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A ciência por trás das histórias sobre viagem no tempo | Artigo

A ciência por trás das histórias sobre viagem no tempo | Artigo

Entre todos os temas explorados dentro da ficção científica, a viagem no tempo é um dos mais fascinantes. O assunto começou a se popularizar ainda em 1895 quando H. G Wells publicou o clássico A Máquina do Tempo. Daí em diante, diversas obras da literatura, do cinema e da TV se aventuraram a explorar as possibilidades de viajar através do espaço-tempo de várias maneiras. A maioria delas se baseia em teorias científicas, algumas vezes tentando seguir os conceitos com o máximo de rigor que é possível, outras agindo com maior licença criativa ou então ignorando completamente a lógica por trás da ciência.

As teorias elaboradas ao longo dos anos são bastante complexas e envolvem muitos conhecimentos de física e matemática, sem contar as discussões filosóficas. Mas para simplificar as coisas, as histórias sobre viagens no tempo que vemos na ficção podem ser divididas em duas categorias principais de acordo com a forma que o ato de viajar no tempo — em particular para o passado — afeta o mundo. Na primeira, a história não pode ser alterada pela intromissão de um viajante do futuro; já na segunda, a história pode ser modificada devido às intervenções de alguém descuidado ou mal-intencionado. Então apertem os cintos, pois vamos conhecê-las um pouco melhor agora.

 

Nesse artigo você encontrará:

 

Viagens no tempo onde a história é imutável

Nesse tipo de viagem, por mais que os viajantes retornem ao passado, eles não conseguem alterar o futuro pois a linha do tempo não pode ser modificada. O exemplo mais recente dentro da ficção é a série alemã Dark, que deu um nó no cérebro de muita gente. Por mais que os personagens tentem modificar o passado para fugir do futuro que lhes aguarda, tudo sempre acontece da mesma forma. Até mesmo a intervenção deles já faz parte dos acontecimentos, de modo que suas ações para tentar impedir que algo aconteça são exatamente o que possibilitam que isso ocorra, fechando o tempo em um loop infinito. Na prática, isso é um conceito que foi dito por Igor Novikov em seu Princípio da auto-consistência, que afirma que qualquer tentativa de alterar o futuro criando um paradoxo irá fracassar. Vendo por outro lado, é como se tudo estivesse pré-determinado e não houvesse livre-arbítrio.

viagem no tempo dark

A série alemã produzida pela Netflix possui três temporadas

Isso também ocorre em O Exterminador do Futuro (1984) quando as máquinas voltam ao passado para tentar impedir o nascimento do líder da resistência humana e isso acaba criando a situação específica para que ele nasça. Já em O Predestinado (2014), a interação do protagonista com suas versões do passado demonstra o mesmo princípio de maneira ainda mais complexa, criando um nó tão confuso quanto o da série germânica.

viagem no tempo o exterminador do futuro

O Exterminador do Futuro: grande sucesso dos anos 80

Mas nem por isso essas produções deixam de ter paradoxos. Nesse caso, trata-se do Paradoxo de Bootstrap, que é uma teoria da física que trabalha com objetos e informações que existem sem terem sido criados por alguém. O melhor exemplo é o livro Uma jornada através do tempo, escrito pelo personagem H. G. Tanhaus em Dark. O relojoeiro recebe do futuro o livro que ele próprio escreveu, mas nesse momento ele ainda não o havia escrito. Assim, ele simplesmente copia o exemplar e publica. Então quem escreveu o livro realmente? Ele simplesmente existe.

Outra saída para que a história se mantenha inalterada ao mexer no passado é a existência de mundos e linhas temporais paralelos. Vimos isso em Vingadores: Ultimato quando o grupo de heróis volta no tempo para recuperar as joias do infinito, mas sem alterar o futuro. O que acontece ali é que a interferência deles cria outras realidades e não mexe na linha do tempo principal.

viagem no tempo vingadores

Quem também trabalha com linhas temporais distintas é o anime Steins;Gate. Na produção japonesa existe um campo de linhas temporais onde um determinado evento sempre ocorre, por mais que o protagonista tente modificá-lo. Paralelo a esse campo, existe outro onde esse evento não acontece nas linhas que o formam. O desafio é justamente passar de um para outro.

Essas são apenas algumas tramas onde o futuro não pode ser alterado, sendo que existem muitas outras com maior ou menor grau de complexidade. Agora vamos ver a outra ponta desse buraco de minhoca..

