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Anime | Death Parade

Anime | Death Parade

Imagine se os Jogos Mortais não servissem para decidir quem vive ou quem morre, mas sim para determinar para onde vão as almas dos competidores após a morte. Basicamente, essa é a premissa de Death Parade (2005), mais um anime produzido pela Madhouse sob a criação e direção de Yuzuru Tachikawa.

Essa produção em particular não teve origem em um mangá, como geralmente acontece. Na verdade, ela surgiu a partir de um curta metragem chamado Death Billiards, feito pelo mesmo estúdio. Depois de morrerem, as pessoas perdem a memória recente e chegam em duplas a estranhos bares onde são obrigadas a competir em um determinado jogo. Cada um desses locais é gerido por um bartender que atua como juiz e define qual alma será enviada para a reencarnação e qual irá para o Vazio. Decim é um desses bartenders, responsável pelo bar Quindecim. Acompanhamos algumas mudanças drásticas em sua rotina quando uma mulher misteriosa é designada como sua assistente.

Logo de cara, no primeiro episódio, é criada uma atmosfera tensa e sombria onde um casal deve competir um contra o outro. Entretanto não é um jogo comum: para vencer, o competidor é obrigado a causar dor no adversário. Por isso é tão fácil associar o contexto à famosa franquia de filmes Jogos Mortais. Para piorar a situação, o foco é voltado para o psicológico dos personagens, que são levados a agir sob estresse máximo, pois só assim o julgamento se torna eficaz. A mistura de todos esses ingredientes causa uma impressão inicial muito positiva sobre o programa, mesmo que seu tema de abertura destoe da proposta do anime.

Já no decorrer dos 11 episódios seguintes, alguns jogos não são tão tensos ou não envolvem dor física, o que de certa forma é uma coisa boa, visto que não fica repetitivo. O objetivo final é sempre chegar a um veredicto sobre quem terá uma segunda chance e quem será condenado ao esquecimento, mas as formas para se obter isso variam dependendo das personalidades dos jogadores envolvidos.

Por outro lado, em dois ou três capítulos há uma quebra de ritmo que chega a frustrar o espectador. Por mais que sejam feitas revelações importantes a respeito de Decim e sua ajudante, não acontece mais nada de interessante, nem os jogos. Além disso, mesmo que a relação dos dois protagonistas fique clara, ainda falta um desenvolvimento maior nos coadjuvantes. Ficamos sem saber a real motivação de alguns ou quais foram as consequências de certas decisões que tomaram. E não há nenhum indicativo de que haverá uma segunda temporada.

Fora esses problemas, o anime apresenta um bom questionamento a respeito da capacidade que as pessoas têm para julgarem umas às outras, ou como esse julgamento deve ser feito da maneira mais justa por quem detém tal responsabilidade. Assim, Death Parade pode te entreter na medida certa e até mesmo surpreender, ainda que você não chegue ao final sentindo a mesma atmosfera que sentia no começo.

Ficha técnica:

  • Ano de lançamento: 2015
  • Gênero: suspense, thriller psicológico, sobrenatural
  • Música de abertura: Flyers – Bradio
  • Música de encerramento: Last Theater – NoisyCell
  • Criador: Yuzuru Tachikawa
  • Estúdio: Madhouse
  • Número de episódios: 12
  • Status: concluído

Assista ao trailer:

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Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.