a trama de universos paralelos é muito bem explorada. Os únicos problemas foram alguns personagens que eu esperava rever e foram ignorados e o destino dos protagonistas, o qual não me agradou.

No final das contas, o saldo da leitura da coleção O Mochileiro das Galáxias foi positivo. A criatividade de Douglas Adams é inegável, por mais que eu tenha achado exagerada em algumas partes. Como eu cansei da narração satírica em determinado momento, talvez eu devesse ter dado um intervalo de tempo maior entre um livro e outro. De qualquer forma, é compreensível o sucesso da saga diante de tudo que ela fez pela ficção científica e pelo orgulho nerd.

Adicione esta saga à sua estante!

Leia as resenhas de cada volume:

Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.