 

Viagens no tempo onde a história pode mudar

Aqui o negócio complica, pois viajar no tempo com a certeza de que mexer no passado irá alterar o futuro pode gerar consequências terríveis e irreparáveis. O exemplo mais marcante desse tipo de viagem é mostrado em De Volta para o Futuro (1985). O protagonista, Marty McFly (Michael J. Fox), volta para 1955 a bordo do DeLorean modificado do cientista Emmett Brown (Christopher Lloyd) e acidentalmente faz uma intervenção no passado que impede o namoro de seus pais. Com isso, ele põe em risco a própria existência e precisa encontrar um jeito de consertar as coisas.

Viajar no tempo em um DeLorean é muito estilo

Outro clássico que exemplifica bem isso é Efeito Borboleta (2004), no qual o personagem de Ashton Kutcher pode voltar na sua própria linha do tempo e alterar alguns acontecimentos. O grande problema é que ele não tem controle sobre as mudanças que sua intervenção causa, modificando, assim, a sua vida e a das pessoas ao seu redor. O nome do filme remete à Teoria do Caos que foi idealizada por Edward Lorenz em 1963 e eternizada com a afirmação de que “o bater de asas de uma borboleta poderia mudar o curso natural das coisas e criar um tufão em outra parte do mundo”.

Uma trama que brinca com as relações de causa e efeito de forma delicada é Questão de Tempo (2013). O filme está mais próximo do romance do que da ficção científica, porém aborda o tema de viajar no tempo de forma peculiar. Tim (Domhnall Gleeson) pertence a uma família onde os homens tem a capacidade natural de voltar no tempo e decide usar esse dom para arranjar uma namorada (eu também faria isso, admito). Mas ele acaba descobrindo que viajar no tempo traz muitas consequências.

questão de tempo viagem no tempo

Sair do armário nesse caso tem outro sentido

Para encerrar a sessão de exemplos do cinema, um filme que trabalha a questão temporal de forma bem original: Alta Frequência (2000). Nele, John Sullivan (Jim Caviezel) encontra o antigo aparelho de radioamador de seu pai, um bombeiro que morreu em um incêndio anos atrás. Durante uma tempestade elétrica, o rapaz descobre que consegue conversar com o pai que está no ano de 1969, poucos dias antes de sua morte. A partir daí ele tenta encontrar maneiras de impedir que o pai morra no incêndio. A originalidade da obra está no fato de que somente as ondas de rádio viajam pelo tempo e não um corpo físico. Muitos teóricos alegam que é impossível transportar um objeto material através do tempo, sendo que a transição seria possível apenas para dados e informações imateriais..

 

Doctor Who: um ponto fixo dentro da ficção científica:

Um artigo sobre viagem no tempo que não mencione Doctor Who não faria sentido por dois motivos: primeiro porque essa é a série de ficção científica mais longa da história, iniciada em 1963 e que está no ar até hoje; segundo porque é uma das favoritas dos redatores desse site.

Tentando resumir os quase 60 anos do programa, o Doutor (quem?) pertence à evoluída raça dos Senhores do Tempo que dominaram as viagens espaço-temporais. Ele tem a capacidade de regenerar e reorganizar as células de seu corpo como uma forma de evitar a morte; assim a cada regeneração ele muda de aparência e personalidade (ele também tem dois corações, mas enfim…). Atualmente, ele está em sua 13ª regeneração, a primeira feminina, interpretada pela atriz Jodie Whittaker. A bordo da Tardis, uma nave em forma de cabine telefônica, a Doutora viaja pelo tempo e pelo espaço se metendo em um monte de confusões, sempre na companhia de um ou mais terráqueos, os seus companions.

Doctor Who atualmente está na 12ª temporada da série nova

A primeira regra para qualquer marinheiro de primeira viagem a bordo da Tardis é respeitar as leis do tempo e não interferir no curso da história. Mas tudo funciona melhor na teoria do que na prática. Na maioria das vezes, o futuro está sujeito a alterações e quando isso acontece os resultados podem ser catastróficos. Contudo a Doutora determina suas próprias regras, até mesmo para quebrá-las algumas vezes. Mas em algumas situações aparecem os pontos fixos no espaço-tempo: eventos que não se alteram independentemente de quantas vezes alguém tente modificá-los (e na maioria das vezes eles são bem tristes, então prepare-se).

Assim fica difícil encaixar Doctor Who em apenas uma das duas categorias. Às vezes o curso do tempo pode ser alterado facilmente, outras nem tanto, o que torna essa série tão fascinante e imprevisível..

 

Os problemas de se alterar a história 

As viagens ao passado que podem ocasionar a alteração do futuro apresentam muitos obstáculos que as tornam quase impossíveis. Os roteiristas e escritores tentam contornar isso do jeito que dá em suas obras de ficção, mas nem sempre é fácil e pode resultar em grandes furos de roteiro.

