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Anime | Elfen Lied (Erufen Rito)

Anime | Elfen Lied (Erufen Rito)

“Assista aos primeiros cinco minutos de Elfen Lied. Essa é a frase que você deve dizer para apresentar esse anime a alguém. Depois desse tempo, provavelmente a pessoa irá se questionar “que p#rr@ foi essa?!” e então decidirá se continua ou não assistindo à criação de Lynn Okamoto adaptada pelo estúdio Arms Corporation em 2004.

Após encontrarem uma garota com protuberâncias semelhantes a chifres na cabeça vagando pela praia, Kouta e sua prima Yuka decidem abrigá-la na casa deles. Como a única palavra que ela consegue falar é “nyuu”, eles passam a chamá-la assim. Contudo, eles não sabem que Nyuu, na verdade, se chama Lucy e perdeu a memória ao ser ferida enquanto fugia do laboratório onde era mantida como cobaia de testes. Ela pertence a uma raça mutante conhecida como Diclonius, indivíduos que conseguem projetar membros invisíveis semelhantes a braços que possuem força sobre-humana. Devido ao perigo que representa para a humanidade, a única alternativa para conter a jovem é enviar assassinos profissionais para matá-la, sem se preocupar com os inocentes que estiverem pelo caminho.

A primeira coisa que causa impacto em Elfen Lied é sua abertura. Trata-se de Lilium, uma canção em latim no estilo de um canto gregoriano, composta por Kayo Konish e Yukio Kondou e interpretada por Kumiko Noma. A letra baseada em passagens bíblicas é de arrepiar e já prepara o espectador para o clima sombrio que está por vir. Por esse motivo, já fica claro que a trama é voltada especificamente para o público adulto. O que comprova isso é o foco na violência gráfica, seguindo o mesmo subgênero gore que vemos em Parasyte. As cenas de nudez também são recorrentes. Elas não chegam ao ponto de serem obscenas, porém em alguns momentos fica clara a intenção de serem eróticas.

Entretanto a violência e o erotismo não são as únicas características que definem o tipo de espectadores da produção. A atmosfera lúgubre que a trilha sonora causa é para reforçar o terror psicológico pelo qual muitos personagens passam, inclusive Kouta, que criou um bloqueio mental após perder a irmã na infância. Como se isso já não fosse suficiente, há outros momentos tensos retratando abuso infantil e pedofilia que, mesmo não sendo destaques da narrativa, ainda causam perturbação.

Porém existem passagens mais cômicas, causadas principalmente pela ingenuidade de Nyuu. Mas são apenas o suficiente para que a história não se torne tão pesada. Os personagens principais também têm bastante carisma, o que faz com que torçamos por eles e fiquemos envolvidos com seus dramas pessoais.

A obra possui apenas 14 episódios, sendo que um deles é um OVA – um episódio a parte, que não tem grande importância para o contexto geral. Assim, os acontecimentos precisam ser desenvolvidos sem muita enrolação, de forma que as revelações mais importantes ocorrem no meio do anime e não no final. Como acontece na maioria das animações curtas, alguns pontos ficam sem a devida explicação. Nesse caso, o que faltou foi uma informação mais clara sobre a origem dos Diclonius, mas nada essencial para o entendimento.

Levando em consideração tudo o que foi dito, Elfen Lied não é um anime que agradará a todos visto sua temática mais soturna. Os cinco minutos iniciais realmente são decisivos na hora de definir quem irá até o fim e quem abandonará. Mas o certo é que aqueles que escolherem prosseguir não irão se arrepender.

Ficha técnica:

  • Ano de lançamento: 2004
  • Gênero: terror, gore, ação, ficção científica
  • Música de abertura: Lilium – Kumiko Noma
  • Música de encerramento: Be Your Girl – Chieko Kawabe
  • Criador: Lynn Okamoto
  • Estúdio: Arms Corporation
  • Número de episódios: 14
  • Status: concluído

Assista ao trailer:

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Sobre Mozer Dias

Mozer Dias
Engenheiro civil, resenhista e podcaster. Sou apaixonado pela exatidão dos números e pela subjetividade das palavras. Penso que qualquer pessoa pode se aventurar por esses dois mundos, até porque foram as palavras que me apresentaram aos números e daí nasceu essa relação singular. O primeiro livro que li foi “O Homem que Calculava”, do autor Malba Tahan, que narra história de Beremiz Samir, um árabe com um dom inacreditável para a matemática e uma sabedoria que transcendia a mera racionalidade fria e impessoal. Sendo assim, é esse equilíbrio que busco para minha própria vida: fazer poesia com números e letras, mantendo sempre o coração aberto para a subjetividade que há nas entrelinhas e extrair disso o melhor que eu puder.