O principal problema aparece quando mexemos com a causalidade, a lei que diz que os efeitos vêm sempre depois de suas causas. Se essa ordem é invertida, surge o que chamamos de paradoxo. O mais famoso que existe é o paradoxo do avô, onde o viajante volta no tempo para uma época em que seu pai não tinha nascido e mata o próprio avô. Mas como isso é possível partindo do princípio de que, se o avô morreu, o pai também não irá nascer e, em consequência, a existência do viajante será apagada, impedindo que ele realize a viagem algum dia? Em tramas com futuro mutável isso não tem solução a menos que surja uma linha do tempo alternativa, mas aí voltamos para o exemplo de futuro inalterável de Vingadores.

Uma solução para tentar minimizar as chances de surgir um paradoxo é limitar o número de viajantes temporais. Como você pode notar nos exemplos ficcionais anteriores, os personagens ou nasceram com um dom único para viajar no tempo, ou então possuem um dispositivo que só eles têm acesso, como a Tardis em Doctor Who ou o DeLorean em De Volta para o Futuro.

Se, por exemplo, a viagem no tempo fosse algo acessível para qualquer um, a teoria defende que o próprio universo se encarregaria de achar uma solução onde as infinitas possibilidades de futuros se anulassem e restasse apenas a realidade onde viajar não fosse possível..

 

As teorias e artifícios que inspiraram as viagens no tempo na ficção

Já falamos sobre alguns princípios e teorias utilizados em filmes, livros e séries para permitir a viagem no tempo, mas faltam as “ferramentas” principais que podem vir a ser utilizadas na realidade caso as viagens temporais se tornem possíveis.

Viajar no tempo começou a ser encarado como uma área de estudo graças às teorias de Albert Einstein: a Relatividade Restrita (1905) e a Relatividade Geral (1915). Entre suas duas teorias, o físico alemão concluiu que o tempo desacelera (dilata) de duas maneiras: conforme a velocidade de um corpo se aproxima da velocidade da luz e também nas proximidades de campos gravitacionais intensos criados por corpos celestes e buracos negros. Então se você quiser viajar para o futuro, basta embarcar em uma nave que se mova a uma velocidade próxima à da luz ou orbitar um buraco negro (fácil né?!). Assim, o tempo vai passar mais lentamente e o que seriam apenas alguns minutos para você, seriam anos para quem permaneceu na Terra. O grande obstáculo é a inexistência da tecnologia que torne isso viável. Por enquanto só na ficção mesmo.

viagem no tempo albert einstein

Albert Einstein: uma das mentes mais brilhantes do século XX

Isso “resolve” o problema de visitar o futuro. Agora, voltar para o passado seguindo esse raciocínio é bem mais complicado, visto que seria necessário um meio de transporte que se movesse mais rápido que a luz; e isso não é possível como Einstein demonstrou na sua equação mais famosa: E = mc2.

Coube aos teóricos sobre viagem no tempo pensar em soluções alternativas para isso, e muitas delas dependem de estruturas como essas:

  • Buraco negro

Buracos negros são mencionados na maioria das ficções sobre viagens temporais e permitem muitas especulações sobre sua natureza, já que sabemos muito pouco sobre eles. O que sabemos é que os buracos negros são regiões que podem surgir depois do colapso de uma estrela e geram um campo gravitacional tão intenso que sugam até a luz. Mas entrar em um desses pode fazer com que o corpo da pessoa seja esticado ao máximo fazendo com que ela se torne quase um espaguete (os teóricos realmente usam o termo “espaguetização”). O único jeito de atravessar esse buraco negro seria através de um buraco de minhoca.

A primeira fotografia de um buraco negro, tirada em 2019

  • Buraco de minhoca

Basicamente é um atalho entre dois pontos no espaço. Se o espaço-tempo fosse plano, a menor distância entre os pontos A e B seria uma linha reta. Porém, se ele for curvo como afirma a teoria de Einstein, então esses dois pontos poderiam estar um sobre o outro. O buraco de minhoca serviria para conectar o ponto de partida e o ponto de chegada em lugares (espaço) e épocas (tempo) diferentes dependendo das circunstâncias. Apesar do imenso valor teórico, sua existência ainda não foi comprovada.

Representação de um buraco de minhoca ligando dois pontos na curva do espaço-tempo

Em Doctor Who existe o vórtice temporal pelo qual a Tardis passa para se locomover pelo espaço-tempo. Mesmo sendo ficcional, sua função é bem semelhante à que se imagina para um buraco de minhoca e mostra toda a instabilidade daquela região que gira a uma velocidade surpreendente, sendo um ambiente hostil e intransitável para qualquer ser vivo que tente atravessá-lo sem um transporte adequado.

woooo ooo oooo

Já a caverna e os outros dispositivos para viajar no tempo que aparecem em Dark utilizam buracos de minhoca que conectam épocas diferentes na mesma cidade. A substância que seve de combustível e possibilita isso é o césio-137 da usina nuclear de Winden, mas na vida real não é tão simples. Para se criar um buraco de minhoca precisaríamos de energia negativa, algo que só pode ser obtido (novamente, em teoria) segundo as leis da física quântica.

  • Física quântica

Muitas das questões levantadas pelos teóricos encontram respostas satisfatórias apenas no mundo subatômico devido ao comportamento peculiar das partículas elementares. No roteiro de Vingadores: Ultimato, o tempo e o espaço no reino quântico transcorrem de forma diferente do mundo macro, o que o torna um meio por onde é possível viajar no espaço-tempo. O maior problema é que as leis que se aplicam às partículas subatômicas não servem para o plano macroscópico e vice-versa. O que possibilita isso no filme é a tecnologia de encolhimento do Homem-Formiga que permite aos heróis acessar esse reino subatômico e sair de lá em outras épocas e lugares.

Também é na física quântica que encontramos o emaranhamento quântico citado em Dark que permite uma pessoa estar em dois lugares diferentes ao mesmo tempo. Contudo, mais uma vez, isso é válido apenas para partículas elementares, meu caro Watson..

 

Enfim, ciência e ficção podem chegar a um acordo?

Depois de toda essa viagem para explicar as diferenças e semelhanças entre as viagens no tempo da ficção e as teorizadas pela ciência, fica a pergunta: uma coisa ajuda a outra ou acabam se atrapalhando mutuamente?

Como vimos, o estudo sobre viagem no tempo é teórico, sem provas e evidências de que um dia isso se torne possível. Contudo a ficção dispõe da liberdade para contornar essas barreiras pensando em formas criativas para justificar suas tramas por mais que não tenham nenhum fundamento científico.

Pode acontecer de alguns roteiros abusarem tanto de argumentos sem sentido para se explicar que acaba resultando em um monte de bobagens que não agregam nenhum conhecimento aproveitável. Por outro lado, a maioria das produções sobre esse tema tenta seguir os fatos até onde dá, mesmo que seja apenas uma coisinha ou outra e depois passe a inventar história. Mas o simples fato de mencionar uma base científica real é suficiente para despertar o interesse de algumas pessoas em se informar melhor sobre aquele assunto, então elas irão atrás do que dizem os estudiosos.

Os exemplos cinematográficos já deveriam ter acabado, mas aqui vai mais um: Bill & Ted – Uma Aventura Fantástica (1989). Dois estudantes a bordo de uma máquina do tempo em forma de cabine telefônica (A Tardis não é a única, ao que parece), voltam ao passado para se encontrar com personalidades históricas para tirarem uma nota boa no trabalho da escola. As regras de não interferir no passado e suas consequências são completamente ignoradas, mas a ideia é tão divertida que o filme desperta curiosidade tanto sobre Ciência quanto História.

Bill & Ted (1989): um clássico da Sessão da Tarde

Para não dizerem que faltam exemplos com livros, aqui vai um, e nacional ainda por cima. O Homem que Fotografou Deus, de Maciel Brognoli, é uma obra infanto-juvenil que narra a aventura de um cientista que constrói — nos fundos de sua casa e usando materiais de uma loja de ferragens — uma nave que viaja na velocidade da luz e sai com ela vagando pelo Universo à procura da casa de Deus para tirar uma foto Dele e dá-la de presente à sua filha de 5 anos.

Basta prestarmos atenção no lugar onde a nave do protagonista foi construída para notarmos que o livro não se preocupa muito com fatos científicos. Mas o conceito da Relatividade de Einstein é respeitado e isso é tudo que importa. Mais importante ainda é o fato de que um homem utilizou a ciência para provar a existência de Deus e não para descartá-la, amenizando o confronto secular que existe entre essas duas áreas.

Então sim, a ficção e a ciência real são aliadas. Tanto que algumas das soluções imaginadas por roteiristas e escritores são tão plausíveis no campo teórico que já serviram de inspiração para cientistas postularem seus conceitos (Está aí o Asimov para provar isso com as Leis da Robótica que ele apresentou e que servem de base até hoje para a criação de máquinas automatizadas).

Viagens temporais podem não ser possíveis hoje, mas caso um dia sejam, já estaremos familiarizados com suas implicações graças ao que muitas obras nos ensinaram a respeito das regras ao se viajar no tempo e de tudo que está em jogo. E quando isso for possível no futuro, por favor tragam esse artigo de volta para mim em 2020 para que eu possa publicá-lo (ah! E uma vacina anti-corona seria bem legal também, sem querer abusar).

Fontes consultadas para esse artigo:

Gosta de tramas sobre viagem no tempo? Então acompanhe a nossa série Especial Viajantes do Tempo

Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.